Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

A sorte está lançada

Linomar Bahia

Embora considerada equivocada, por alguns puristas de versões medievais e clássicas do latim, essa tradução, ao pé da letra, do original "alea jacta est", foi consagrada pelo uso popular, em quantas situações se apresentem de resultados duvidosos e incertos. A expressão latina é atribuída ao imperador romano Júlio César, que a teria proferido ao conduzir suas legiões na travessia do rio "Rubicão", onde atualmente está situada a península itálica. Sem saber o que encontraria, por isso como superar o imprevisível, o grande comandante lançava a sua vitoriosa tropa a uma contenda no escuro, sem querer ou pretender, mas incorrendo no que viria ser o poderoso adágio "seja o que Deus quiser", depositando no Criador o que resta de esperança.

Guardadas as proporções e as circunstâncias, o eleitorado brasileiro passa a viver situação correspondente à dependência da sorte, em que "o novo", campeão de menções e de pretensões no pleito majoritário de 2018, perdeu a validade e mergulhou no mesmo mar de descrédito, que passou a povoar a política e a administração brasileiros, desde a explosão do milionário "mensalão", pouco depois superado pelo bilionário "petrolão". Maus conceitos emprestaram aos desvios de conduta dimensões apocalípticas, reveladas pela "lava-jato", parecendo intermináveis, nos indiciamentos e prisões dos praticantes e sucessores da "velha política", estendendo nas ocorrências policiais-judiciais desta pandemia. 

Postas as candidaturas, as redes sociais e a mídia convencional oferecem ao eleitorado todas as informações para o exercício da tarefa de escolher "o melhor" ou, ao menos, alguém que lhe pareça "menos pior". Dificilmente será encontrado algum nome sem relação com episódios recentes, em nomes e sobrenomes protagonistas de boas, ou de más práticas, com passados rememoráveis, que tanto podem exaltar, merecendo a confiança do voto, quanto condenar, hipótese que implica em ser alijado do mandato popular em nome da moral e dos bons costumes. Segundo levantamento da Justiça Eleitoral, 80% dos atuais prefeitos são candidatos à reeleição, dispostos à avaliação e julgamento, pelo que cumpriram, ou não, quando candidatos.

Nas apresentações das candidaturas, plataformas de gestão reeditaram as costumeiras promessas, oferecendo o céu estrelado e o paraíso na terra, algumas com características peculiares de empulhação, por isso logo desqualificando o promesseiro. Há uma lista sempre crescente de mentiras de famosos, repaginadas e ampliadas nas adaptações às circunstâncias e conveniências de ditadores e democratas. O princípio de mentir e enganar como forma de proporcionar "benefício" ao povo, tem sido cultivado e renovado em cada eleição e governos, independente de partido e de viés ideológico, como exclusividade dos poderosos e daqueles que se apresentam como os únicos capazes de zelar pelas massas ignorantes e desiludidas.

Contam que o estadista francês Charles De Gaulle discursava sobre a Argélia conforme a audiência, defendendo que o governante mentisse para alcançar os fins pretendidos. Chegou a dizer que “Como nenhum político acredita no que diz, fica surpreso ao ver que os outros acreditam nele”. Adolf Hitler instituiu o conceito de mentira nobre, algo ainda pior, ao afirmar, em "Minha luta", que, "se o governo fizer das mentiras algo "colossal", ninguém duvidaria de que alguém pudesse inventar deliberadamente algo distante da verdade". O pensador espanhol Baltasar Gracián, que viveu entre os anos 1601 e 1658, filosofou que “A ciência da mais ampla usança na política é a arte do fingimento”. Mais uma vez, a sorte está lançada. Seja o que Deus quiser...

Linomar Bahia
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