Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Ao sabor das 'nuvens passageiras'

Linomar Bahia

Famoso político das Minas Gerais de antigamente, deve ser lembrado pelos conterrâneos por serviços prestados à sua terra, mas certamente tem sido mais lembrado pelas oportunas frases de efeito, em que tinha a maestria considerada típicas da mineirice. É atribuída a ele, por exemplo, a comparação entre os movimentos das nuvens com as volubilidade dos políticos e suas consequências, refletidas nas sucessivas ondas em que se equilibram seus surfistas, mudando de posições e assumindo novos comportamentos ao sabor das conveniências e circunstâncias de cada momento.

Coincidência, ou não, nos anos 1970, o compositor Hermes de Aquino produziu sucesso musical, em que a letra retrata exatamente as oscilações morais e oportunistas na vida pública, como "nuvem passageira, que com o vento se vai..." Em algumas ocasiões, conforme as nuvens mudam de figura, situações políticas se assemelham a um jogo de xadrez. Mexer em cada peça e a repercussão de determinadas jogadas, pode selar a sorte das peças a cada movimento, revelando os jogadores mais hábeis, seja pela paciência e perspicácia, seja pela sensibilidade estratégica rumo ao "xeque-mate".

Os políticos brasileiros e o cenário político nacional experimentam mais um dos momentos em que as nuvens se apresentam mais passageiras, com a velocidade nas mudanças de imagem e na falta de perspectiva sobre qual será a próxima formação. Mudanças de situações e novas ocorrências exercem influências imprevisíveis nas decisões balizadas pelos fatos, por vezes despercebidas na variedade e nos impactos menores, mas evidentes nas frequentes reversões de expectativas eleitorais que desmoralizam pesquisadores, desacreditam analistas e, principalmente, despertam o inconformismo dos perdedores.

Em tempos passados, costumavam relacionar os desfechos eleitorais, nem sempre confirmando as perspectivas, a personagens e eventos imprevisíveis, como sexo de bebês em gestação, antes das ultrasonografias, tanto quanto o que poderia sair da cabeça de julgadores. As evoluções científicas e os avanços tecnológicos, tornaram sabidas de antemão somente se os bebês serão femininos ou masculinos. Continuaram para o fim a apuração das urnas e a definição final dos vitoriosos, que conseguiram surfar nas ondas dos acontecimentos e lograram os benefícios proporcionados pelos movimentos favoráveis das nuvens.   

Exemplo emblemático foi a última eleição geral , quando ficaram para trás candidatos com nomes nacionalizados e teoricamente preferenciais nos institutos de pesquisas e nas avaliações dos pretensos detetores dos anseios populares. Em nome do fenômeno, então cognominado de "novo", colégios eleitorais de maior número e consequente relevância político-eleitoral superior, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, promoveram a vertiginosa subida ao pódio dos improváveis, onde os louros da vitória também couberam a candidato que ninguém imaginaria chegasse à presidência.

Nuvens político-eleitorais poderão ficar ainda mais passageiras sobre as possibilidades  nas eleições vindouras, tendo como ponto de partida a eleição municipal deste ano, assumindo, em princípio, o caráter de uma prévia do que virá a acontecer no pleito geral de 2022. Estarão sob a influência dos movimentos nos céus e na terra, em constante agitação desde que tomaram posse os que não se revelaram tão "novos" como se apresentavam, com muitas e viciadas caras "velhas", herdadas ou encarnadas, maquiadas em discursos requentados, empunhando as bandeiras das legendas com novos nomes e antigas práticas.

Nesta altura do calendário eleitoral, quando ainda se define a eleição da pandemia, já é perceptível a alteração de possibilidades no mapa das prováveis candidaturas e respectivos "cabos eleitorais". Há uma frustração pelo mau desempenho do que deveria ser o "novo", reencarnando o espírito danoso do "velho" que deveria permanecer sepultado. Nuvens e ondas estão desfigurando e submergindo muitos que deveriam ser grandes "patrocinadores" de potenciais candidaturas antes viáveis, contaminados pela corrupção da pandemia, nas velhas práticas que o eleitor deseja exterminadas por um novo verdadeiro.

Linomar Bahia
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