Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Uma estrela a resgatar

Linomar Bahia

A nova discriminação dos paraenses, com a destinação de doses de vacina em total descompasso com a equidade nacional e a proporcionalidade em relação à população, item em que o Pará ocupa o oitavo lugar entre as 27 unidades, expõe, mais uma vez, a decadência da expressão política do Estado no contexto nacional. O governador Helder  Barbalho tem se esforçado para penetrar no círculo fechado e dominado pelo centro-sul, com algumas exceções do nordeste, buscando superar restrições, que nos colocam na rabeira das ações federais em detrimento das carências regionais.

Retroagindo no tempo e nas variações político-administrativas nas relações federativas, vamos encontrar uma época em que os nomes de parlamentares e equipes de governos estavam na ponta da língua. Nos últimos anos, poucos seriam capazes de recitar, de bate-e-pronto, quem são os três senadores, muito menos os 17 deputados federais, pior ainda, algum dos 41 estaduais. Em tempos recentes, as composições partidárias têm elegido candidatos pouco conhecidos, dificultando inclusive as relações protocolares  na operacionalidade dos cerimoniais.

Uma das consequências dessa crise de representatividade e de influência nas ações e decisões federais, fica evidente, como agora, nas vacinas, a despeito da forte presença paraense na economia nacional. Temos sido preteridos na execução de projetos e ocupação de cargos no Estado. Foi exemplar o desvio da ferrovia de Carajás para o porto maranhense de Itaqui, quando Vila do Conde, em Barcarena fica cerca de 200 quilômetros mais perto. Ainda inventaram a "Amazônia Legal", para permitir que Estados fora da geografia regional também usufruírem da Amazônia real. 

Há, isolada, acima do dístico "Ordem e Progresso" da bandeira nacional, a estrela que representa o Estado do Pará na constelação da República Federativa do Brasil, simbolizando a fidelidade à coroa portuguesa e consequente resistência em aderir à República, ocorrida quase um ano após a proclamação. Quem melhor encarnou a reação paraense à discriminação foi o saudoso governador Hélio Gueiros, impedindo o fechamento do Banpará e não permitindo depositassem rejeitos nucleares na Serra do Cachimbo, ameaçando devolver no quintal do então presidente Sarney.

São ocorrências significativas, que contribuem para um Estado rico de um povo pobre e sem perspectivas de avanços econômicos. Para lustrar a estrela solitária e restaurar o brilho do Pará no firmamento nacional, vale lembrar as riquezas em recursos naturais, liderados por Carajás, a maior mina a céu aberto do planeta. Concentramos 80% da bauxita, 77% do cobre, 43% do caulim, 36% do manganês e 14,8% do ouro. Possuímos o terceiro maior rebanho de bois e bubalinos, Tucurui é a maior hidrelétrica inteiramente nacional, a que se acrescentam “Belo Monte” e outras 11 em construção.

Argumentos não faltam para que falemos alto e grosso contra os frequentes constrangimentos a que temos sido submetidos. Segundo o Banco Central, estamos entre os primeiros na balança comercial, produzindo divisas líquidas para o país, numa proporção em torno de um para cada 10 dólares. Mas sofremos sangrias, do que o exemplo mais flagrante são os bilhões das renúncias fiscais, decorrentes da “Lei Kandir”.  Especialistas em políticas econômicas e desenvolvimento humano pregam a necessidade de inverter a perversa equação das riquezas naturais às custas do empobrecimento do Estado.

Linomar Bahia
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