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LINOMAR BAHIA

linomarbahiajor@gmail.com

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários.

Reina um silêncio ensurdecedor

Linomar Bahia

Todas a semanas, recebo inúmeros e-mails de aprovação a estes artigos dominicais, o que me indica estar interpretando os  pensamentos gerais. Alguns sugerem temas que consideram necessários e vou aproveitando quando se oportunizam. Mas o texto "Onde estão vocês?", do último dia 7 de novembro corrente, bateu todos os recordes de repercussão, demonstrando a surpresa e inquietação dos brasileiros com a passividade da tal "sociedade civil organizada" diante das barbaridades institucionais que vêm sendo praticadas, usando a Constituição como escudo, até para violar seus dispositivos mais sagrados.

Algumas entidades são lembradas por notórias nas vociferações sobre tudo e sobre todos, preferencialmente em "notas de repúdio" e reações belicosas adequadas ao interesse político e ideológico que cultivam. Há menções à omissão dos órgãos públicos de fiscalização e controle, também pontificando acusações de leniência de entidades que se dizem preocupadas em defender os "direitos humanos", mas ignoram as reincidências desumanas, e as agressões às "liberdades democráticas", enquanto se proíbem que sejam livremente exercidas, em atos e práticas policialescas, nem por isso contestados. 

Enquanto reina um silêncio ensurdecedor das vozes ocasionalmente barulhentas, continuam as violações à livre manifestação de pensamento e à faculdade individual de "ir-e-vir" que o texto constitucional consigna e deveriam ser preservados. Vem à mente, trecho da carta de Martin Luther King, na primavera de 1963, na prisão de Birmingham, no Alabama, pela campanha contra a segregação racial. Escreveu que "Teremos de nos arrepender, nesta geração, não somente das palavras e ações odiáveis das pessoas más, mas também do silêncio espantoso das pessoas boas". Ou, como tal, consideradas.

Às vésperas dos 73 anos da "Declaração Universal dos Direitos Humanos", adotada pela ONU em 10 de dezembro de 1948 e incorporada às "Leis Magnas" dos países efetivamente democráticos, os brasileiros os vêem esses direitos sistematicamente violados, por atos e práticas, mascarados pelo pretexto de proteger a democracia que violam. Cabe rememorar a preocupação do pastor luterano alemão Martin Niemöller, (1892-1984), em sua cruzada anti-nazista, ao tempo da segunda guerra mundial, criticando a indiferença para com o outro, a covardia, a neutralidade e a omissão da maioria silenciosa.

Essas palavras foram publicadas em quase todas as línguas, com o título de ”E não sobrou ninguém“, descrevendo que "Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei./ No dia seguinte, vieram e levaram meu outro, que era comunista. / Como não sou comunista, não me incomodei. / No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. / Como não sou católico, não me incomodei. / No quarto dia, vieram e me levaram. / Já não havia mais ninguém para reclamar... " Pelo sim, pelo não, fiquemos "sempre alertas", como bons escoteiros das liberdades ameaçadas.

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Linomar Bahia
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