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‘Parecia que o meu órgão masculino ainda estava lá’, diz gêmea trans sobre o pós-cirurgia

Irmãs que fizeram história ao se submeterem a procedimento de readequação sexual contam como anda a vida

Redação Integrada com informações de Marie Claire

A estudante mineira Sofia Albuquerck afirma que parece estar sonhando de tão boa a sensação, dois meses e meio após fazer a histórica cirurgia, ao lado da irmã gêmea, Mayla Phoebe Rezende, de redesignação de sexo. Aos 19 anos, as duas se tornaram as primeiras gêmeas trans no mundo a ser submetidas ao procedimento.

A cirurgia foi realizada no dia 10 de fevereiro, mas já era um desejo antigo das irmãs, que não se sentiam bem no corpo masculino. Sentiam-se mulheres. Elas foram liberadas pelos médicos a voltar para casa no dia 26 de março.

“A única coisa que doeu bastante foi a dilatação, que temos que fazer após o procedimento, mas isso vai diminuindo com o tempo e aos poucos”, diz Sofia. “Quando eu acordei da cirurgia não queria que me dessem banho porque parecia que o meu órgão masculino ainda estava lá, e eu tinha vergonha. Mas quando passei a mão e vi que tinha dado certo, me acalmei. É uma sensação inacreditável, parece que eu estou sonhando ainda”, relata.

Mayla teve que lidar com o fenômeno do membro-fantasma (Arquivo pessoal)

Sensação de realização também é relatada pela irmã. “Só vi (a vagina) quando o médico tirou o curativo no segundo dia. Ele disse que estava inchada e que eu poderia me assustar. Mas eu não acreditava, estava extremamente satisfeita, achava ela bonita até inchada. Ainda não caiu a ficha”, diz Mayla. “O pós-operatório não dói nada. O que eu senti é a sensação do membro-fantasma, como se o meu órgão masculino ainda estivesse aqui”, conta. O fenômeno é comum parta pessoas que perdem parte do corpo.

Inspiração

Atualmente, elas se dedicam aos estudos. Mayla é técnica em enfermagem e cursa medicina em Buenos Aires. Mas está com a família no Brasil, devido à pandemia, estudando à distância. Sofia cursa faculdade de engenharia civil. Ambas aproveitam a exposição da história delas para ajudar outras mulheres transsexuais. Elas têm conversado, inclusive, com pais de pessoas trans para que eles entendam mais sobre o assunto. “Eu e a Sofia temos um grupo com várias meninas trans. Nunca pensei em ser inspiração para alguém, mas tento ajudar. Hoje em dia, converso com uma mulher trans de 48 anos que me pergunta como 'sair do armário', sabe? Acho importante falar sobre”, comenta Mayla.

Vida amorosa

A vida amorosa das irmãs está de lado diante da recuperação do procedimento e dos estudos. Tanto Mayla quanto Sofia tiveram relacionamentos breves antes da cirurgia. “Eu precisei me mudar para estudar, e tive experiências que a Sofia não teve, e elas não são muito boas. Teve um rapaz que, quando descobriu que eu era trans, me xingou e foi extremamente transfóbico. Teve até mesmo ameaças de morte e precisei fazer medida protetiva. Com a exposição da história, o meu medo era de ser apedrejada pela sociedade, e foi ao contrário, recebi mensagens de carinho do mundo inteiro, até mesmo de outros países”, revela Mayla.

Sofia namorou com um rapaz que sabia da sua história, tanto que compartilhou com ele o momento da notícia que conseguiria fazer a readequação. “Lembro como se fosse ontem que eu estava ajudando ele e a mãe em um evento solidário quando me ligaram falando que a cirurgia aconteceria. Eu não me contive, fiquei muito emocionada e comecei a comemorar”, lembra.

Elas só pensam que seguir em frente ajudando outras mulheres trans. “Os nossos corpos ficam na terra, e nós voltamos ao pó. Então não faz sentido Deus nos julgar por conta da nossa identidade de gênero, nós devemos amar e cuidar do próximo. E nós só queremos espalhar amor”, defende Mayla. Ela ainda faz um apelo. “Pais, apoiem sempre os seus filhos. Não é algo que escolhemos, nós já nascemos assim.”

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