A antítese entre a ética espiritual virtuosa e a ética material cega não cessará? Océlio de Morais 14.05.24 9h14 A pessoa sábia – aquela que já aprendeu e tomou consciência de que as virtudes são a chave para uma vida sem dores de consciência e de atribuição de alma – valoriza mais as opções éticas e o crescimento espiritual da sua existência. A pessoa sábia – e não se confunde com as espertezas que acumulam riquezas materiais sem padrões éticos – não aceita (e mais do que isso, abomina) a corrupção do poder e do dinheiro, ainda que para justificar riquezas materiais momentâneas e passageiras. A corrupção ética – diz Richard White, na obra “Filósofos espirituais” – revela uma raiz sempre presentes no curso da vida de cada indivíduo: a vida egoísta e soberba, portanto, uma vida sem compaixão. Na antítese entre vida egoísta e a vida de compaixão, o filósofo inglês – professor Senior Group Leader, Nuffield Department of Medicine and Ludwig Cancer Research – identifica a natureza filosófica da existência individual. No fundo, então, White está nos falando da ética material e da ética espiritual, porque considera que “a compaixão é um impulso espiritual que atesta nossa conexão superior ou maior que transcende nossa vida egoística”. (Vozes, 2023,p. 44). Ao tratar do tema, embora não tenha feito nenhuma associação à obra “Sobre a brevidade da vida” , do filósofo Lúcio Anneo Sêneca, “O Moço” – filho de do filósofo Marco Anneo Sêneca (o Velho) – é possível correlacionar os dois pensamentos pela via da ética virtuosa, apontada como base da ética espiritual. Sêneca – conforme sua biografia nasceu no século 4 a.C e morreu no século 65 d.C – apresentou reflexões sobre a grandeza da alma alcançada através do exercício das virtudes, as quais conseguem neutralizar ou eliminar as fraquezas humanas. “Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano” escreveu Sêneca na edição de 2007, p. 30, publicada pela L&PM Pocket. Por outras palavras: trata-se da cegueira do espírito humano às virtudes. A antítese entre a ética espiritual e a ética material sempre foi debatida na história da humanidade, antes e depois depois da vida e morte do homem mais virtuoso, mais perfeito e mais puro espiritualmente que a humanidade já conheceu: Jesus Cristo, o profeta, o filósofo, o mestre dos mestres, o Divino superior que deseja sempre o bem aos nossos destinos. Na célebre parábola da moeda de César – “Dai a César o que e a Deus o que é de Deus” ( Mateus, 22: 15-22) – Jesus estabeleceu e legou à humanidade o limite ético entre as escolhas virtuosas (portanto, elevadoras da ética espiritual e da ética material atrelada à vida egoísta, à vida de usura e à vida de inveja, quando revelam como a perda da referência virtuosa. Nesta parábola, tão indispensável hoje como ontem, Jesus simplificou o caminho às escolhas virtuosas: a escolha ética espiritual, isto é, a opção pela honestidade, pela compaixão e pela fraternidade entre as pessoas. Por outro sentido, Jesus advertiu para a lei da causa e efeito. Veja-se no célebre Sermão da Montanha: “7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus (Mateus 5: 7-8). O budismo humanista e a doutrina Espírita, porque compreendem como Jesus que a ética espiritual é superior à ética material, também adotam a visão espiritual da lei da causa e efeito, apresentada pelo Bufdismo humanista como o princípio ético das leis inferiores de cada pessoa. De modo simplificado, isso quer dizer o seguinte: no curso da vida, a qualquer momento, todos os atos bons (virtuosos) e todos os atos maus (alimentados pela corrupção das coisas) produzem consequências ou efeitos. Sêneca observou, na obra já referida, que a vida é dividida em três períodos, para destacar a utilidade da vida humana: aquilo que foi, o que é e o que será” (p.49). E acrescentou, também como advertência:“Ninguém te devolverá aquele tempo passado, aquele tempo ninguém mais te fará voltar para ti próprio" (p. 44). Os choques entre a ética espiritual virtuosa e a ética material egoística sempre estará presente, enquanto o ser humano não compreender que é nas virtudes (honestidade, compaixão e fraternidade) que podem ser domados, neutralizamos eliminados os vícios da ética material cega do espírito humano (egoísmo, usura e inveja, que levam à ganância do dinheiro e do poder). À luz das escolhas virtuosas, sempre um novo dia está disponível para iniciar a luta contra as desvirtudes que afastam a compreensão da ética espiritual como ascese de vida. --------------- ATENÇÃO: Em observância à Lei 9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.; Instagram: @oceliojcmoraisescritor Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas océlio de morais COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Océlio de Morais . 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