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Geração millennial e mulheres são mais propensos ao Burnout

Condição é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes

Elisa Vaz / O Liberal

A sobrecarga no trabalho pode ocasionar diversos problemas ao trabalhador, seja ela adquirida a partir de cobranças dos superiores ou mesmo por estar em um cargo de chefia, o que pode aumentar os níveis de estresse, de acordo com especialistas da área. Uma pesquisa realizada em 2015 pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, concluiu que 18% dos chefes em nível médio relataram sintomas de depressão, em comparação com 12% dos trabalhadores braçais e 11% dos empresários e executivos.

Consultora na área organizacional e do trabalho, a psicóloga Maria Cristina da Cruz Watrin, que também é professora na Universidade da Amazônia (Unama), explica que várias questões relacionadas ao desenvolvimento do trabalho podem ocasionar em sintomas de depressão, dentre elas a forma como as pessoas são promovidas para ocupar cargos com nível de liderança, que se daria principalmente por seu comprometimento e envolvimento no trabalho. A partir disso, segundo ela, o nível de cobrança por resultados aumenta, podendo muitas vezes não corresponder ao esperado.

Uma das consequências dessa pressão é a chamada Síndrome de Burnout. De acordo com o Ministério da Saúde, esta condição é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, entre outros. A Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidade suficiente para os cumprir.

"É uma forma de estresse em sua forma mais avançada ou crônica, tratada como doença do trabalho. Ela acomete grupos de profissionais considerados 'de risco', e o fator para seu desencadeamento seria manter uma relação frequente e direta com pessoas que necessitam de cuidados no ambiente de trabalho. Apresenta três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e diminuição da relação pessoal", afirma a especialista.

Ainda de acordo com Cristina, o principal fator para o adoecimento do trabalhador tem relação com a organização do trabalho. Uma forma de evitar este adoecimento decorrente da função é ter estratégias de enfrentamento, quando a pessoa deverá buscar programas de qualidade de vida para amenizar a sobrecarga decorrente do dia a dia no trabalho.

Quem está mais propenso?

Os especialistas têm mostrado, ainda, que os chefes em nível médio que são da geração millenial são mais propensos a sentir essa pressão. Um estudo da seguradora MetLife concluiu que eles possuem propensão a burnout muito maior que os chefes de qualquer outra geração. Isso ocorre, em parte, porque eles cresceram em uma cultura que glorifica a sobrecarga de trabalho. Embora os "workaholics" - pessoas viciadas em trabalho - possam estar mais propensas a este cenário, a psicóloga afirma que isto não necessariamente ocorrerá, e que vai depender da cultura da organização onde trabalham, que pode ter um ambiente cuidadoso e de valorização com pessoas que lá laboram.

Além deste público, as estatísticas demonstram que as mulheres são o grupo que mais sofre com burnout. Segundo uma pesquisa conduzida pelo LinkedIn, 74% das mulheres afirmaram que estavam estressadas, em maior ou menor nível, por motivos relativos ao trabalho, em comparação com 61% dos homens empregados. "A Síndrome de Burnout atinge não só profissionais com cargos de liderança, mas atinge mulheres, em sua maioria, por questões relacionadas à emoção física e mental causada por excesso de trabalho, quando muitas possuem dupla jornada. Os jovens são afetados por questões ligadas à velocidade de informações, não conseguindo lidar com o tédio. Estão sempre em busca de novos desafios, muitos são destemidos quanto a mudanças para cargos mais desafiadores. E a pandemia, com toda certeza, causou vários tipos de adoecimentos por vários fatores, como perdas, medo, isolamento e incertezas", enfatiza a profissional.

Diagnóstico

O diagnóstico da Síndrome de Burnout, segundo o Ministério da Saúde, é feito por profissional especialista após análise clínica do paciente. O psiquiatra e o psicólogo são os profissionais de saúde indicados para identificar o problema e orientar a melhor forma do tratamento, conforme cada caso. Já o tratamento é feito com psicoterapia, mas também pode envolver medicamentos, como antidepressivos ou ansiolíticos. Após diagnóstico médico, é fortemente recomendado que a pessoa tire férias e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas - amigos, familiares ou cônjuges.

Saiba quais são os principais sintomas da Síndrome de Burnout

- Cansaço excessivo, físico e mental, ou fadiga
- Dor de cabeça frequente ou dores musculares
- Alterações no apetite
- Insônia
- Dificuldades de concentração
- Sentimentos de fracasso, insegurança, incompetência ou desesperança
- Negatividade constante
- Alterações repentinas de humor
- Isolamento
- Pressão alta
- Problemas gastrointestinais
- Alteração nos batimentos cardíacos

Confira as principais formas de prevenir a Síndrome de Burnout

- Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal
- Participe de atividades de lazer com amigos e familiares
- Faça atividades que fujam à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema
- Evite o contato com pessoas negativas, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros
- Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo
- Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo, natação ou outro
- Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque pode piorar a confusão mental
- Não se automedique ou tome remédios sem prescrição médica

Fonte: Ministério da Saúde

Brasil
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