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Homem é preso suspeito de abuso sexual após citar criança morta há 19 anos; entenda o caso

Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi detido preventivamente pela Polícia Civil do Paraná, na manhã dessa quinta-feira (19)

Lívia Ximenes

Um homem de 55 anos, identificado como Martônio Alves Batista, foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR), em Londrina, suspeito de estuprar e matar Giovanna dos Reis Costa, em abril de 2006. O caso foi reaberto após a ex-enteada o denunciar por abuso sexual e relatar que a menina era citada por ele durante o crime. Giovanna foi assassinada em Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba.

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O corpo da menina foi encontrado em um matagal, há 19 anos, dentro de um saco de lixo. Giovanna estava com as mãos amarradas e possuía sinais de violência sexual. Na época, Martônio foi tido como suspeito, pois era vizinho da família, mas não houve pedido de prisão e outros se tornaram suspeitos.

Em 2018, ele havia sido detido por instalar câmeras no banheiro feminino da pastelaria que possui em Londrina. Logo depois, Martônio foi solto.

A delegada Camila Cecconello, responsável pelo caso de abuso à ex-enteada do suspeito, afirmou que ela procurou as autoridades e relatou que foi vítima dos 11 aos 14 anos. No período, a ex-enteada de Martônio não contou sobre o crime porque recebia ameaças de se tornar “a próxima Giovanna”. “Nas ameaças, ele sempre cita que ele já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima. Em alguma das circunstâncias, ele fala assim: 'eu já fiz mal pra uma Giovanna, você vai ser a próxima”, disse Camila.

A ex-enteada contou à mãe, que contratou um advogado, e juntas procuraram a polícia, após a prisão em 2018. Durante o depoimento, Martônio permaneceu em silêncio. Segundo a delegada, ele é investigado por outros crimes sexuais. O homem é suspeito de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável.

Na delegacia, a ex-companheira de Martônio relatou à delegada Camila que notou sinais de abuso contra a filha e confrontou o homem. “O Martônio, então, acaba dizendo para ela: 'você sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou testemunha, eu fui o autor'”, disse a delegada. De acordo com Camila, ele confessou como agiu no crime contra Giovanna e tudo “condiz exatamente com o que vimos na perícia”.

A defesa de Martônio alega que não teve acesso ao processo e espera novas manifestações. “Em relação às notícias que vêm sendo divulgadas sob a prisão do meu cliente, Martônio Alves Batista, informo que fui procurado, sim, para fazer a avaliação da situação jurídica sobre o caso. E, até o presente momento, não tivemos acesso à íntegra dos autos, nem ao processo e nem à decisão judicial que decretou a prisão preventiva do senhor Martônio. Portanto, qualquer manifestação mais aprofundada seria precipitada. O que posso informar é que no estado democrático de direito, toda pessoa tem o direito à ampla defesa, ao contraditório e a presunção de inocência. Assim que tivermos acesso oficial aos elementos do processo, adotaremos as medidas judiciais cabíveis, sempre com responsabilidade dentro da legalidade”, afirmou o advogado Eduardo Caldeira.

Caso Giovanna

image Giovanna Reis da Costa foi morta em 2010, aos nove anos (Reprodução)

Giovanna dos Reis Costa desapareceu aos nove anos, no dia 10 de abril de 2006. A menina vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras, quando sumiu. Após dois dias, em 12 de abril, o corpo da menor foi encontrado em um terreno.

A vítima estava amarrada com fios elétricos e envolvida em sacos plásticos. Conforme as autoridades, ela possuía “sinais extremos de violência sexual” e a perícia constatou que a morte foi por asfixia mecânica. As roupas da menina foram encontradas em outro terreno.

Na época do crime, Martônio Alves Batista era um dos principais suspeitos. Apesar de ser vizinho da família, o homem não mantinha laços de amizade. Quando Giovanna desapareceu e a polícia foi à casa dele, a mulher com quem era casado afirmou que ele estava sozinho em casa no momento.

As autoridades encontraram um colchão com mancha de urina na residência e solicitaram que a mulher aguardasse a perícia. Porém, quando a polícia retornou, o colchão não estava mais no local e toda a casa foi lavada com água sanitária. No quintal, havia sido encontrado um fio de energia idêntico ao que amarrava o corpo de Giovanna.

As investigações tomaram rumos diferentes e outras pessoas se tornaram suspeitas, mas foram inocentadas em 2012. A polícia acreditava se tratar de um possível ritual.