MENU

BUSCA

Anvisa apreende remédio falso para câncer, lote de Mounjaro e proíbe chip hormonal

A medida visa reforçar a segurança e garantir que apenas produtos regulamentados e seguros cheguem aos consumidores, protegendo a saúde pública contra fraudes e práticas ilegais

Gabrielle Borges

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou, nesta sexta-feira (20), um pacote de medidas voltadas para o controle de medicamentos de alto custo e grande demanda no Brasil. As ações afetam desde tratamentos oncológicos até remédios usados para diabetes e obesidade, e incluem uma importante proibição sobre a manipulação de implantes hormonais com nesterona em farmácias magistrais em todo o país.

Entre as principais providências, destaca-se a identificação de lotes falsificados de medicamentos amplamente utilizados, como o Mounjaro (tirzepatida), Enhertu e Botox. Além disso, a Anvisa também apreendeu anabolizantes que estavam sendo comercializados sem o devido registro.

Lote falsificado de Mounjaro 

A Anvisa emitiu um alerta sobre a circulação de um lote falsificado do medicamento Mounjaro (tirzepatida), utilizado no tratamento de diabetes tipo 2. A fabricante Eli Lilly do Brasil notificou a agência sobre a presença de unidades do lote D838838 com discrepâncias em relação ao produto original.

De acordo com a Anvisa, as embalagens do lote falsificado apresentavam sinais claros de adulteração, como:

  • Impressão borrada do nome e dos dados de rotulagem;
  • Espaçamento irregular entre o mês e o ano na data de validade.

Como resultado, a Anvisa determinou a apreensão do lote e proibiu o armazenamento, comercialização, distribuição, fabricação, importação e uso do produto. A medida afeta tanto pessoas físicas quanto jurídicas que possuam o medicamento.

VEJA MAIS

Nestlé recolhe fórmula infantil por erro em preenchimento de documento para Anvisa
O incidente ocorre após a Nestlé Brasil ter realizado, em janeiro de 2026, um recolhimento voluntário de outros lotes de fórmulas infantis pela presença da substância cereulide


Anvisa aprova vacina contra HPV para prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço


Anvisa investiga 6 mortes por pancreatite por uso de canetas emagrecedoras
O monitoramento reúne informações tanto do uso comercial desses produtos quanto de estudos clínicos.

Medicamento oncológico e botox

O medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), utilizado no tratamento de câncer de mama e outros tumores HER2 positivos também  foi suspenso. A fabricante Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica notificou a agência sobre a presença de unidades do lote 416466 com diferenças significativas em relação ao produto original.

Entre as irregularidades detectadas, foram observados:

  • Frascos maiores do que o tamanho habitual;
  • Descascamento na tampa;
  • Tampa metálica pintada de amarelo, substituindo a tampa plástica amarela característica do produto original.

Como resultado, a Anvisa determinou a apreensão imediata e proibiu a comercialização e distribuição desse lote em todo o país, garantindo que medidas sejam tomadas para proteger os pacientes que utilizam o medicamento. Além do Enhertu, também foi identificado um caso de falsificação envolvendo um lote específico de Botox.

Chips hormonais proibidos

A Anvisa emitiu uma nova resolução que proíbe, em todo o território nacional, a manipulação, comercialização, propaganda e uso de implantes contendo o hormônio nesterona em farmácias de manipulação. A medida foi formalizada pela Resolução-RE nº 642 e afeta todas as marcas e estabelecimentos que estavam oferecendo esses produtos.

Segundo a agência, foi constatada manipulação irregular de implantes com nesterona, uma substância que, até o momento, não recebeu a devida avaliação nem aprovação para sua eficácia e segurança no uso dessa forma de administração.

A Anvisa determinou, ainda, o recolhimento dos estoques existentes desses implantes, com a finalidade de impedir que continuem a ser comercializados ou distribuídos em farmácias e clínicas.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com.)