Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Para todos os gostos

Linomar Bahia

Está inteiramente equivocado quem se deixa restringir à visão generalizada de que o Brasil é um país multiracial, considerando somente os tipos humanos submetidos à classificação antropológica, baseada nos fundamentos em que repousam os requisitos etnicos, sintetizados na definição pela "coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural, refletida principalmente na língua, religião e maneiras de agir". Há uma multiplicidade de fatores e ocorrências, em permanente multiplicação e mutação, ao sabor das conveniências e circunstâncias de cada momento e conformidade com os interesses, gerando novos e pontuais epitáfios, que alimentam a continuada coleção das rotulagens de que somos capazes, muitas contribuindo para o anedotário cultural e social do país, em não raras ocasiões levando ao ridículo ao permitirem avaliações desairosas a nosso respeito.

Textos satíricos, publicados na mídia impressa e transformados em representações cênicas de humor, há muito tempo cunharam que o Brasil é o país da piada pronta, manchando declarações de autoridades, manifestações de políticos, projetos, leis e interminável lista de pronunciamentos, que não levam a nada, por serem absurdos  pelo caráter anedótico. É atribuída a Delfin Neto o comentário de que, se o  Brasil comprasse um circo, até o anão seria capaz de crescer. Proferida pelo então embaixador brasileiro na França, mas erroneamente atribuída ao então presidente francês Charles  de Gaulle, a frase "O Brasil não é um país sério" costuma ser repetida internacionalmente, desde que, na chamada "Guerra da Lagosta" nos anos 1960, o governo brasileiro reivindicou o mar onde pescavam o crustáceo, ridicularizado pelos jornais franceses com a pergunta "se a lagosta nadava ou andava.

No Brasil de sempre, há situações para todos os gostos, inclusive em tempo de crises, utilizadas mais como pretextos para tirar vantagens do que a busca de soluções, condicionadas à prevalência dos interesses pessoais e corporativos. Agora mesmo, cada grupo público e privado envolvido, exerce a opção preferencial pelo que melhor lhe convém, sem que se privilegie as formas e recursos para combater o coronavirus e se pouparem os milhares de vidas ceifadas diariamente. A pandemia tem ficado longe das preocupações e manifestações, que deveriam ser a prioridade absoluta, mas tem servido principalmente como palanque para pretensões eleitorais. Justificam com quanto pode resultar, tanto em tudo como em quase nada, comprometendo a seriedade ao não solucionar o problema da mortalidade, noves fora a corrupção pelos inspiradores do bordão "o povo que se exploda"  do "Justo Veríssimo".

Continuamos exercendo a famosa criatividade brasileira, ao acrescentar novos jargões, expressões e epítetos pejorativos, para designar cada situação que se apresenta, não raro zombando da própria má sorte que rotineiramente se abate sobre os mais carentes. Como se não bastasse, o espírito de imitação prossegue reverberando palavras da moda, nem sempre adequadas aos fins para os quais são utilizadas. "Empoderamento", "coach", "influencer" e assemelhados, são comuns em milhares de bocas até que novas surjam, a exemplo da palavra "protocolo", presente entre dez de dez falas sobre alguma ação obrigatória, geralmente sem compromisso com a definição do substantivo masculino como "ata, nota ou registro dos documentos governamentais, dos atos oficiais, da correspondência, etc", coisas que demonstram que, infelizmente, o Brasil não faz questão de ser um país sério.

Linomar Bahia
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