Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

2 º turno em Belém tem duelo de ideologias e CMB renova metade de seus vereadores

Rodolfo Marques

Os votos apurados no domingo (15), no primeiro turno das eleições municipais, em Belém, trouxeram a consolidação de uma tendência que se mostrou mais forte na semana imediatamente anterior ao pleito: a migração dos votos de centro-direita para o delegado federal Everaldo Eguchi (Patriota), escolhido por pouco mais de 23% dos eleitores da capital paraense – considerando-se os votos válidos – para disputar o segundo turno com Edmilson Rodrigues, Psol. Edmilson, que liderou todo o pleito e as intenções de voto, teve pouco mais de 34% dos votos válidos (ou cerca de 245 mil em números absolutos).

Sobre as abstenções, os números chegaram a cerca de 21% do total de eleitores – números até quatro pontos percentuais acima da média local, considerando-se os últimos pleitos. Esse incremento de abstenções está ligado, a priori, ao um certo desencanto com a política partidária, ao contexto da pandemia de Covid-19 e às facilidades de se justificar a ausência do comparecimento às urnas. Caberá aos candidatos que permanecem no pleito a busca de parte desses votos, que podem ser decisivos nesta “segunda volta”, na qual há uma promessa de grande acirramento.

O segundo turno das eleições em Belém confirma uma polarização similar a que se viu em 2018, no Brasil. De um lado, Edmilson Rodrigues, um candidato de esquerda e que conseguiu montar um grupo de vários partidos em torno do seu nome e do seu vice – o professor Edilson Moura, do PT. Edmilson tenta usar a seu favor, também, o fato de ter presidido Belém entre os anos de 1997 e 2004, gerando um certo recall sobre obras e projetos e desenvolvidos por ele nesse período.

Em um espectro ideológico oposto, o delegado federal Everaldo Eguchi busca consolidar a tríade de conceitos – Deus, Pátria e Família – pregando o combate à corrupção e a manutenção dos valores conservadores, com um discurso de mudança no atual cenário em que Belém vive. Por essência, Eguchi se apresenta como um outsider – e, nesse contexto, de fato ele é.

No campo do Legislativo Municipal, os eleitores optaram em renovar em pouco mais de 50% a Câmara dos Vereadores. Dos 35 edis da atual legislatura, 17 voltam à Casa em 1º de janeiro de 2021. Alguns nomes conhecidos, como Zeca Pirão (MDB) – o mais votado, aliás –, Moa Moraes (PSDB), Mauro Freitas (PSDB) e Lulu das Comunidades (PTC) permanecem vereadores, enquanto que o Sargento Silvano (PSD) e Joaquim Campos (MDB), entre outros, não conseguiram a recondução ao cargo.

Por outro lado, o Psol conseguiu eleger duas mulheres jovens e negras – Vivi Reis e Lívia Duarte – e fechou sua trinca de vereadores com Fernando Carneiro. O PT apresenta uma nova liderança jovem – Beatriz Caminha, com apenas 21 anos. E o Republicanos apresenta o goleiro Vinícius, atual titular do Clube do Remo, que obteve quase 7 mil votos – oriundos basicamente a partir de torcedores azulinos.

Com a Câmara bastante renovada e definida, o belemense volta às urnas no dia 29 de novembro para escolher o seu próximo prefeito, que será o chefe do Executivo Municipal entre 2021 e 2024, com desafios hercúleos em pautas como a mobilidade urbana, o saneamento básico, a segurança pública e a coleta do lixo, entre outras tantas questões que coabitam a cidade com uma população sofrida e ansiosa por melhorais.

Rodolfo Marques
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