Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Eleições 2020 em Belém: IBOPE mostra vantagem de Edmilson,que encaminha vitória neste domingo

Rodolfo Marques

A última pesquisa IBOPE Inteligência divulgada nesse sábado (28.11.2020), e que mediu as intenções de voto para a Prefeitura de Belém-PA, mostrou um crescimento destacado do candidato do PSOL, Edmilson Rodrigues. De acordo com os dados divulgados, o ex-prefeito de Belém (1997-2000 e 2001-2004) tem 58% das intenções de voto, contra 42% do candidato do Patriota, o delegado federal Everaldo Eguchi – considerando-se somente os votos válidos. 

Foram ouvidas 602 pessoas entre os dias 26 e 28 de novembro. Em relação à pesquisa anterior, divulgada em 21 de novembro, Edmilson teve um crescimento de 6 pontos percentuais (tinha 52%), enquanto que Eguchi caiu na mesma proporção (tinha 48%). A margem de erro do levantamento é de quatro pontos percentuais.

E quais variáveis explicativas poderiam trazer um diagnóstico desse aumento da diferença de intenções de voto a favor de Edmilson Rodrigues?

Um primeiro ponto que pode ser apontado é a estratégia de campanha adotada pela coordenação da candidatura do PSOL. Como se trata de uma eleição atípica, com pouquíssimo tempo entre os dois turnos (quinze dias), a presença digital e um monitoramento mais efetivo das mídias e das redes sociais tornaram-se prioridades. A campanha de Edmilson Rodrigues conseguiu ser mais efetiva ao mostrar um candidato assertivo e propositivo, com a adaptação da linguagem para os diferentes canais de comunicação – e para as diferentes faixas etárias. 

O segundo ponto é sobre a polarização que ficou mais acentuada após o primeiro turno, reforçando um “voto de negação” aos adversários. Para além de escolher Edmilson Rodrigues ou Everaldo Eguchi, os votos (ou suas intenções, por enquanto) podem representar um movimento de anti-bolsonarismo ou de anti-esquerda. Nesse contexto, os números indicam também que a queda na aprovação de Jair Bolsonaro (sem partido) e uma ampliação da rejeição a posturas de Everaldo Eguchi corroboram para o crescimento da candidatura de Edmilson Rodrigues. Algumas falas desastrosas do candidato do Patriota sobre a classe trabalhadora, a falta de clareza em suas propostas e a maneira pela qual foi tratado em várias feiras livres de Belém mostraram, na semana anterior ao pleito, um certo “derretimento” de sua candidatura que, no entanto, continua competitiva. Mesmo os debates eleitorais, que historicamente têm efeito apenas residual nas eleições no Pará, exibiram algumas diferenças entre as duas candidaturas, ajudando um pouco a retirar votos de quem vai mal nesses encontros. 

O terceiro e último ponto dessa análise é em relação aos apoios às candidaturas – e mesmo à ausência deles. Edmilson conseguiu juntar a seu favor representações de várias classes e núcleos profissionais. Nomes famosos nacionalmente, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Fafá de Belém, Gaby Amarantos e Gretchen hipotecaram apoio público ao candidato do PSOL. Por outro lado, praticamente não houve alianças dos candidatos e partidos derrotados no primeiro turno com os dois que seguiram no pleito. Assim, a busca pelos votos “livres” neste segundo turno acabou sendo mais “direta” e, por enquanto, Edmilson parece está levando a melhor, aumentando a sua vantagem no primeiro turno, que foi de pouco mais de 81 mil votos (ou 12 pontos percentuais).

O resultado final, por óbvio, só se saberá após às 17h deste domingo (29.11.2020). Todavia, fica a reflexão de que o eleitor está ficando cada vez mais exigente em relação aos candidatos e às suas propostas. 

A desinformação, expediente ainda utilizado por várias campanhas eleitorais, precisa ser coibida, pois obstrui as regras democráticas e o processo de escolha por parte do cidadão. 

E que o próximo gestor de Belém possa ter a capacidade de comandar a cidade com todos os desafios e peculiaridades que a capital da Amazônia apresenta. 

Essa discussão é essencial, mas o tema é para o nosso próximo texto. 

Rodolfo Marques
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