Após morte de criança, mãe faz alerta sobre cadeirinhas de transporte

Mesmo preso à cadeirinha, 'efeito chicote' causou uma grave lesão neurológica em bebê de 8 meses

Redação Integrada com informações de revista Crescer

Um acidente de trânsito mudou a vida de uma família que acreditava deixar o filho mais novo seguro na cadeirinha de transporte, no banco traseiro do carro. Em abril de 2016, quando o filho de Eloise Ghion Pires, Miguel, tinha oito meses, o carro onde estava a família foi atingido por outro veículo em alta velocidade. O menino foi levado para cirurgia às pressas e, no dia 3 de setembro de 2019, morreu em decorrência da lesão.

"Um dia, uma pessoa fez a má escolha de sair de casa, apesar da habilitação suspensa e da documentação irregular do carro. Transitou acima do limite de velocidade e ultrapassou o farol vermelho", lamenta a mãe.

No dia do acidente, estavam Eloise, sua mãe, sua irmã e seus dois filhos — entre eles, Miguel. Todos foram levados para o hospital. A mulher conta que as chances do menino eram mínimas, mas não havia outra opção além da cirurgia. "Foram diversas paradas cardiorrespiratórias, hipovolemia, entre tantas outras complicações", lembra.

Treze dias depois, Eloise teve a oportunidade de pegar o filho no colo novamente. ""Ele estava entubado, com sonda, com catéter, com a cabecinha toda enfaixada e inchado. E, mesmo assim, talvez tenha sido o momento mais emocionante da minha vida", conta.

A lesão do pequeno foi "inevitável". "Nossas cadeirinhas não evitam completamente o 'efeito chicote' — onde a cabeça da criança é lançada para frente e para trás com força — principalmente em casos como nosso, onde foram múltiplas pancadas em diversas direções", alertou Eloise.

Miguel passando pela reabilitação (Reprodução Facebook) 

Miguel sofreu uma lesão neurológica e desenvolveu uma epilepsia de difícil controle. Ele não andava, não tinha controle cervical pleno e ficou com déficit de deglutição. A criança fez anos de terapias, fisioterapia, equoterapia, terapia ocupacional e fonoterapia.

O menino completou quatro anos no último dia 28 de julho, mas partiu no dia 3 de setembro. "Há três meses, ele teve morte súbita por conta da epilepsia. Hoje, eu digo que um dia não é igual ao outro. Todos os dias são difíceis, mas alguns são verdadeiramente insuportáveis. Eu tento ser forte e corajosa como ele sempre foi, até porque tenho mais três filhos — dois frutos de adoção e um biológico", conta Eloise.

"Efeito chicote"

De acordo com o médico e vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), José Heverardo da Costa Montal, os acidentes de trânsito estão entre as maiores causas de lesões medulares em crianças, por conta do tamanho da cabeça ser maior e mais pesada que o corpo.

No Brasil, a Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) permite que a cadeirinha seja virada para frente quando o bebê completa um ano. Essa mudança representa um risco adicional grave, na opinião dos especialistas. "Manter a criança no bebê conforto virada para trás pelo maior tempo possível garante uma maior proteção contra o 'efeito chicote', que é quando a cabeça é protejada para frente e volta com velocidade para trás", explica.

Em casos mais graves, como o de Miguel, onde há multiplas pancadas, não há garantias de que a cadeirinha possa proteger a criança completamente.

A ONG Criança Segura aponta que a cadeirinha pode reduzir os riscos de lesões em cerca de 90%. No entanto, nenhum dispositivo pode garantir 100% de proteção.

Um conjunto de diretrizes foi publicada na página da ONG para o transporte seguro das crianças. Uma delas é a importância da criança sentar na posição central do banco traseiro e da desativação do airbag ao transportar menores de 14 anos na frente.

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