Qual é o valor da vitória sem honra? Carlos Ferreira 19.04.26 7h00 A FIFA busca atenuantes para as más condutas (Luã Tomasson / Brasiliense FC) Qual é o valor da vitória sem honra? Discutir honra no futebol é um ótimo exercício de ética. Quem se importa se a vitória do seu time foi produto de um pênalti inexistente, um gol de mão ou em impedimento? E quem aceita como natural um erro da arbitragem em que seu time tenha sido prejudicado? Em campo, a todo momento, jogadores usam artimanhas para induzir o árbitro ao erro. Quando o erro acontece, vem a indignação dos prejudicados e o silêncio dos beneficiados. O futebol virou um jogo de sucessivos atos de desonestidade. Jogadores fingem lesão para ganhar tempo, fazem “cera” até em cobrança de lateral, simulam choque para “cavar” pênalti, buscam o favorecimento que jamais admitem para o adversário. São comportamentos que expressam o perfil cultural da sociedade que os times representam. Atenuantes A FIFA busca atenuantes para as más condutas com ajustes na regra, como os oito segundos para o goleiro repor a bola em jogo, por exemplo. A partir de 1º de julho vai funcionar o limite de 5 segundos para cobranças de lateral, 10 segundos para substituição, tempo mínimo de dois minutos para atendimento médico fora de campo... Discutir a ética no jogo parece não estar nos planos da FIFA. Afinal, a própria Federação Internacional de Futebol Association tem um pesado histórico de graves pecados nos bastidores. Ídem Confederações, Federações e Clubes. O futebol é um universo tão viciado quanto envolvente, que escancara mazelas sociais e ao mesmo tempo parece cegar as pessoas. Ou melhor, cumpre mesmo funções alienantes. BAIXINHAS * Comportamentos antiéticos e irritantes de profissionais são reproduzidos em jogos de crianças, em exercícios de gritante deseducação. É um “vale tudo” pela vitória, como no cotidiano da sociedade. A honra em campo parece não ter valor algum. O jogo é escandalosamente antiético e tudo é aceito como “normal”. * Até o fair play é deturpado. De vez em quando um "espertinho" foge à ética para tirar proveito de uma gentileza protocolar do adversário. Isso é motivo para grandes brigas em campo, não pela ética, mas apenas pela competição. É mais paradigma do que honra. * Atos isolados mostram gratas exceções, como no caso de Alisson Safira, atacante do Juventude, contra o São José no campeonato gaúcho. Safira desistiu de uma ação promissora de ataque ao perceber que seu marcador sofreu lesão muscular. Atitude tão polêmica quanto digna, exemplar. * Água "batizada" ou intoxicação alimentar para tirar forças do adversário, suborno de defensores adversários e de arbitragem... Coisas do tipo eram frequentemente denunciadas até o final do século passado. O avanço da medicina, das tecnologias, das leis e informações com a chegada da Internet reduziu as armações de bastidores. Apenas reduziu! * A coluna faz esse resgate da história e chama atenção para comportamentos desonrosos por entender que a gestão do futebol, em todos os níveis, deveria ter compromisso com funções educativas. Famílias também deveriam ter esse compromisso, mas servem ao movimento de deformação sócio-educativa. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas carlos ferreira COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Carlos Ferreira . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! ÚLTIMAS EM CARLOS FERREIRA CARLOS FERREIRA Qual é o valor da vitória sem honra? 19.04.26 7h00 CARLOS FERREIRA Adversários poderosos para Papão e Leão e as lições deixadas pela Copa Norte 17.04.26 13h40 CARLOS FERREIRA Copa Norte 2026: Fim de linha pro Leão; Deu pro gasto, Papão 16.04.26 16h21 CARLOS FERREIRA Remo e Paysandu: Movimento de compras e a boa surpresa do ano no futebol paraense 15.04.26 13h58