Matrículas pelo ProUni caem 34% em quatro anos, aponta estudo do Semesp
O número de concluintes do programa também diminuiu: de 2007 a 2012, 1,1 milhão de estudantes concluíram a graduação pelo ProUni. Já entre 2013 e 2023, o total caiu para 899 mil, reforçando a necessidade de ajustes na gestão do programa

O número de estudantes matriculados no ensino superior por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni) caiu 34% entre 2019 e 2023, segundo levantamento divulgado pelo Semesp, entidade que representa as mantenedoras de ensino superior do Brasil. O estudo atribui a redução à ausência de vagas remanescentes nas edições mais recentes, à mudança nos critérios de distribuição de vagas e à necessidade de intensificar campanhas de divulgação do programa.
Entre 2005 e 2019, o ProUni registrou crescimento de 543,8% no número de matrículas, atingindo um recorde de 615.641 beneficiados em 2019. Contudo, a partir de 2020, o cenário começou a mudar, com queda no volume de estudantes contemplados.
O número de concluintes do programa também diminuiu: de 2007 a 2012, 1,1 milhão de estudantes concluíram a graduação pelo ProUni. Já entre 2013 e 2023, o total caiu para 899 mil, reforçando a necessidade de ajustes na gestão do programa.
Desafios
De acordo com o Semesp, quatro fatores contribuem para o encolhimento do ProUni:
• Ausência de vagas remanescentes: edições recentes não disponibilizaram novas oportunidades, limitando o preenchimento de vagas.
• Mudança no critério de distribuição: desde 2021, entidades filantrópicas estão impedidas de solicitar vagas extras em cursos já participantes.
• Bolsa Permanência: benefício restrito a cursos integrais com carga horária superior a seis horas diárias, o que reduz a abrangência do programa.
• Falta de campanhas de divulgação: a menor visibilidade do ProUni impacta diretamente no número de inscritos.
Resultados positivos
Apesar das dificuldades, o ProUni apresenta resultados positivos em termos de conclusão de cursos. A taxa de desistência entre os bolsistas é de 41%, menor que a de estudantes de instituições privadas sem o benefício (63%) e de universidades públicas (53%).
Além disso, o programa tem papel fundamental na democratização do acesso ao ensino superior. Em 2020, 60,6% dos beneficiados eram mulheres, 59,5% se autodeclaravam pretos ou pardos e 50% tinham até 24 anos.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA