Cobra grande vai acordar? Conheça a lenda da cobra que ‘mora em baixo de Belém’

Lenda da enorme cobra que repousa debaixo da cidade de Belém também tem ligação com o Círio de Nazaré

Hannah Franco
Reprodução/Magno Ilustração e Design/@IlustraMagno
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Já ouviu falar sobre uma gigantesca cobra adormecida sob a cidade de Belém? A lenda da Cobra Grande é uma das histórias mais conhecidas pelos amazônidas e carrega em seu enredo um misto de temor e fascínio. Embora existam várias versões dessa narrativa popular, há uma que se entrelaça diretamente com o Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do Brasil.

Também conhecida como "boiúna", a lenda diz que uma enorme cobra repousa debaixo da cidade de Belém, especificamente entre os bairros da Cidade Velha e Nazaré. A cabeça da serpente estaria na Catedral da Sé, e seu corpo, estendendo-se pelos subterrâneos, alcançaria a Basílica Santuário, onde fica a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Segundo a crença, caso essa cobra desperte, Belém afundaria nas águas do rio.

Ilustração da lenda da Cobra Grande feita por Helô Rodrigues. Ilustração da lenda da Cobra Grande feita por Helô Rodrigues. (Reprodução / Helô Rodrigues / @heloilustra_)

A lenda tem gerado especulações e, especialmente durante a pandemia de 2020, ganhou mais força. Com a suspensão das tradicionais procissões do Círio, a história de que a cobra poderia acordar caso o evento religioso não acontecesse começou a circular.

Algumas pessoas acreditam, inclusive, que a corda da procissão representaria a própria cobra, e o ato dos fiéis, ao segurá-la e seguir o trajeto, seria uma forma de manter a serpente "calma", renovando o encantamento que a mantém adormecida.

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A lenda e o misticismo

A Amazônia é berço de incontáveis mitos, sempre cercados pelos elementos da natureza, especialmente as águas dos rios que cercam a região. A lenda da cobra grande, passada de geração em geração, ecoa pelos séculos e atravessa fronteiras entre Pará, Tocantins, Roraima e outros estados.

Além de sua ligação com o Círio, a cobra grande aparece em narrativas da pajelança cabocla, prática espiritual tradicional da região. Nas histórias, ela é tida como um ser místico, semelhante a outras figuras lendárias amazônicas, como o boto e a Matinta Pereira.

Na década de 1970, relatos de um tremor de terra em Belém reacenderam a crença popular de que a cobra havia se mexido. Para os mais supersticiosos, esses tremores são sinais de que a serpente, ainda que adormecida, pode estar prestes a despertar.

Ilustração de Angelim Dos Anjos para conto "A lenda da cobra grande, a terrível boiuna". Ilustração de Angelim Dos Anjos para conto "A lenda da cobra grande, a terrível boiuna". (Reprodução / Angelim Dos Anjos / @angelim_ilustrart)

A cobra grande e a crença popular

Entre as inúmeras versões da lenda, uma das mais intrigantes sugere que a cidade de Belém foi fundada sobre o ninho da boiúna. E, para impedir que a serpente se movesse, foram construídas, em locais estratégicos, a Catedral da Sé e a Basílica de Nazaré. Enquanto a cabeça repousa na Sé, o corpo da cobra estende-se até a Basílica. 

Além de sua ligação com o Círio, o réptil gigante também teria desempenhado um papel fundamental na formação dos rios amazônicos. Segundo a lenda, ao se mover pela terra, a cobra deixava sulcos gigantescos por onde passava, e esses sulcos, ao longo do tempo, teriam se transformado em rios. Para os ribeirinhos de algumas regiões, a cobra grande é uma figura mítica que explica a grandiosidade das águas que cercam as cidades.

Ilustração feita por Ty Silva. Ilustração feita por Ty Silva. (Reprodução/Ty Silva)

*(Hannah Franco, estagiária de jornalismo, sob supervisão Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)

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