Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

'Coronajato', a próxima atração

Linomar Bahia

A máxima popular "Onde há dinheiro, tem ladrão por perto" cabe, mais uma vez, a estes tempos, quando os valores das diversas ações oficiais ascendem à estratosférica casa dos bilhões de reais e o país está vivendo um misto de ansiedade, psicose e terrorismo coletivo, refletidos, em muitos casos, em manifestações histéricas. Por trás, e a despeito dos dramas e tragédias que se abatem sobre milhares de famílias, diante do acometimento da pandemia e em face do fantasma da perda de pessoas entre os próximos de cada um, enquanto há pessoas formando na corrente do bem, outras estão arquitetando como subtrair proveito nas várias destinações.

Momentos de dor e medo como o país está registrando, emprestam uma dinâmica permanente e própria, ao mesmo tempo generalizada e específica, correspondente à diversidade e variedade dos atos, fatos e decisões adotadas, reformadas e renovadas. Provocam situações características de uma crise sanitária de grandes e letais proporções, em sua extraordinária repercussão pública e, pela natureza, gerando um estresse indiscriminado, afetando e desestabilizando as condições psicológicas, físicas e emocionais das pessoas, particularmente aquelas que sofrem a contaminação e a morte nas famílias e nos próprias comunidades em que vivem.

Um evento que deveria ficar restrito exclusivamente ao campo da saúde pública, acometendo e matando número cada vez maior de pessoas em todas as regiões, passou a ser pretexto para disputas e proselitismos políticos-eleitorais, numa politização da pandemia, mais flagrante em são Paulo, Rio e na Câmara, tumultuando ainda mais o momento nacional. Envolvem até  partidos de má reputação, mesmo em fase de muda, inclusive com nomes novos, embora continuando com as caras de sempre e mergulhados no limbo do descrédito e falta de representatividade, pelos envolvimentos e prisões durante o "mensalão" e a "lava jato". 

Relembrando os apóstolos Lucas e Marcos, o vulto das mobilizações humanas e a quantidade de dinheiro envolvidos no combate ao coronavirus também remetem ao preceito bíblico de que "não há nada escondido que não venha a ser conhecido e nada oculto que não venha a ser reelado". Mal começaram as liberações dos montões de dinheiro para equipamentos, estruturas e auxílios, logo começaram a ressurgir as históricas denúncias de superfaturamentos, em alguns casos em astronômicos percentuais de 200 e 300 por cento, provocando as primeiras ações da Polícia Federal que, pelos antecedentes, serão as próximas atrações da pandemia.

Mudança de componentes de setores responsáveis pelas ações de combate ao coronavirus também começaram a revelar a face oculta de quantos passaram a ser vistos, na verdade, como muito falantes e pouco atuantes, em cansativas explicações ,professorais que chegaram a encantar a muitos, mas se revelaria por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento, pela promoção pessoal, visando futuro eleitoral. Na prática, sucessores confessaram estarem as autoridades sanitárias caminhando às cegas para enfrentar a pandemia, pela falta de informações capazes de orientar as ações, desperdiçadas nas longas horas de exposição aos holofotes da mídia.

Como a história mostra, que sempre haverá ladrão por perto de onde houver dinheiro, pronto para surrupiar, já existe a expectativa de que uma sucessão de operações análogas à "lava-jato" será a atração, após a superação da pandemia, apesar do governo haver procurado blindar os auxílios a trabalhadores, com créditos na conta de cada um, "carimbado" os valores destinados especificamente aos respectivos objetivos e implodido as intenções de governadores em manipularem livremente o socorro aos Estados. Grupos específicos ampliaram o acompanhamento da aplicação dos recursos liberados, que podem superar um trilhão de reais. É viver para ver.

Linomar Bahia
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