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Quando a vacina contra a varíola dos macacos chega ao Brasil?

A vacinação contra o vírus Monkeypox já está sendo realizada em alguns países da Europa e da América do Norte

Carolina Mota

A doença pelo vírus Monkeypox, conhecida popularmente como Varíola dos Macacos, tem levado autoridades competentes a buscarem formas de agilizar o processo de aquisição da vacina. O Ministério da Saúde diz que mantém conversas com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), para adquirir o imunizante, mas que ainda não há uma previsão certeira de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil.

A OMS realizou um decreto de emergência de saúde pública de importância nacional, em 23 de julho, o que pode agilizar as negociações e os processos regulatórios, garantindo a proteção de, ao menos, alguns grupos específicos e prioritários.

Atualmente, a vacinação contra o monkeypox iniciou em partes da Europa e da América do Norte. A União Européia fez um acordo com a Bavarian Nordic que prevê a entrega de 110 mil doses. Já os Estados Unidos possuem  um estoque de 800 mil unidades da vacina. Washington, Chicago e Nova York, iniciaram a campanha de vacinação.

O Reino Unido definiu três grupos prioritários, sendo eles profissionais de saúde que estão lidando com pacientes diagnosticados com o vírus; gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens com alto risco de exposição; e pessoas que tiveram contato próximo com um paciente infectado.  As informações são da BBC News.

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A médica Isabella Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), informa que dar prioridade a alguns grupos é válida. "Vacinação é estratégia. Precisamos pensar primeiro nos grupos de maior risco, como aqueles em que o vírus circula com mais intensidade, os indivíduos estão mais expostos ao patógeno ou podem ter efeitos mais graves da doença", explica.

E o Brasil?

Sem previsão de quando as vacinas contra o monkeypox ficarão disponíveis no país, o Ministério da Saúde informou que "tem articulado com a Organização Pan-Americana de Saúde as tratativas para aquisição da vacina, de forma que o Programa Nacional de Imunizações possa definir a estratégia de vacinação".

O médico David Uip, secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento do Estado de São Paulo, estimou que o imunizante pode demorar até nove meses para chegar aos brasileiros, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Do ponto de vista técnico, produzir imunizantes contra o monkeypox não é algo tão complexo . A tecnologia que permite manipular vírus vivos é dominada por muitos laboratórios e farmacêuticas.

"Mesmo assim, o processo não é tão simples. É preciso ter fábrica e cumprir uma série de exigências regulatórias para garantir as condições de fabricar as doses. Precisamos ter em mente que, se vier a vacina, ela não será para todo mundo. Precisamos proteger os grupos de maior risco primeiro", complementa a médica.

Enquanto a vacina não chega, a recomendação é ficar atento aos principais sintomas da doença, como o surgimento de feridas, manchas, irritações, pústulas ou espinhas na pele, especialmente na região dos genitais, do ânus, da face ou dos braços.

Caso esses sinais apareçam, um médico deve ser procurado para fazer o diagnóstico. Se os exames confirmarem a presença do monkeypox, a orientação é ficar em isolamento até que as feridas sumam completamente. 

Vacinas

A farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic desenvolveu uma vacina a partir do vírus vaccinia, que pertence à mesma família do smallpox (o causador da varíola humana) e do monkeypox.

A virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que os patógenos deste grupo (os orthopoxvirus) costumam conferir uma espécie de "proteção cruzada" - se você se infecta com um deles, o sistema imune gera uma resposta capaz de bloquear a invasão dos demais.

A vacina da Bavarian Nordic, que começou a ser utilizada há pouco para conter o monkeypox em algumas partes do mundo, realiza essa estratégia: traz o vírus vaccinia atenuado (mais "fraquinho"), que vai promover justamente essa imunidade.

"Trata-se de um vírus tão atenuado que ele nem consegue se replicar nas células humanas. Mesmo assim, ele gera uma resposta imune que protege contra o monkeypox", explica Damaso.

A Farmacêutica está ampliando sua capacidade produtiva e pretende iniciar uma operação emergencial, mantendo a fabricação por 24 horas ao dia, para atender o aumento da demanda por doses. 

Além desses dois recursos, há estudos demonstrando que pessoas vacinadas contra a varíola humana, causada pelo vírus smallpox, também estão mais protegidas do monkeypox. Como o smallpox foi erradicado e não circula mais pelo mundo, a produção desses imunizantes em específico foi completamente paralisada e a campanha de vacinação não acontece desde o início dos anos 1980.

Mesmo assim, pessoas com mais de 40 anos que tomaram as doses contra a varíola humana durante a infância parecem manter um bom nível de proteção agora.

(Carolina Mota, estagiária sob supervisão da coordenadora do núcleo de política, Keila Ferreira).

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