O dinheiro pode comprar quase tudo, menos as virtudes da prateleira ética Océlio de Morais 08.10.24 10h30 Desde que foi inventado – segundo registros históricos, há cerca de 2.000 a.C., para tornar fácil as trocas comerciais e possibilitar às pessoas a aquisição de bens ou serviços – o dinheiro tornou-se uma espécie de valor: trabalhar para garantir o sustento próprio e da família, trabalhar para obter bens e acumular riquezas, trabalhar para bem-viver, Nunca presenciei alguém e nunca ouvir falar que alguém tenha colocado o dinheiro em primeiro lugar como uma questão exclusivamente altruística – aquela conduta consciente e desinteressada de vantagens visíveis ou ocultas – embora sejam vários os exemplos de pessoas que doam com virtuosidade parte de suas riquezas para fins filantrópicos. Mas, podem observar, como regra geral, bem ampla mesmo: por sua típica natureza, o dinheiro pode comprar qualquer coisa ou quase tudo que é precificado no mercado das necessidades básicas ou das necessidades sugeridas. Qualquer pessoa com capacidade cognitiva saudável sabe disso. Quando penso que o dinheiro pode comprar qualquer coisa ou quase tudo que é precificado no mercado, também podem ser incluídas, nesse mercado das relações humanas, as negociatas, aqueles negócios nada transparentes ou negócios desonestos. Nesses casos, o dinheiro compra a dignidade, compra a honra e compra o decoro daqueles envolvidos nas negociatas – negociatas de quaisquer naturezas que se apresentem (às vezes às claras e às vezes subliminares) como vantajosas ou como se fossem uma espécie de “escambo político”. Quando o “escambo político” ocorre, a moeda da relação não é a boa ética; mas, sim, a moeda corrupta e corruptível, pois o dinheiro e o poder, que estão em jogo, podem comprar quase tudo. O dinheiro no “escambo político” – pelas vantagens materiais que são oferecidas a curto e a longo prazos – provoca um efeito devastador nas consciências dos envolvidos: uma espécie de letargia como ausência da ética virtuosa, caso em que todos os valores éticos são desconstruídos, precarizados ou relativizados. Nesses casos, criam-se narrativas éticas para serem massificadas. Mas narrativas sem a efetiva prática ética, não são nada, ou melhor, são apenas narrativas manipulatórias. Portanto, tem-se pelo menos duas formas de ganhar e de utilizar o dinheiro: de uma forma honesta e lícita, o modo que todos sabemos ser aquele que não causa sobressaltos e nem dores à consciência; logo, é a forma onde o suor do rosto possui o grau máximo de nobreza. Utiliza-se o dinheiro para o bem-estar, inclusive com compartilhamento fraternos e solidários. A outra forma é a desonesta e ilícita, aquela onde a artimanha não se preocupa como ganhar o dinheiro, tampouco se importa de onde vem (a origem) o dinheiro da negociata, exatamente porque os envolvidos demonstram não ter escrúpulos ou são destituídos da sem essência ética ou moral. Para a segunda hipótese – conseguir dinheiro de forma desonesta, também para utilização desonestas – é bem apropriada a advertência de Jesus, nas palavras do evangelista Mateus (16:26-) – "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" E também segundo o Evangelho relatado por Marcos (8:36-37): "E qual é o proveito que um homem tira se ele ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma?" A obtenção de dinheiro de forma desonesta gera desassossego à alma e, nessa condição, os envolvidos são pessoas que, geralmente, adotam à vida as estradas da avareza, da luxúria, da soberba, da inveja, da arrogância e da prepotência. Nesse tipo de vida, a alma não possui sossego, pois vive sobressaltada pelo aprisionamento das algemas de aço da própria estupidez humana que ignora os bons valores éticos. O dinheiro pode comprar quase tudo, é bem verdade. Mas, por exemplo, com ele não é possível comprar a honestidade, a esperança, o perdão, a caridade e o amor na prateleira de um supermercado, numa feira livre, num shopping ou nas relações sociais. As virtudes da honestidade, da esperança, do perdão, da caridade e do amor estão gratuitamente expostas (para levar e cultivar) nas prateleiras ou nas estantes éticas da vida. ATENÇÃO: Em observância à Lei 9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.; Instagram: oceliojcmoraisescritor Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas océlio de morais COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Océlio de Morais . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! 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