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RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Bolsonaro reforça crítica ao processo eleitoral brasileiro. Instituições reagem à fala do presidente

Rodolfo Marques

Na sua live semanal, em 29.07.2021, o presidente da República, Jair Bolsonaro, reiterou suas suspeitas de fraudes sobre os processos eleitorais no Brasil, em especial no uso das urnas eletrônicas. Bolsonaro convocou veículos de comunicação para exibir sua fala pública e mostrar supostas “provas” de suas convicções. Todavia, em mais de duas horas de transmissão, o presidente se ateve a apresentar vídeos inverídicos e a comentar sobre notícias sem quaisquer comprovações. Acuado pela ausência das provas, em um dado momento da transmissão, ele disse que aqueles que acreditam na veracidade das urnas eletrônicas é que devem apresentar provas de que elas não são fraudáveis.

Tal postura constante de confronto de Bolsonaro é uma maneira de ele se manter em evidência e, em várias ocasiões, de mudar o foco de questões mais relevantes e graves. O Brasil continua em um cenário muito negativo em relação à pandemia de Covid-19 – até 29 de julho, eram quase 20 milhões de casos e cerca de 555 mil mortos, em 17 meses de pandemia no país. Com as investigações da CPI da Covid-19 colocando em xeque a atuação do governo no enfrentamento da pandemia e trazendo à tona suspeitas de corrupção, os índices de aprovação de Bolsonaro vêm apresentando quedas constantes. As pesquisas mostrando um certo favoritismo ao ex-presidente Lula para as eleições presidenciais em 2022 também vêm incomodando sobremaneira o Planalto.

Para se conectar à sua base mais fiel, portanto, Bolsonaro mantém um discurso agressivo e, em muitos casos, amparados em notícias falsas e em conteúdos retirados dos seus reais contextos. Em paralelo, é uma forma de se reconectar com o seu público, visto que, para manter o apoio do Congresso Nacional, o presidente vem fazendo concessão ao Centrão, como no caso da nomeação do Senador Ciro Nogueira (PP-PI) para o Chefia da Casa Civil. 

Todavia, ao atacar corriqueiramente as instituições, alguns atores políticos relevantes vêm se manifestando contrariamente à postura do presidente da República. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, não só reforça a confiança nas urnas eletrônicas, como tem interpretado as falas do presidente como bravatas e afrontas às autoridades e seus a seus respectivos órgãos públicos. Ainda durante a live presidencial transmitida do Palácio da Alvorada, o TSE desmentiu 18 alegações feitas por Bolsonaro. 

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também têm denotado indignação em relação à postura do presidente. Representantes da sociedade civil e alguns partidos políticos já se manifestaram contra Bolsonaro e seus métodos de comunicação/desinformação. De fato, as constantes ameaças de Bolsonaro à democracia vêm ampliando as reações negativas e fortalecendo as oposições a ele.

Destarte, nesse ambiente de crise sistêmica, o Brasil precisa de um chefe do Executivo mais conectado com os problemas do país – para poder buscar mecanismos de resolvê-los – e de um contexto político em que haja independência, autonomia e respeito às instituições e a seus papeis constitucionais. Todavia, entre o que é esperado e o que realmente acontece, há um enorme intervalo, que vem degradando o país em vários níveis. 

Rodolfo Marques
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