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Mulher trans é vítima de emboscada por patrões e namorado; vítima foi marcada com suástica nazista

A vítima conseguiu escapar sob ameaça de morte e procurou a polícia. Ela deverá passar por três cirurgias

Gabrielle Borges

Uma mulher trans de 29 anos, cuja identidade foi preservada, sofreu tortura e teve o braço marcado com uma suástica nazista em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. O crime teria sido articulado pelo namorado da vítima, Leonardo Duarte, de 22 anos, que confessou participação no ataque, ocorrido no último sábado (14).

De acordo com a vítima, Leonardo a convenceu a ir até a casa de seus patrões, Jackson Tadeu Vieira, de 38 anos, e Laysa Carla Leite Machinsky, de 25 anos, sob a promessa de pagamento por serviços de limpeza e corte de grama prestados por ela. Ao chegar ao local, a mulher foi levada ao escritório, onde foi ameaçada e imobilizada ao tentar fugir.

“Eu fui como funcionária normal receber meu pagamento. Quando entrei no escritório, meu namorado estava com uma fita de luta na mão e perguntou se eu queria morrer em pé ou deitada”relatou.

Marcada com faca quente

Durante a agressão, os suspeitos teriam utilizado uma faca aquecida para marcar o braço da vítima com uma suástica nazista. O casal reside na casa onde ocorreu o crime.

Em depoimento, Jackson e Laysa, patrões da mulher, alegaram que a vítima teria faltado ao serviço, o que teria levado Laysa a realizar as tarefas da residência, culminando em um aborto espontâneo, segundo o boletim de ocorrência.

A mulher conseguiu escapar sob ameaça de morte e procurou a polícia. Os três suspeitos foram presos na manhã de domingo (15), e a prisão preventiva foi decretada. O caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), com prioridade devido à gravidade das lesões.

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"Neste momento, aguardamos a conclusão dos laudos periciais, que são fundamentais para esclarecer a dinâmica do crime e a extensão das lesões, além de diligências complementares ainda em andamento", informou a delegacia.

O caso foi registrado como lesão corporal e tortura. Apesar de não haver indícios claros de motivação discriminatória, a polícia não descarta nenhuma hipótese. Com ferimentos na cabeça, no olho e no braço, a vítima precisará passar por pelo menos três cirurgias.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)