Mais Liberal

Sob coordenação do Departamento de Marketing do Grupo Liberal, versa sobre os temas relacionados à economia, negócios, tecnologia, comportamento e áreas afins. Publicação aos domingos, terças e quintas. A coluna recebe sugestões pelo e-mail maisliberal@oliberal.com.br.

Papo Liberal com Cybele Ozório, FNO Emergencial e Facebook Shops

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Papo Liberal

Cybele Ozório (Arquivo pessoal)

A Mais Liberal conversou com Cybele Ozório, consultora de inovação em Governo e Desenvolvimento Social e ativista pelo enfrentamento do abuso sexual no Brasil. Ela falou sobre o tema, que esteve ainda mais em evidência nesta semana por conta da Campanha Nacional de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes. 

O que pode ser considerado um abuso sexual a crianças e adolescentes?
Abuso sexual é toda forma de relação ou jogo sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente com o objetivo de satisfação desse adulto e/ou de outros adultos. Pode acontecer por meio de ameaça física ou verbal, ou por manipulação/sedução. Na maioria dos casos, o abusador é uma pessoa conhecida da criança ou adolescente, geralmente familiares, vizinhos ou amigos da família. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o abuso sexual não acontece apenas com contato físico. Muitas vezes, se dá por meio de exibicionismo, assédio verbal, aliciamento e exposição à material pornográfico, por exemplo.

Por que é tão difícil para a vítima expor o abuso sofrido?
Existem alguns motivos pelos quais as vítimas têm dificuldade em contar sobre o abuso sofrido, especialmente quando elas são crianças. O primeiro deles é que elas têm muito mais dificuldade em identificar o abuso porque geralmente vem de alguém próximo, carinhoso e que cuida delas. Segundo, a maioria dos abusos não começa com violência, e sim com manipulação. E isso faz com que os jovens só percebam o que de fato está acontecendo quando já estão envolvidos em uma rede de vergonha de si mesmos e ameaças feitas pelo abusador. 

O medo da rejeição também é um motivo muito presente quando citamos as dificuldades de falar sobre um abuso, ainda mais quando o abusador é alguém muito respeitado ou querido no meio em que se vive. A vítima está sempre se perguntando: “Será que vão acreditar se eu falar? Será que vão ficar do meu lado? Será que vão me culpar? Será que foi culpa minha?...” São tantos “serás”, que a vítima passa um longo tempo avaliando se deve ou não contar, e o medo de perder o amor das pessoas ao redor é um grande empecilho.

As crianças e adolescentes que sofrem esta violência, normalmente, apresentam sinais comportamentais? Quais?
Sim, jovens que passaram por abuso mudam muito de comportamento e é importante prestar atenção aos sinais. Eles podem ficar mais agitados, irritados, agressivos. Podem também ficar mais apáticos ou tristes, desenvolver sinais de hipersexualização, deixarem de querer ir na casa daquele tio ou fugir da companhia de algum membro da família, pai, padrasto, primo, mãe... Enfim, crianças tendem a pedir ajuda de maneira não verbal e, por isso, é tão importante estar atento a qualquer mudança de comportamento, especialmente se ela for brusca e prolongada. Neste caso, é importante chamar a criança para uma conversa, de maneira privada e acolhedora, para que ela se sinta à vontade pra contar o que está acontecendo.

Na infância, você sofreu na pele o abuso sexual. Quando se sentiu preparada para falar sobre este assunto? Isso te motivou a ajudar outras pessoas?
Sofri abusos consecutivos dos oito aos nove anos por um primo bem mais velho e eu passei exatamente por esse ciclo do silêncio. Primeiro, não entendia o que estava acontecendo. Depois, tive vergonha e medo de ninguém acreditar em mim. Só consegui ter forças pra contar pra minha família aos 33 anos, 25 anos depois dos primeiros abusos terem começado. E, no meu processo de contar, antes de falar pra minha família, tinha um grupo de discussão sobre Direitos Humanos na internet e resolvi publicar a minha história pra perceber como as pessoas me veriam quando contasse. Pra minha surpresa, recebi 348 mensagens de pessoas que tinham sido abusadas e que ou não conseguiram falar a respeito ou levaram dez, 15 anos pra contar. Foi ai que percebi que algo estava muito errado, que, como vítima e sobretudo como cidadã, precisava fazer algo pra que essa realidade fosse mudada. Então, comecei a pesquisar e falar com as pessoas sobre o assunto e quanto mais conversava, mais eu percebia que ao meu redor, muita gente já tinha sido abusada e que isso não era incomum. Decidi, então, que esta seria minha causa de vida, que não sossegaria enquanto tivéssemos pessoas vulneráveis a este tipo de crime.

De que forma a ONG Como Contar auxilia crianças e adolescentes que foram abusados sexualmente?
Hoje, nós trabalhamos com prevenção e enfrentamento à violência sexual em ações divididas em três eixos: acolhimento, onde recebemos as histórias por meio de todos os nossos canais e fazemos uma escuta ativa e respeitosa do relato dessas vítimas; suporte, em que provemos e encaminhamos casos para advogados e psicólogos voluntários, para que essas vítimas sejam assistidas tanto no processo de denúncia quanto no tratamento do trauma; e informação, com a realização de palestras, rodas de conversa, relatórios, campanhas e outros materiais, a fim de disseminar informações sobre prevenção e combate ao abuso sexual.

Quando e como os pais devem começar a falar sobre este assunto com seus filhos?
Essa pergunta talvez seja a mais importante de todas. Informação e conhecimento são nossos maiores aliados no enfrentamento ao abuso sexual. A falta de diálogo e conhecimento é o que torna o ciclo do silêncio da criança mais difícil de ser quebrado. Portanto, é importante falar desde muito cedo. Existem ferramentas adequadas para cada momento e idade. Mas isso implica também em rever alguns comportamentos nossos como pais e mães, por exemplo: quando a gente exige que a criança dê um abraço em alguém contra a vontade dela, a gente está mandando a mensagem de que o corpo dela não é só dela e é mais importante agradar o outro do que respeitar seus limites. Há livros adequados a cada faixa etária, desde os dois anos, ensinando o que são as partes íntimas do corpo e que ninguém pode tocar, o que é o carinho bom e o carinho que machuca, como identificar situações potencialmente perigosas. É primordial que os pais façam estas leituras com as crianças e perguntem a cada etapa o que elas entenderam e abram espaço para o diálogo.

Em nosso perfil no @comocontar, é possível encontrar sugestões de livros para facilitar esta conversa. 

Outro recurso também é a música. Inclusive, no último dia 18 de maio, lançamos, em parceria com o projeto @ninguem.mexe.comigo, a música homônima "Ninguém mexe comigo", que usa recursos lúdicos para empoderar as crianças em reconhecer e contar se viverem uma situação de possível exposição ao abuso. Ou seja, é imprescindível iniciar a conversa com os jovens o quanto antes, de maneira respeitosa e com linguagem adequada a idade.

Que mensagem você deixa para a sociedade, em especial, para os responsáveis por crianças e adolescentes?
O Brasil atingiu índice epidêmico de abuso sexual em 2016. Mas relutamos em colocar esse assunto no centro da discussão social e é comum escutarmos a frase “Ai, nem me conta que fulano ou fulana foi abusado”. E essa é a questão. Quando a gente se recusa a olhar o problema, a gente se recusa também a criar soluções. Nenhum país tem condições de evoluir como nação se não cuidarmos dos nossos jovens. A proteção deles precisa ser uma responsabilidade de todos nós! Então, fica aqui o meu convite pra que as pessoas se engajem e busquem mais informações, para que sejam parte dessa rede para o fim do abuso sexual infantil. Nós na Como Contar estamos disponíveis para tirar dúvidas e auxiliar no que for preciso.

Aporte Financeiro

Em uma semana, o Banco da Amazônia liberou mais de R$ 58 milhões por meio do FNO Emergencial, beneficiando mais de mil empresas. Os recursos são destinados a pessoas jurídicas, preferencialmente microempreendedores individuais (MEI) e micro e pequenas empresas (MPE) que se encontram em dificuldades durante a pandemia. Ao todo, em 2020, já foram contratados R$ 3 bilhões em toda a Amazônia Legal.

Aporte Financeiro II

O FNO Emergencial é uma linha recém-criada voltada para setores do comércio, serviço e indústria. As empresas que fazem uso desse financiamento só começam a pagar em janeiro de 2021 e contam com uma taxa diferenciada de apenas 0,21% ao mês. A contratação pode ser feita pelo novo aplicativo para abertura de conta corrente e cadastro, o app Sua Conta BASA, inicialmente disponível na loja da Google Play. Mais informações em bancoamazonia.com.br

Facebook Shops

É a nova ferramenta lançada pelo Facebook para que as empresas divulguem seus produtos on-line. A rede social vê isso como uma oportunidade de trabalhar com milhões de empreendimentos no Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp, especialmente porque consumidores estão em casa e fazendo mais compras pela internet.

Facebook Shops II

A ferramenta é uma evolução dos serviços que o Facebook já oferecia para e-commerces. A diferença é que agora os perfis da loja nas diferentes redes sociais da companhia serão unificados, facilitando uma maior integração dos produtos catalogados e sua apresentação on-line. O Facebook também desenvolveu novos recursos de compra nas transmissões ao vivo no Instagram.

Novos médicos

O Centro Universitário Metropolitano da Amazônia – UNIFAMAZ formou, nos últimos dias 21 e 22, a primeira turma do seu curso de Medicina. Por conta do isolamento social, a outorga dos 69 novos médicos, que já poderão auxilar no combate à pandemia do novo coronavírus, foi realizada on-line. A entrega do diploma será no formato drive thru.

Por falar em Medicina, colou grau, na última quinta-feira, 21, Osias Pimenta Nunes Filho. Ele é filho do também médico Osias Nunes e de Heliana Moura. (Arquivo pessoal)

Pílulas Digitais 

Na Mais Liberal digital, Francy Rodrigues repercute as novidades anunciadas esta semana pelo Instagram. Não perca!

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