Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Sentenças eternas

Linomar Bahia

Antes que se imaginasse fosse deflagrada, algum dia, uma operação contra ladrões do colarinho branco tipo lava-jato, no Rio de Janeiro um auditor fiscal foi flagrado em desvios de conduta ética e banido da função pública. Seria o primeiro sinal de que algo poderia estar mudando, no comportamento da sociedade de um país, que já parecia acostumado a ser saqueado, desde que os descobridores exploraram e remeteram a Portugal quanto puderam das riquezas naturais da terra descoberta, principalmente toneladas do ouro extraído das Minas Gerais.

Vieram os tempos posteriores, com as ladroagens à boca dos caixas públicos, enriquecendo políticos, gestores públicos e empresários privados, à custa da miséria cada vez maior e das carências em segurança, educação saúde e saneamento básico da população. Como nada acontecia, o Brasil ganhou a triste fama mundial, sob o rótulo de “país da impunidade”, por isso atraindo ladrões internacionais, contrabandistas e traficantes de drogas e biodiversidades, livres, leves e soltos, retratado até em filmes degradantes para a imagem dos brasileiros.

Tamanha a experiência negativa, dificilmente sinalizaria o que viria pouco tempo depois, embora o episódio de corrupção envolvendo o auditor fiscal relembrasse o adágio de que o crime nem sempre compensa. A repercussão no ambiente familiar e nos círculos de relações pessoais foi tão  devastadora, que o acusado tentou se transformar em outra pessoa, tentando inclusive trocar de nome, sem conseguir, assim também condenado a carregar, para sempre, o estigma de corrupto, contaminando atuais e futuros descendentes.

Trazendo essa memória para os dias de hoje, há uma lista robusta e em acelerado crescimento, dos quantos estão condenados à mesma sentença desmoralizante, numa espécie de DNA negativo, incidente sobre as vindouras gerações. Passam a formar contingente de pessoas moralmente execráveis, praticantes de ações e de decisões que, com ou sem fundamentos, contrariaram os anseios coletivos e conceitos inerentes à honra e ao caráter, bens que considerável parcela da coletividade cultua e reclama, principalmente na vida pública.

Conceitos religiosos rezam que a justiça dos homens pode falhar, mas a justiça Divina é infalível, interpretado à luz da reflexão de que, presos e soltos, julgadores e julgamentos poderão desfrutar da glória ou purgar as penitências dos pecadores perante os preceitos que dignificam ou condenam pelas palavras, atos e obras praticados ou permitidos. Em consequência, pouco importam as soluções nem os destinos de cada qual, porquanto a ninguém será possível escapar ao juízo e à repugnância dos puros e de bons costumes.

Uma incursão pela dosagem para cada grau dos níveis, preconizada no "Inferno de Dante", induz a especular sobre o julgamento dos personagens arrolados nas práticas corruptas destes anos de lava-jato. Presos ou soltos, já estão mergulhados no purgatório como “mortos-vivos” ou “vivos-mortos”, na balança do juízo final, desfavorecidos peso maior dos males causados aos que têm por eles surrupiados os recursos que lhes faltam, por isso liminarmente condenados a arderem no fogo das sentenças eternas e irrecorríveis.

Linomar Bahia
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