Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Pandemia de coincidências

Linomar Bahia

Tenho corrido o risco de publicar palpites e opiniões errados, no que teria ao menos o consolo de formar fileira com um número interminável e crescente de articulistas, comentaristas, pesquisadores e palpiteiros contumazes em bolas fora. Mas tenho, ao menos, a ousadia de levantar a bola para as fundadas suspeitas, provocadas pelas coincidências que, tão evidentes, autorizam a que se duvide possam ser, efetivamente, meras coincidências, inseridas no universo daquelas ocorrências em que a verdade é tão fantástica que fica difícil de acreditar.

Quem me confere o privilégio da leitura destes artigos dominicais, estimando sejam ao menos idêntico aqueles sete que o "seu colega" Joaquim Antunes dizia serem os fiéis assistentes do legendário "Bolso do Repórter", audiência obrigatória dos tempos de outrora da televisão paraense, acompanhou alguns dos textos publicados neste período de ações e reações ao "novo coronavírus". Aventaram hipóteses envolvendo os mesmos interesses, especializados em transformar tragédias humanas em fontes de ganhos financeiros e promoções pessoais.

Sem pretender ser pitonisa, nem arvorar profecias, mas baseado na experiência de crises e processos semelhantes aos que o mundo ora enfrenta, alguns dos artigos que escrevi nestes tempos de isolamento abordaram situações que poderiam ser, ou têm sido confirmados pela realidade. Recorri ao célebre diálogo de ficção entre Sherlock Holmes e o auxiliar Watson sobre "a quem interessa o crime", para desvendar os delitos. Em "Outros lados da moeda", referi aos que só lucram com a desgraça alheia, por isso torcendo pelo "quanto pior, melhor'. 

São os mesmos apologistas do caos e industriais das soluções. Fomentam as guerras, para venda de armas e munições, pouco lhes importando o sacrifício de vidas humanas e sofrimentos coletivos, também fontes de rendas depois, nos reparos aos danos que causaram. São manipuladores de bolsas de valores, beneficiados pelo sobe-e-desce de ações, falências ou reerguimento de empreendimentos, perseverando na velha máxima, atribuída ao florentino Maquiavel, mas debitada a uma subtração contextual, segundo a qual "os fins justificam os meios".

No texto "Faltam novos Roosevelt e Churchill", publicado em 29 de março passado, lamentei a ausência de líderes confiáveis a animarem, em vez de aterrorizarem as pessoas, criando uma espécie de psicose coletiva. Em plena segunda guerra mundial, enquanto as bombas nazistas desabavam sobre as cabeças europeias, eles procuravam tranquilizar seus cidadãos, com o estadista inglês empunhando o "V", simbolizando a vitória que viria. Em "Coronajato", a próxima atração", de 3 de maio, previa a ladroeira e as prisões, que vieram.  

Ganham duas vezes. Na ida, fábricas de guerras amealham fortunas, produzindo as armas de destruição de cidades, nos morticínios e nas desorganizações sociais e econômicas. Na volta, faturam outras fortunas, na reconstrução do que destruíram, remontando o que desestabilizaram, financiando dependentes dos que se foram e financiando reestruturações econômicas e operacionais. E, na economia, enriquecem mais, comprando ações desvalorizadas nas baixas que provocam, lucrando na revenda das mesmas ações, nas altas que provocam.

Como disseram Aldous Huxley e outros pensadores,” ...nada acontece por acaso. Existe um Grande Plano e, dentro dele, um número incontável de pequenos grandes planos. Um pequeno plano para cada um de nós..." Na pandemia do "novo coronavírus", parece não ser diferente, quando há coincidências desde o ponto de origem do vírus ser o mesmo onde começou a ser eliminado e as coisas retornaram ao normal e, agora, anunciam a próxima disponibilidade de uma vacina salvadora de vidas e fonte de lucros excepcionais aos fabricantes. 

Podem ser apenas coincidências as controvérsias sobre a eficácia e a rejeição de medicamento, inclusive por ser barato, enquanto há uma guerra aberta pela proveito político, dissonâncias científicas e interesses corporativos. Coincidência, segundo os dicionários, é a ocorrência de eventos ao mesmo tempo, parecendo alguma conexão entre si. Mas, como pregaram Matheus e Lucas, nada há de oculto que não seja revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido, o que poderá confirmar meras coincidências, ou crimes contra a humanidade.

Linomar Bahia
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