Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Em nome dos 'pais'

Linomar Bahia

Através dos séculos, ganhou múltiplas interpretações a expressão milenar "dai a César o que é de César ...", que Jesus teria proferido no início de uma frase, registrada a partir dos evangelhos sinóticos, no contexto da resposta sobre a legalidade na destinação dos impostos daqueles tempos. Passou a adquirir outros significados na  definição em torno do "que" pertence de direito "a quem", como forma de  reconhecimento e justiça a pioneiros em ideias e projetos que se venham revelar benéficos a comunidades e instituições.

Também ganhou domínio público o conceito de que "filho bonito é susceptível de ter muitos pais", uma espécie de variação sobre esse mesmo tema, sempre que algo de sucesso ganha relevância e comporta promoção capazes de enriquecer "paternidades" curriculares. Ao contrário, quando os resultados e repercussões se revelam indesejáveis, poucos autores são capazes de reconhecer o fracasso e assumir as responsabilidades pelo que não deu certo, alimentando a máxima, segundo a qual "filho feio está condenado à orfandade.

É comportamento típico da natureza humana, manifestado, principalmente, nas atividades políticas e nos ambientes institucionais, onde os "pais" de avanços costumam ser rapidamente esquecidos e suas obras apropriadas pelos oportunistas de qualquer oportunidade. Níveis de ensino e educação, que já foram formadores de caráter e personalidades, desvirtuaram as disciplinas de moral e civismo, transformaram aulas de formação cultural e sociológica em pregações ideológicas, subvertendo o processo de cidadania.

Surpreende o inteiro desconhecimento sobre conquistas valiosas para a sociedade, particularmente no Brasil, mesmo nos recentes 30 anos, propiciando a ignorância dos que atualmente estão nessa faixa etária, vítimas da indução por ouvir dizer dos (des)educadores. Mal sabem, ou desconhecem, por exemplo, quem foi o pai da legislação trabalhista e previdenciária do país, quem criou a Petrobrás e a Siderúrgica Nacional, como nasceu  a indústria automobilística, a revolução nas comunicações e a importância das hidrelétricas ao país.

Na recente reinauguração do Monumento à Cabanagem, no Entroncamento, foi solenemente esquecido o criador, jornalista e historiador Carlos Rocque, um visionário e cultor do amor a Belém e ao Estado e na reverência, como a ali prestada, aos vultos da batalha responsável por ter sido o Pará o último a aderir à República, por isso estrela isolada sobre a faixa da bandeira nacional. Foi o "pai" da obra, traçada por Oscar Niemeyer, pouco mais que um rascunho, sem custo, nunca vista pelo autor, que se dizia riscado para se livrar do Rocque.

Carlos Rocque, aliás, também tem sido vítima do esquecimento em todas a oportunidades da celebração das festividades Nazarenas, como "pai" que foi do "Círio Fluvial", quando presidente da "Paratur", nascido de uma conversa de que participei, sobre ampliar a programação das festividades, na mesa que Rocque mantinha cativa, no bar ao lado do residencial "Ipiranga", onde ele morava. Foi alertado da reação dos eternos discordantes, alguns indignados por não terem a ideia, por isso prontos a todo tipo de insulto, inclusive ser "maluco".

Há uma infinidade de "pais" de belezas e riquezas de Belém nestes séculos, que merecem ser eternamente lembrados. Para que todos fiquem sabendo, por exemplo, que o "pai" do nascente "Parque de Belém" é o ex-parlamentar e atual decano do TCE, Nelson Chaves,  com seus 30 anos de ações pela liberação da área. E que "pais" de outros filhos bonitos não sejam como Felisberto Camargo, escondido numa placa de curral na EMBRAPA. Presidente do então IAN-Instituto Agronômico do Norte, incentivou a criação de búfalo no Marajó.

Linomar Bahia
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