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LINOMAR BAHIA

linomarbahiajor@gmail.com

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários.

Meio cheio, ou meio vazio?

Linomar Bahia

Ao comporem, em 1999, os versos de "Se todos fossem iguais a você", Vinícius de Moraes e Antonio Carlos Jobim se atinham à maviosidade dos cantos amorosos, marcas registradas das criações poéticas-musicais que os consagraram no país e em prestigiados espaços internacionais. Mas, recorrendo à analogia, a diferenciação, inerente aos seres humanos, permite comparar com a discordância nas formas de sentir e de interpretar atos e fatos, acentuando as discrepâncias que sempre existirão, entre palavras e práticas, permeando discussões sobre quaisquer temas.

Essa tendência a polemizar, entre o que pensam e fazem os diferentes, remete à figuração de um copo preenchido pela metade, e perguntar "se está meio cheio, ou meio vazio". Tal metáfora, sobre a visão a fato, passível de controvérsias, revela, principalmente, as formas positivas e negativas, facultadas ao livre arbítrio em torno de certas situações, ganhando relevo diante de eventos desafiadores. Costuma ser considerado que o otimista vê o copo meio cheio, o pessimista meio vazio, enquanto que ao realista pouco importa como está o conteúdo do recipiente.

As oportunistas perorações dos contrários na CPI, têm oferecido maneiras diferentes de ver e interpretar os mesmos temas de cada dia, usando em vão as vítimas do coronavirus, apenas como pretexto aos propósitos de atender a objetivos políticos e conveniências ideológicas. Com essa visão conveniente do copo, a exploração das mais de 460 mil mortos, embora lamentável, poderá ser vista pelo olhar pessimista da oposição, deixando para a visão positiva o número expressivo de 13 milhões de vidas salvas, o que corresponde a mais de 90% do número total dos infectados.

Enquanto alguns, por necessidade profissional e outros, pelas conveniências políticas e partidárias, têm o suplício de assistir às intermináveis reuniões da CPI, há a visão do país real, em contraposição a um Brasil de faz de contra, contido na simbologia do meio prá lá, meio prá cá. Fora dos ambientes negativistas que assolam o país, comprometendo a credibilidade de instituições e personalidades, que parecem torcer pelo "quanto pior, melhor", avaliações sérias apresentam números da retomada de empregos, recuperação cambial e perspectiva econômica de até 7% do PIB.

Como escrevi em artigo de 29.03.2020, no início da pandemia, enquanto fecharam o comércio e desertaram as ruas, conselhos e orientações beiram o terrorismo, quase mandando as pessoas se esconderem do vírus, embora a contradição nos transportes lotados e longas filas em busca dos auxílios. Ou, como impedir que entregador de comida repasse ao consumidor contaminação de uma embalagem? Passada a pandemia poderá haver epidemia de obesos, alcoólatras, depressivos, neuróticos e famílias destrocadas, que a ociosidade está gerando em todas as classes. 

Estão faltando líderes com os predicados dos Roosevelt e Churchill, pela postura durante e após a segunda guerra mundial. serenidade na comunicação em situações até de maior gravidade, pelo que, também, se tornaram referências históricas. No Brasil, ao contrário, a situação tem sido usada preferencialmente às pretensões particulares, enquanto faltam palavras e credibilidade que, embora recomendando os cuidados necessários, não provoquem intranquilidade e até sérios abalos físicos e psicológicos à população, principalmente aos mais sensíveis e vulneráveis.

Linomar Bahia
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