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LINOMAR BAHIA

linomarbahiajor@gmail.com

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários.

Tempos e costumes

Linomar Bahia

Já se vão mais de dois mil anos, desde que o grande orador Marco Túlio Cícero proferiu, no senado romano, a célebre frase interrogativa "O tempora! O mores!”, traduzida, numa versão aportuguesada como "Oh tempos! Oh costumes!", complementada pela referência "até quando seremos forçados a viver tempos deploráveis? Compõe as célebres Catilinárias, os quatro discursos acusatórios por más práticas, atribuídas ao senador Lúcio Sérgio Catilina, envolvendo atos de corrupção e  participação em movimentos de conspiração, contra os que governavam a Roma de então, culminando com a expulsão do acusado e seus seguidores para outras terras.

Vivemos variações sobre o mesmo tema, nas repetitivas e enfadonhas perguntas e respostas em CPIs e nas inovações criminais por injúria e discriminação racial, social ou de gênero. Remetem aquele episódio na Roma milenar, personificado pelo inescrupuloso Lúcio Sérgio Catilina (108-62ª.C), em sua obsessão para derrubar o governo, com o objetivo de se apossar do exercício e das benesses do poder, aqui e ali contestado por eventuais reencarnações de Cícero, naqueles pronunciamentos devastadores, no ano de 63 antes de Cristo. O sentido das palavras, adaptado às circunstâncias, ganha similitude com o que ocorre nestes tempos da atualidade.

Suas palavras soariam atuais aos muitos movimentos, a pretexto do  interesse público, enquanto escondem as verdadeiras intenções oportunistas. Arriscam desafiar a paciência do país, situação em que as "Catilinárias" diriam: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna  da cidade, nem o temor do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?”

Embora motivado por outras razões, o famoso questionamento de Cícero sobre os tempos e os costumes, pode ser aplicado em situações e personagens incrivelmente semelhantes nos tempos atuais, quando o ativismo de segmentos organizados da sociedade tem impingido ao mundo restrições e criminalização de palavras e comportamentos. Afetam instituições de todas as vertentes e reverberam notadamente através  de canais de influências ideológicas, transformando em atos discriminatórios e até criminais, referências e denominações que antes eram corriqueiras e geralmente amistosas, em cumprimentos e menções carinhosas.

Novas esperanças se abriram com a “redemocratização”, frustradas com a volta dos maus costumes da velha política e seus atores,. Pelo andar dos patrulhamentos e exescandalização de palavras e de tratamentos, que eram considerados manifestações de consideração e apreço, os novos tempos e costumes arrisca ser transformado em crime de assédio e racismo, o simples fato de oferecer assento a uma senhora, chamar a esposa ou alguma amiga de "meu bem" e, mesmo, de pedir numa doceteria uma fatia do doce "nega maluca", permitindo imaginar como seria classificado Vinícius de Morais por ter poetizado "que me perdoem as feias, mas a beleza é fundamental ..."

Linomar Bahia
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