Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Brasil e a instabilidade política: os desafios do país para os primeiros meses de 2021

Rodolfo Marques

O ano de 2020, marcado pela pandemia da Covid-19, encerra-se com um cenário de muitas incertezas, dúvidas e ansiedade no campo político. Ao mesmo tempo, o ano de 2021, que se inicia, traz consigo uma carga intensa de conflitos no âmbito da política nacional.

A primeira demanda, indiscutivelmente, refere-se à questão da vacina contra o novo coronavírus, em especial porque o Brasil não desenvolveu claramente um Plano Nacional de Imunização. Além disso, a postura do governo federal, com ações negacionistas e, muitas vezes, focada em disputas político-eleitorais, ainda gera muitas indefinições e angústia na maior parte da população. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido/RJ) transformou o enfrentamento à pandemia em um conflito com governadores e prefeitos – com vistas, exclusivamente, ao pleito de 2022. Alguns países latino-americanos, como Chile, Costa Rica e Argentina, iniciaram o processo de vacinação contra a Covid-19 ainda em 2020, a partir do estabelecimento de parcerias internacionais. Aliás, no final de 2020, o Brasil já tinha mais de 7 milhões de contaminações e mais de 190 mil mortes, sendo o segundo país do mundo em número de óbitos.

O segundo ponto que desperta grande atenção é de que forma o Brasil vai lidar com a crise econômica que deve assolar o país em 2021. Os efeitos da pandemia devem ser mais fortes neste ano, principalmente com a suspensão do repasse do auxílio emergencial às populações mais carentes e das idas e vindas da agenda econômica do ministro Paulo Guedes. O governo federal não demonstrou mecanismos efetivos de combate à instabilidade econômica, os desgastes diplomáticos com a China emergiram – a partir de declarações desastradas do chefe do Itamaraty, Ernesto Araújo, e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (Republicanos-SP) – e o país perdeu credibilidade interna e externa. Há muitas dúvidas se o Brasil vai ter “remédios” eficazes para enfrentar a crise econômica.  

E o terceiro aspecto é o das eleições nas Mesas Diretoras nas Casas Legislativas. Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) deixam os comandos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em 01 de fevereiro de 2021 e há uma grande mobilização de candidatos para ocupar tais funções. Na Câmara, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) tem o apoio do governo Bolsonaro, mas enfrenta um já articulado grupo de oposição, que ainda a definir seu candidato. Por trás desse grupo, há a força de Rodrigo Maia, que busca juntar grupos do PT ao PSL, entre outras agremiações partidárias. Os deputados Baleia Rossi (MDB-SP) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) são alguns dos favoritos para liderar o bloco e serem candidatos. No Senado, as pré-candidaturas ainda são muitas – de seis a nove –, sendo que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) desponta como o provável preferido do Planalto. O comando das duas Casas é essencial para o controle da pauta no Poder Legislativo e também para as articulações do Poder Executivo, que vem falhando muito, também, nesse quesito da agenda política.

Destarte, nesse cenário com tantas peculiaridades, o Brasil tende a ter muitas dificuldades em 2021. A expectativa maior é que disputas políticas possam ficar em segundo plano e que as demandas nacionais – por saúde, empregos e estabilidade econômica – sejam prioridades.

Rodolfo Marques
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