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'Onde te entrego meu c*?', diz prefeito interino de Macapá em conversa com Alcolumbre

Gravação mostra prefeito interino de Macapá pedindo ajuda ao senador e sugerindo ações contra adversário Antonio Furlan

Hannah Franco

Uma gravação de uma ligação telefônica mostra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, orientando o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua (União Brasil), a procurar um desembargador que analisaria uma ação envolvendo o prefeito eleito Antonio Furlan (PSD).

O conteúdo foi divulgado pelo portal Metrópoles e revela diálogos entre os dois políticos em meio a disputas judiciais e articulações políticas no município.

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Logo no início da conversa, DaLua faz uma declaração em tom de brincadeira ao senador: "Onde eu te entrego meu c*?", em referência ao agradecimento pela ajuda política.

Orientação para encontro no Tribunal de Justiça

Na gravação, Alcolumbre orienta o prefeito interino a comparecer ao Tribunal de Justiça em uma segunda-feira, às 10h, e reforça que ele deveria ir sozinho, inclusive sem advogado.

“Segunda, 10 horas, no gabinete dele, no tribunal, para você relatar as questões jurídicas e políticas, sem advogado”, diz o senador.

Durante o diálogo, Alcolumbre afirma ter intermediado o contato com o magistrado, a quem chama de “meu irmão”, e relata ter pedido apoio para “restabelecer a autoridade” do presidente da Câmara Municipal.

Disputa política envolve orçamento da Câmara

A articulação ocorre em meio a um embate envolvendo o orçamento da Câmara de Vereadores de Macapá. O prefeito eleito Antonio Furlan havia vetado um aumento no repasse, de R$ 3,9 milhões para R$ 5 milhões, mas a Justiça determinou a ampliação.

No áudio, DaLua demonstra reação ao relato e afirma que irá se preparar para o encontro no tribunal. Ele também menciona a possibilidade de adotar medidas contra o prefeito eleito.

Ao pedir aval para as iniciativas, ele recebe apoio do senador. “Vai para cima”, responde Alcolumbre.

Pedro DaLua assumiu interinamente a prefeitura após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento por 60 dias do prefeito eleito e do vice.

A medida foi tomada após suspeitas de fraudes na construção do Hospital Geral do município.

Confira a conversa completa

💬 DaLua: Ai ai... onde é que eu te entrego o meu c*?

💬 Alcolumbre: Pode ir amanhã no tribunal, 10 horas da manhã. Explicar pra ele toda a circunstância jurídica e política do caso. Que eu disse que eu só estava pedindo pra ele porque o prefeito de Macapá tem muita força e tem muito poder, mas ele não pode tudo. O Poder Legislativo não pode ser subjugado quando um prefeito comete crime de responsabilidade de não passar o duodécimo. E as nossas diferenças políticas, meu querido presidente - falei pra ele - elas vão continuar porque elas são conceituais.

Infelizmente o nosso prefeito de Macapá, no meu ponto de vista, é um personagem que tá vivendo do nosso trabalho, da nossa atuação enquanto senadores, governador... tudo o que a gente fez pela cidade e ele desconsidera tudo o que a gente faz, querendo ganhar os louros só pra ele, pra mulher dele, pro irmão dele, pro filho dele. E tem uma coisa que eu gosto de fazer: é ser grato às pessoas e reconhecer aquelas que trabalham.

Meu irmão, eu preciso da sua ajuda pra reestabelecer a autoridade do presidente da Câmara, que é meu irmão, sempre esteve comigo, me ajudou nos momentos mais difíceis da minha trajetória política e ele não pode ser subjugado, desconsiderado... não como (inaudível) mas como chefe de um Poder.

💬 DaLua: P****, eu tô todo arrepiado aqui. E vou lhe falar mais, vou lhe dar mais um presente. O senhor quer mais um presente ou não?

Então é o seguinte: a gente vai comunicar o TCE desse nosso acesso à Justiça e na terça-feira eu já mandei aprovar as contas do nosso governador, que era prefeito, Clécio Luís. [...] eu tô preparando na próxima semana, sem ser essa, na outra já, a primeira CP - a Comissão Processante. O nosso governador disse que é pra atacar na Macapaprev, que é lá que o negócio tá pegando.