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Após crime, tenente-coronel apagou mensagens de Gisele sobre divórcio; polícia recuperou arquivos

Os diálogos foram recuperados por meio de perícia técnica e é um dos pontos centrais da investigação

Gabrielle Borges
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Uma investigação da Polícia Civil aponta que o celular da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi desbloqueado e manipulado minutos após o disparo que tirou sua vida, no apartamento onde ela morava com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo, na manhã de 18 de fevereiro.

Segundo o 8º Distrito Policial, esse intervalo é considerado crucial, pois teria sido nesse período que as conversas entre o casal foram apagadas. Apesar disso, os diálogos foram recuperados por meio de perícia técnica e revelam uma relação marcada por rompimentos e tensões.

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O que diziam as mensagens?

As mensagens indicavam que Gisele já não aceitava mais o que considerava comportamentos autoritários do marido.

Em uma das enviadas na noite anterior ao crime, a PM confrontou o tenente-coronel e questionou a dinâmica do casamento: “Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência”, escreveu, desmentindo qualquer narrativa de submissão que aparecia em outros trechos do relacionamento.

“Tem todo o direito de pedir o divórcio […] Pode entrar com o pedido essa semana”, afirmou Gisele, em mensagem direta que não deixou espaço para dúvidas sobre sua decisão.

A contundência da frase é um dos pontos centrais da investigação e tem sido usada para afastar a hipótese de suicídio por inconformismo com a separação, versão defendida pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e sua defesa. O oficial segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

Versão do coronel é questionada

Desde o início, Geraldo sustenta que decidiu pelo fim do casamento e que Gisele não teria aceitado. No entanto, as mensagens recuperadas pela perícia contradizem essa narrativa de forma direta.

Para a Polícia Civil, o apagamento seletivo das conversas no celular do oficial reforça a suspeita de tentativa de manipular a narrativa. O relatório obtido pela reportagem aponta que a ausência de diálogos no aparelho dele, somada à recuperação no celular da vítima, indica que houve interferência no conteúdo após o crime, possivelmente para sustentar a versão apresentada pelo coronel.

Suicídio é descartado

Apesar de manter a alegação de que a esposa tirou a própria vida, o tenente-coronel é agora investigado por feminicídio. Segundo a polícia, um conjunto de evidências periciais, depoimentos contraditórios e o teor das mensagens recuperadas indicam que a morte da PM Gisele Alves Santana não se trata de suicídio, mas sim de um crime intencional.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)

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