Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

A palavra, entre o bem e o mal

Linomar Bahia

Originário da latina “parábola”, o vocábulo “palavra” tem servido a diferentes formas de manifestação verbal ou escrita, expressando ideias em todas os canais de comunicação para o bem e para o mal da humanidade. Tem propiciado a sucessivas civilizações, a manipulação conveniente aos interesses e às necessidades de promover e influenciar comportamentos sociais de gregos e troianos, trafegando entre a guerra e a paz ao atuar nos avanços e retrocessos políticos, ao sabor das conveniências e nas circunstâncias dos tempos e momentos.

É atribuído às origens das comunicações, através da palavra, nas alocuções pertinentes a cada período da vida humana, as proporcionalidazdes, tanto como força construtiva quanto destrutiva, exercendo os correspondentes objetivos, conforme efeitos que provoca. Tamanho o poder e tão grandiosa é o efeito da palavra, que tem gerado uma profusão de variadas comparações e advertências quanto ao seu uso, entre elas que “a palavra é prata, mas o silêncio é ouro”, preocupação frequente nas mãos encobrindo a boca para evitar mesmo as leituras labiais.

Em “Pausa para reflexões”, o professor Luiz Flávio Gomes, atribui à palavra o poder de fortalecer ânimos ou destruir, corroborando a crença de que o mundo é o que é hoje porque as pessoas aprenderam a se comunicar através da palavra, transmitindo as ideias, sentimentos, aprovações e rejeições, sejam poéticas ou pobres, adequada ou imprópria. Reflexões em torno das consequências chegam a questionar a pertinência de que uma imagem valeria mais do que mil palavras, quando se considera que, em muitos casos, seria exatamente ao contrário.

Pregações budistas dizem que “Como flores charmosas, com cores, mas sem odor, são as doces palavras para aquele que não concorda com elas”, valendo recomendação para cuidados especiais quando se fala, consciente de que uma simples frase é capaz de confortar e estimular relações pessoais e profissionais, da mesma maneira como, proferida de outra forma, pode ser devastadora e promover situações depressivas. Dificilmente alguém ainda não ouviu uma frase que tenha causado uma grande dor, ou que tenha melhorado a auto estima.

Lições da sabedoria popular, consagrando as ações e reações humanas, em quaisquer dos segmentos sociais, econômicos e culturais, são fartas em axiomas pertinentes ao bom, ou mau uso, da palavra. Geraram expressões filosóficas alertando, por exemplo, que “Quem muito fala, muita bobagem diz”, “peru calado, ganha um cruzado; falando, sai apanhando”. Valem para incontáveis situações institucionais e políticas que lemos e ouvimos a todo instante, geralmente custando cabeças e cargos de quem perde ótimas oportunidades de ficar calado.

Como palavras ditas e flechas lançadas, não voltam, falastrões têm sido vítimas do próprio mau uso da palavra, ao padecerem da compulsão irresistível de falar, movido pela vaidade e sede de promoção pessoal, mesmo falando verdades, mas que nem sempre podem ser ditas. Exemplo do secretário da Fazenda Nacional, por insistir na adoção da CPMF; comandante da PM de Picos, no Piauí, após ter pregado na televisão a morte de dez bandidos para cada policial morto, e dirigentes da Aneel a perigo por quererem taxar energia solar.

Diferentes escolas tratam a palavra como fonte de mensagens que precisam observar o vocabulário adequado às audiências, evitando riscos da contextualização de alguma palavra ser decodificada de forma diversa do intencionado, provocando mal-entendidos e, até, danos irrepaáveis. Como se dizem que o inferno está cheio de bem-intencionados, cabeças podem ser protegidas e amizades preservadas pelos textos e locuções próprios e oportunos, embora nem sempre dizendo o que pensam, nem pensando o que dizem os falastrões.

Linomar Bahia
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