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Sob coordenação do Departamento de Marketing do Grupo Liberal, aborda os temas relacionados à economia, negócios, tecnologia, comportamento e áreas afins. Publicação aos domingos, terças e quintas. A coluna recebe sugestões pelo e-mail maisliberal@oliberal.com.br.

Papo Liberal com a jornalista Izabella Camargo e o projeto 'Vidas Importam'

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Papo Liberal

Jornalista Izabella Camargo (Bruna Veratti)

A Mais Liberal conversou com a jornalista Izabella Camargo, autora do bestseller "Dá um tempo! - Como encontrar limite em um mundo sem limites". Entre os destaques, a percepção do tempo, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e síndrome de Burnout. Confira!

Por que você decidiu lançar o livro? Como foi o processo de desenvolvimento?

Comecei a escrever o livro em 2017, depois de ouvir muitas pessoas me dizendo que o tempo estava passando muito rápido. Essas pessoas estavam muito estressadas, sempre cansadas, esgotadas e eu, como jornalista, fiquei encafifada, levantando questionamentos como: será que está acontecendo alguma coisa com a rotação da Terra? Será que o dia realmente não tem mais 24 horas? Esse foi meu ponto de partida para a estrutura do livro, para realmente buscar as respostas científicas. Aí começou uma grande jornada sobre o assunto tempo, que me deixa muito feliz em apresentar o conteúdo do livro porque a gente fala do tempo o tempo inteiro. Mas, dificilmente, pára para pensar o que está fazendo com o próprio tempo. Na verdade, por trás dessa percepção de que ele está passando mais rápido, existe realmente uma certa ganância nossa em querer fazer muito mais coisas dentro do próprio tempo. A tecnologia, a informação e os transportes contribuem para isso.

Em suas palestras, você aborda a gestão do tempo. Existe uma fórmula para manter o equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e saúde?

Não existe uma fórmula mágica para a gente equilibrar a vida pessoal e a profissional.  Existem escolhas. O que te conduz para o equilíbrio é a tomada de consciência das consequências do que fazemos com o próprio tempo. Com o trabalho, com o nosso tempo pessoal - o tempo de autocuidado - e o tempo de convívio, de relacionamentos. O que proponho no livro é que você pare um pouquinho e perceba quantas horas você está se dedicando ao trabalho e quantas horas você está conseguindo ter para você e para sua família, ou seja, para a sua vida além do trabalho. O grande perigo é quando a gente coloca o trabalho como a nossa vida. Ai qualquer coisa que aconteça no trabalho vai parecer o fim da linha. Mas, pode não ser, se ficar evidente que o trabalho é só uma passagem e tem ciclos. Mas aí são as experiências, a maturidade vão validando essas escolhas.

Há um ano, as pessoas, de forma geral, passaram a ter um contato maior com o home office e muitas ainda têm dificuldade em dosar o momento de trabalho com as demandas pessoais. Quais os principais erros?

Pelo que vejo, a grande dificuldade no home office é a falta de organização e nossa "ainda" inabilidade em atualizar a identidade, que é uma das saídas que eu proponho também no livro. Para você viver um tempo de qualidade, em pandemia ou não, você precisa atualizar a própria identidade. Isso é aceitar o contexto atual, as características e as condições que você tem hoje pra viver da melhor maneira possível, sem ilusões e insatisfações. Então, neste home office muitas pessoas estão se vendo obrigadas a delinear uma nova rotina, estabelecer limites, experimentar novos modelos de relacionamento dentro de casa. Tudo isso é muito novo porque, se antes estávamos cumprindo um horário de saída, por exemplo, por conta de trânsito, hoje isso para algumas pessoas não existe mais. Mas com trabalho e casa no mesmo lugar, é preciso recomeçar, reoganizar tudo. Quando a gente trabalha fora de casa, todo mundo tem que falar a mesma língua, cumprir regras, respeitar limites, não tem? A gente também precisa fazer isso dentro de casa.

No final da produção do livro, você descobriu que estava com a síndrome de Burnout. Como foi para enxergar isso?

Costumo dizer que ganhei uma validação de Deus, com a síndrome de Burnout, para falar sobre as percepções do tempo, porque eu acabei tendo diagnóstico em 2018, ou seja, o livro já estava em mais da metade, evoluindo. E vivi a experiência com o esgotamento profissional, pelo excesso de trabalho, por longos períodos... É quando o seu corpo diz "chega, nesse ritmo não dá". Então, é interessante porque se eu começo a escrever um livro para falar especialmente com as pessoas que estavam cansadas, esgotadas, estressadas, por conta desses novos tempos, em que nós temos uma tecnologia disponível integralmente e tudo mais, eu vivi na pele o que esses tempos corridos e estressados podem fazer na nossa mente. Foi uma experiência muito dolorida para mim, porque tive que me afastar de um ambiente, um trabalho que eu amava fazer. Isso é muito ruim.

Como identificar os esgotamentos físico e emocional no trabalho? O que fazer?

Identificar os sintomas do esgotamento é a mesma coisa que você sentir o cheiro da chuva. Sabe quando tá para chegar a chuva... A gente sente um cheiro no ar. Aí, se você está para sair de casa e você não fecha a janela, se você voltar e a casa tiver molhada... É a mesma coisa com o Burnout. Você vai recebendo mensagens do seu corpo, vai percebendo alguns sinais, mas acha que não vai dar nada, porque a gente tem essa grande ilusão de achar que nunca nada vai nos acontecer. Mas, conforme o tempo passa - e por isso eu insisto muito na atualização de identidade -, nosso corpo vai exigindo cuidados diferentes. Então, não adianta só sentir o cheiro da chuva. Você tem que fechar a janela para não molhar a casa. Não adianta você só tomar remédios para tratar as suas dores individualmente, tem de buscar ajuda com algum especialista que te veja como uma pessoa, não como uma uma doença, para entender muitos elementos que estão compondo aquele quadro cheio de dores, de doenças, que foi o meu caso. Eu tive 28 problemas de saúde e isso é muito normal em quem tem o esgotamento profissional. Você vai acumulando dores, que costumo chamar de mensageiras, pedindo para que você volte para o seu equilíbrio, porque a dor, a doença, o esgotamento, nada mais é do que você em total desequilíbrio. Mas, assim como brinquei com o cheiro da chuva, os sinais que a gente precisa observar são as dores frequentes e constantes, que você vai enchendo a nécessaire cada vez com mais remédios. Então, muita atenção a dor de cabeça frequente, dor no estômago, problema no intestino, inchaço nas pernas, mancha na pele, queda de cabelo, bruxismo, problemas menstruais, ou seja, tudo que está te deixando em desequilíbrio. Tudo isso acumulado por muito tempo pode te levar ao esgotamento.

O que mudou na sua vida depois que encarou este problema?

Aprendi a colocar limites e a dizer não para mais trabalho. Daí vem, inclusive, o título do livro "Como encontrar limite em um mundo se limites". O meu aprendizado, e que tento transmitir no livro, é que, se nós não atualizarmos a nossa identidade, reconhecermos as nossas características atuais, a gente vive uma ilusão, querendo fazer uma agenda de hoje com as características do passado. E isso pode te levar não só a um esgotamento profissional, mas a outros problemas de saúde. Hoje as minhas horas de sono são sagradas. Defendo elas com unhas e dentes, porque sei que, se a gente não dorme bem, não vive bem. Por mais que você ame o que você faça, é preciso se incluir na própria agenda! É incluir e defender o que é essencial, que é o que eu chamo de autocuidado, aquilo que só você pode fazer por você.

O cenário pandêmico tem mexido com a cabeça de muitas pessoas. Que mensagem você deixa para elas?

A mensagem que eu deixo é, de novo, a seguinte: a gente fala de tempo o tempo inteiro, mas dificilmente pára pra pensar no tempo na nossa finitude. Então, o que sugiro é um pouquinho de pausa para que você perceba que é preciso desacelerar para continuar acelerando. Dê um tempo, revise as crenças que te trouxeram até aqui e entenda que, neste mundo corrido, competitivo, ultraveloz tecnológico que estamos vivendo, tudo isso vai continuar. Então, cada um precisa encontrar dentro do seu tempo um pouquinho de tempo para se cuidar, porque senão pode acontecer não só o Burnout, mas outros problemas de saúde relacionados à essa falta de compreensão do tempo.

NOTAS:

“Vidas Que Importam”

É o nome do projeto implantado nos hospitais  Metropolitano e de Campanha do Hangar, com o intuito de acolher e prestar assistência aos profissionais da saúde das duas unidades. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55% de quem trabalha na linha de frente da pandemia foram infectados pelo novo coronavírus. Os dados são de novembro de 2020. Além do atendimento dos sintomas iniciais da doença, a ação contempla medidas voltadas ao bem-estar psicológico e emocional.

Audiovisual

Abertas, até o próximo dia 30, e gratuitas as inscrições para a “I Mostra Novíssimo Cinema Paraense”, que vai selecionar e premiar curtas-metragens e videoclipes dos gêneros ficção, documentário e animação. Uma comissão de residentes e atuantes no mercado audiovisual paraense irá avaliar os trabalhos. As produções contempladas serão conhecidas, via redes sociais da mostra, até 10 de abril e exibidas no período de 21 a 25 de abril, no canal do YouTube. O regulamento completo e o formulário de inscrição podem ser encontrados em 

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