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Mais Liberal

Sob coordenação do Departamento de Marketing do Grupo Liberal, aborda os temas relacionados à economia, negócios, tecnologia, comportamento e áreas afins. Publicação aos domingos, terças e quintas. A coluna recebe sugestões pelo e-mail maisliberal@oliberal.com.br.

Papo Liberal com a jornalista Ana Paula Araújo e as novidades no segmento da comunicação

Mais Liberal

Papo Liberal 

Ana Paula Araújo (Leo Aversa)

A Mais Liberal conversou a jornalista Ana Paula Araújo, autora do livro "Abuso - A Cultura do Estupro no Brasil", sobre a importância em se falar sobre o tema e os desafios enfrentados durante as pesquisas.  

O que a levou a escrever um livro sobre abuso no país? Como foi o processo de pesquisa?
Continuei com meu trabalho normalmente na TV. Então, para conseguir viajar pelo Brasil, tive que concentrar a maior parte das entrevistas nos fins de semana de folga e feriados. Partes das férias também foi investida no projeto. Em lugares menos distantes, cheguei a fazer ida e volta no mesmo dia. Foi cansativo física e, também, psicologicamente, porque eram entrevistas sempre muito pesadas e quase não tive tempo de respirar entre uma e outra. Mas valeu a pena. Acho que consegui cumprir o que me propus: traçar um retrato da violência sexual pelo Brasil, levantar o debate, esclarecer sobre os direitos das vítimas e trazer caminhos sobre como podemos ao menos melhorar essa realidade. 

Quais foram os maiores desafios?
Vários casos me tocaram profundamente. Viajei pelo Brasil e lembro de chorar muito nos hotéis onde fiquei, na volta das entrevistas. Concluir que a maior parte das vítimas são menores de idade foi um baque. Não esperava ter que falar de abuso sexual contra crianças. Achei que era outra questão. Mas elas são as principais vítimas.  E não por um surto de pedofilia, que é um distúrbio psiquiátrico relativamente raro. A maioria dos abusadores de criança não sofre de nenhum transtorno mental que possa, inclusive, servir de atenuante. São simplesmente criminosos covardes que se aproveitam da vítima mais fraca, mais fácil de dominar, seduzir e ameaçar, e que normalmente estão dentro de casa.  

De que forma essa experiência afetou sua vida e seu emocional?
Tive que voltar pra terapia. Foi muito duro dar de cara com minhas próprias lembranças e perceber como o abuso sexual, ou a ameaça dele, influencia a vida de todas nós, mulheres. Como passamos a vida fugindo de abusadores, o medo constante, a impotência mesmo diante dos ataques menos graves, dentro do transporte público, por exemplo. Por isso, resolvi escrever o livro. Porque chega.

Com base em toda sua pesquisa e tantos outros casos noticiados diariamente, quais as constatações sobre o abuso no Brasil?
Não conheço uma mulher que não tenha passado por uma história de abuso sexual, seja mais ou menos grave. Piadinhas absurdas e assédio no transporte público, por exemplo, são algo que todas nós conhecemos bem. Podem parecer pouco, mas fazem parte de uma cultura de desvalorização da mulher, que também está por trás dos casos mais graves de estupro. Precisamos em definitivo nos unir e falar sobre isso. Conhecimento, discussão e informação são a base para qualquer mudança. Quis deixar minha contribuição para todas nós e para as gerações futuras, como a da minha filha.  

Qual a sua percepção em relação ao julgamento do caso Mari Ferrer?
O que se espera e deve ser cobrado das nossas autoridades em todas as esferas é a total intolerância com o crime e com o desrespeito. Nossa cultura é extremamente machista. Temos um conjunto de pensamentos e atitudes entranhados que acabaram criando uma sociedade onde a violência sexual é normalizada. Inclui ideias equivocadas, como a de que a vítima pediu, de que homem é assim mesmo, que não é tão grave assim, de que é fácil esquecer. É reflexo de uma cultura que dita que o homem é superior, mais importante, que o desejo dele é que tem que ser levado em conta sempre. Começa desde cedo, quando ensinamos que meninos são fortes e meninas são delicadas, que meninos devem ser agressivos e meninas ficam na retaguarda deles, que tarefas de casa e filhos são função só das mulheres. Essa educação tem que chegar com urgência. E isso se reflete não só no alto número de casos, mas, também, no desamparo das vítimas. Por medo, culpa ou vergonha, 90% delas não denunciam. A minoria que denuncia sai quase sempre sem a punição do culpado, seja pela investigação policial malfeita ou inexistente, seja pela justiça que muitas vezes desconfia da vítima e não tem sensibilidade para compreender a dificuldade em recolher provas nesse tipo de crime. Sem punição e sem uma educação que combata a violência de gênero, não há solução. 

Você já tem um novo projeto que abordará a violência doméstica. Por que a escolha do tema?
Mais uma vez, quero discutir a desigualdade de gênero. Cresci nesse contexto e, volta e meia, ainda me dou conta de momentos e maneiras diferentes em que fui prejudicada ou vitimada só por ser mulher. Quero ajudar a mudar isso.  

Que mensagem você deixa?
Esse movimento de união e acolhimento entre as mulheres é muito importante. Venho sendo procurada por muita gente que foi vítima de abuso sexual, de todos os tipos. Inclusive pessoas próximas que nunca ou pouco tinham conseguido falar sobre o assunto. Só reforça a necessidade de colocar esse tema em debate. Cada vítima que for ajudada pelo livro já vai ser uma alegria enorme pra mim.

Liberal Live Talks

Vem aí a quarta edição do projeto que dialoga com a sociedade as tendências e novidades no segmento da comunicação. Será na próxima quinta, 04,  às 19h, em OLiberal.com. Os convidados Carlos Namur, diretor de Mercado Nacional; Aline Viana, diretora de Mercado (ambos do Grupo Liberal); e Hiram Borali, gerente geral Comercial da Folha de S.Paulo e professor da FGV/SP debaterão o tema “Jornal: a credibilidade de sempre, agora em múltiplas janelas. A mediação será de Rodrigo Vieira, diretor de Marketing do Grupo Liberal.

Doação de Sangue Solidária

É a ação realizada pela Unama, unidade Parque Shopping, em parceria com a Fundação Hemopa. A mobilização será realizada entre os dias 9 e 10 de março, de 8h às 17h, por meio de uma estrutura de coleta que será montada na instituição. A meta principal é atingir 150 bolsas de sangue provenientes de alunos, funcionários e visitantes, para atender as necessidades do hemocentro.

”Raio-x da Promoção 2021

É o nome da pesquisa realizada pelo Portal da Promo com mais de 2.300 consumidores brasileiros. Entre os gatilhos, o forte apelo das promoções “compre e ganhe” e a forma de participação: 57% se engajam em promoções muito fáceis; 31% aderem porque conhecem as marcas; e apenas 13% vão pelo alto valor dos prêmios.

Hábitos no pós-pandemia

Datafolha e Globo realizaram uma pesquisa para tentar compreender as ideias e estilos de vida e de pensamento que irão pautar a sociedade brasileira quando a pandemia passar. Entre os insights revelados, os de que a adoção de práticas saudáveis, o maior uso de serviços digitais e a diversificação da fonte de renda deverão prevalecer.

Oportunidade

A previsão de oferta de estágio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/PA), um dos braços do Conselho Nacional das Indústrias (CNI), para este ano é de 3 mil vagas no Pará. Nos últimos 12 meses, a instituição fechou parceria com quase 100 novas empresas, com disponibilidade de posições  para o Ensino Médio. Para se cadastrar, basta acessar o endereço sitedoestagio.com.br/aluno. As vagas são divulgadas no perfil @ielparaoficial, no Instagram. Mais informações em (91) 4009-4700.

Mídia digital

Estudo da Enext, empresa do grupo WPP especializada em soluções para negócios digitais, prevê crescimento de 550% no investimento de publicidade nos marketplaces brasileiros até 2023. A receita total chegará à R$ 2,6 bilhões. Segundo análise, o resultado é bem acima dos números alcançados no ano passado, quando foram aplicados R$ 400 milhões em ações de marketing neste canal.

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