Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Adversários eleitorais

Linomar Bahia

Há uma infinidade de adágios populares e pensamentos filosóficos, que atravessam os séculos e, a despeito dos momentos e circunstâncias, continuam atuais, plenamente adaptáveis aos acontecimentos dos tempos de sempre. Nos dias de hoje, por exemplo, às vésperas de mais uma eleição municipal, alguns deles emprestam um componente a mais ao processo eleitoral, embora guardando as peculiaridades inteiramente extraoficiais, mas tão ou mais expressivas do que as leis, resoluções e portarias oficiais que balizam candidaturas e campanhas, incorporando as anomalias de uma época em que a excepcionalidade da pandemia pelo novo coronavirus permeia, por isso, um ano repleto de atipicidades.

Podem ser apresentados à escolha das senhoras e senhores pretendentes a mandatos eletivos, com destaque especial para aqueles também eternizados nos títulos de filmes famosos e, igualmente, logo vindos à memória por parecerem sempre em moda. Fazem lembrar, também, inclusive pelas implicações sociais e ideológicas, constatações de personagens como o revolucionário prussiano Friedrich Engels e seu parceiro, Karl Marx que, embora fracassados nas teorias sobre o chamado socialismo científico, legaram à posteridade a máxima, segundo a qual “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Façamos um exercício de imagem comparativa e veremos as semelhanças.

Que tal “dize-me com quem anda e te direi quem és”. “Quem puxa aos seus, não degenera”. “Cesteiro que faz um cesto, faz um cento”. “O passado condena ...”. “Filho de peixe, peixinho é”. “Mentira tem perna curta”. Reflexões sobre essas e outras máximas, presentes no amplo repertório da maioria eleitoral, certamente vão compor um elenco de observações do eleitorado a caminho das urnas dos vindouros dias 15 e, na hipótese de segundo turno, 29 de novembro. Também podem ser inseridos, no amplo balaio de prós e contras, previstos para o histórico pleito destes tempos de covide-19, outros fatores determinantes na escolha dos candidatos ou, o que é assustador, a fuga das urnas.

A propósito, pesquisas recentes sinalizam uma abstenção recorde, preocupando todos os segmentos ideológicos e comprometedor de todas as candidaturas. Na ponta das motivações para o “não voto” está a desilusão generalizada com a política e em relação aos políticos, agravada com as operações judiciais-policiais e o comportamento corporativo e personalizado em todos os níveis da vida local e nacional, gerando uma desesperança que chega a ser considerada como risco à própria democracia que o país tenta consolidar a duras penas, nos trancos e barrancos envolvido os mesmos que deveriam se empenhar nessa consolidação. Há, ainda, o medo pelo contágio do coronavirus na votação.

Acrescentemos a tudo isso a força das redes sociais, cada vez mais ativas nas mostras de que “os reis estão nús”, desvendando as mazelas de candidatos, seja por defeitos de fabricação original, seja pelos passados que condenam apoiadores e seguidores, seja porque já é carta marcada de outras jornadas políticas-eleitorais. Com tantos pontos a ponderar e incontáveis razões morais, ideológicas e sanitárias, a hipótese de não comparecimento em massa às seções eleitorais cada vez mais se fortalece no horizonte das próprias autoridades responsáveis pela condução do processo eleitoral. Mas, pelo andamento do processo, está faltando disponibilizar parte do horário eleitoral sobre a importância do voto.

Linomar Bahia
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