Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

'Fake news' de sempre

Linomar Bahia

Até parece que as mentiras, também denominadas "fake news", sejam maldosas, ou piedosas, surgiram agora, tamanhas as repercussões  e estresses com que passaram a ser consideradas, consumindo energias e tempo de instituições e personalidades, em nome da, igualmente, falsa hipótese de serem combatidas e na  utópica possibilidade de serem eliminadas.  Tão antigas quanto o mundo, nenhum rei, imperador, guerra ou ditadura conseguiu acabar com as atuais "fake news", que sempre existiram, apenas mudando de nomes, como "lorota", "boato", "fofoca" e coisas do gênero, adequando o uso às finalidades e canais das épocas.

Notícias inverídicas e informações falsas já foram "armas de guerra", fartas nas anotações milenares do general chinês Sun Tzu, no clássico "Arte da Guerra". Através dos tempos e evoluções tecnológicos, adquiriu mil e uma utilidades, fazendo dos novos meios as mensagens também para iludir e auferir vantagens, em que os prejudicados de hoje têm sido os mesmos beneficiários de ontem e de amanhã. Particularmente na política, ganhou notoriedade ao ser acusada de influir na eleição de Donald Trump, acusado do uso desse recurso ilegal contra a concorrente Hillary Clinton,  na última eleição norte-americana.

Segundo o dicionário de Merriam-Webster, considerada, desde 1828, a maior e mais completa obra do gênero em língua inglesa do mundo, a origem da palavra da moda para rotular coisas falsas, data da Inglaterra do século XIX, então para classificar forma de calúnia, pontuando ações e reações onde quer que existam seres humanos. Há verdadeiros centros produtores de notícias falsas, como a antiga Iugoslávia, hoje Macedônia. Estudos de Robert Feldman, da Universidade do Massachusetts, concluíram que o ser humano conta, ao menos, três mentiras a cada 10 minutos,  continuadas inclusive como vício.

A história universal das "fake-news" lista uma legião de famosos, vítimas de injúrias e calúnias que caracterizam a capacidade destrutiva de honras e "status" de mensagens falsas. Durante, por exemplo, a batalha naval de Actium, na Roma antiga, Otávio, que viria a ser o futuro imperador Augusto, espalhou que Marco Antônio, tido como amante de Cleópatra, a rainha do Egito, que estava em guerra com Roma, planejava mudar a capital do Império para o Egito. Inventaram também que Cleópatra tinha se suicidado, o que fez com que Marco Antônio também se matasse, um exemplo histórico dos malefícios dessa prática.

Mas o maior "fake news" da história teria sido a chamada "Doação de Constantino", denunciando que o Imperador Constantino teria doado ao Papa Silvestre parte da Itália e outros territórios  Igreja Católica, assim fortalecendo o poder e a influência da igreja de Roma na Idade Média. Somente mil e cem anos depois houve a comprovação da falsidade do documento. Na Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, durante a invasão da Bélgica, os alemães espalharam que mulheres franco-atiradoras matavam os militares alemães, deflagrando um massacre da população civil belga, eternizado em milhares de cruzes no país.

Nas eleições brasileiras, as diferentes formas e denominações de "fake news" sempre estiveram presentes e responsabilizadas por vitórias e derrotas, também todos mentindo, ao serem, ao mesmo tempo, inocentes, culpados e cúmplices, nos repetidos "estelionatos eleitorais". “Ninguém escapa aos golpes de uma língua caluniadora”, dizia Shakespeare, vítima de boatos de que não escreveu sua obra. Aos políticos, resta o consolo da frase do estadista francês Charles de Gaulle, ele mesmo acusado de muitas mentiras, antes e durante o governo: “Como um político nunca acredita no que diz, fica surpreso quando os outros acreditam.”

Linomar Bahia
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