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RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Bolsonaro faz mudanças em seu ministério e foca ainda mais no seu projeto de reeleição, em 2022

Rodolfo Marques

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continua com os objetivos cada vez mais consolidados para buscar a reeleição em 2022. Mesmo tendo prometido, quando da campanha em 2018, não participar do pleito presidencial seguinte, sempre se soube que Bolsonaro tinha planos para comandar o país por dois mandatos consecutivos (2019-2022 e 2023-2026) ou oito anos.

Mas, para atingir sucesso em sua meta praticamente única, Bolsonaro vem enfrentando muitos percalços.  A gestão desastrosa do enfrentamento da Covid-19, juntamente com a CPI da pandemia – evidenciando suspeitas de corrupção, o negacionismo presidencial e o atraso na compra das vacinas – fortaleceram a crença de boa parte da população de que o governo federal é incompetente, também, no quesito saúde. Aliás, todos os levantamentos de opinião pública, em especial o Datafolha de 07 e 08 de julho, mostram a perda de apoio ao presidente Bolsonaro – e trazem à tona perspectivas de despreparo, desonestidade, falsidade e autoritarismo como características dele.

As pesquisas de intenção de voto para 2022 vêm apontando uma estagnação dos números positivos de Jair Bolsonaro e um crescimento do ex-presidente Lula (PT). Não existe nada, também, por ora, que indique que haverá uma “terceira via” competitiva para o pleito – nem mesmo o ex-ministro e ex-juiz, Sérgio Moro (sem partido); o governador de São Paulo, João Dória (PSDB); o ex-governador do Ceará e ex-ministro, Ciro Gomes; ou o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM). O ex-presidente Lula, aliás, voltou a ser elegível nos meses de março e abril de 2021, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar da conjuntura desfavorável, Bolsonaro busca reforçar suas estratégias. A primeira delas é manter conexão com 20 a 25% do eleitorado, o que parece ser seu público mais fiel, independentemente de todas as críticas que recaem sobre ele. Para isso, ele usa as comunicações no “cercadinho” no entorno do Palácio do Planalto e também nas mídias e nas redes sociais, optando, prioritariamente, pela tática do confronto e das agressões verbais aos seus opositores – e até mesmo às instituições democráticas.

O caminho do controle das narrativas, muitas vezes investindo em notícias entrecortadas e na desinformação, mostra-se como a segunda principal estratégia usada pelo núcleo político do governo Bolsonaro. Dado representativo desse processo é a constante “campanha” pelo presidente pelo uso do voto impresso – e auditável – nas eleições. É uma forma de desacreditar, de forma deliberada, as urnas eletrônicas, que vêm funcionando com sucesso no Brasil desde 1996. É preciso lembrar que a maior parte das eleições vitoriosas das quais Bolsonaro participou aconteceu sob o signo da votação eletrônica.

Por fim, de certa forma acuado pela crise política gerada pelo próprio governo, Bolsonaro anunciou mudanças em seu ministério e reforçou sua proximidade com o chamado “Centrão”, grupo rechaçado pelo presidente em várias ocasiões. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) irá chefiar a Casa Civil – ministério que dispõe de grande orçamento –; Onyx Lorenzoni (DEM-RS) seguirá para o recriado Ministério do Trabalho – agora chamado de Ministério do Emprego e Previdência –; e o general Luiz Eduardo Ramos está no comando da Secretaria Gestão da gestão federal. 

Enquanto o país continua massacrado pela Covid-19 – já são quase 550 mil mortes –, com uma situação econômica preocupante e com grandes problemas sociais, as movimentações políticas de Jair Bolsonaro denotam seu plano original de se manter no poder a qualquer preço. 

Rodolfo Marques
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