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Violência leva mulheres à busca por técnicas de autodefesa

Byanka Arruda

Quase quatro mil mulheres foram agredidas e 54 foram assassinadas por questões relacionadas ao gênero em 2018 no Pará. Os números são da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), que informou que as ocorrências de registradas de violência contra a mulher no ano passado totalizaram 3.957 casos em todo o Estado. Em 2017, foram 3.872. Em janeiro deste ano, já foram registradas 320 agressões contra as mulheres. Os números envolvem casos de agressão física, lesão corporal e vias de fato. 

Os números de feminicídio, isto é, assassinato de mulheres por questões estritamente ligadas à condição de ser mulher, quase dobraram ano passado no Pará. As tentativas de feminicídio praticamente quadruplicaram no Estado. Segundo o último levantamento da Segup, 54 casos foram registrados em 2018 e 29 em 2017. As tentativas de feminicídio foram 63 em 2018 e 16 em 2017, ou seja, quase quatro vezes mais.  

Diante de um cenário tão agressivo, inseguro, vulnerável para as mulheres, elas estão buscando cada vez mais alternativas para se blindar e se proteger da violência que as espreita todos os dias, dentro e fora de seus lares. Artes marciais, lutas, técnicas de defesa pessoal, condicionamento físico são alguns métodos que fazem a diferença no cotidiano das mulheres, especialmente quando o que está em risco é a própria vida.

Para a arquiteta Mayra Bentes, de 33 anos, que pratica defesa pessoal há três anos, as técnicas mudaram a forma de enxergar os perigos do dia a dia e também a própria auto imagem diante de possíveis situações de conflito. Hoje, ela diz que se sente mais confiante, que a defesa pessoal revelou uma mulher mais autônoma, independente. "Eu sentia a necessidade de ter mais preparo para várias situações da vida e vou levar os ensinamentos da defesa pessoal para sempre. Além da questão física, que ajuda bastante, eu me sinto mais segura em andar na rua. Antigamente, eu tinha medo de andar sozinha, não me sentia confortável. Lógico que não de madrugada, mas à noite, sozinha, volto para casa com a maior tranquilidade. Eu tenho essa confiança de que eu posso me defender, de que eu consigo. Muita coisa mudou para mim desde então. Melhorou minha confiança, minha autoestima, autonomia, me deixou mais alerta, mais atenta, a me impor mais. A defesa pessoal me empoderou como mulher", afirma. "Em um ambiente cheio de homens, eu tinha pavor de entrar, como quase todas as mulheres, mesmo que eles não fossem fazer nada. Em em dia eu lido com tranquilidade. Eu trabalho muito com obras, em uma profissão ainda predominantemente masculina, e lido normalmente. Me ajudou bastante, mudou muito a minha vida".

Em uma localidade com altíssimos índices de violência contra a mulher, a arquiteta aconselha as mulheres a procuraram formas de se resguardar. "Eu indico para todas as mulheres. Façam! É importante para a gente, a gente tem que ter isso na nossa vida, para aprender a se defender lá fora e também dentro de casa", sugere. 

A arquiteta lembra inclusive que já passou por situações delicadas e conseguiu resolver sem grandes complicações a partir dos ensinamentos da defesa pessoal. "Eu estava em uma festa, entrando no banheiro, já tinha bebido um pouco. Um rapaz me puxou pelo braço, aí na hora eu rapidamente entrei com uma técnica e saí da situação antes que ele pudesse me agarrar ou coisas do tipo. Ele se assustou e viu que não podia mexer comigo. Então foi um diferencial para mim. Foi quando eu percebi a importância da defesa pessoal na minha vida", lembra. 

A servidora pública Rosiane Esteves, de 29 anos, pratica defesa pessoal há quase dois anos. Para ela, que também é deficiente visual, a necessidade de aprender técnicas de auto salvamento surgiu por conta da sensação de violência crescente. "A gente vive em uma sociedade permeada de violência. A gente fica preso, refém, cada vez mais, principalmente nós, mulheres. A gente sempre, infelizmente, conhece alguém que já foi vítima de violência, de assédio. Tem a parte física, emocional, psicológica. Eu me sinto mais segura para andar sozinha na rua agora, principalmente no meu caso, que tenho uma deficiência visual, então eu me sentia muito mais vulnerável, a defesa pessoal me deu segurança. Eu espero nunca precisar, mas se precisar, eu já sei como defender corretamente, de uma forma que garanta que eu chegue viva em casa", destaca. 

De acordo com o instrutor de defesa pessoal Edson Neri Brasil, de 54 anos, que atua na modalidade há quase duas décadas, as mulheres tem demonstrado cada vez mais interesse em aprender a como se defender sozinhas em situações de perigo iminente. "Elas estão procurando mais. Para as mulheres, na situação de agressão, a primeira frente de defesa é a própria mulher, que na maioria das vezes vai estar sozinha diante do agressor, não vai ter outra pessoa para ajudá-la. A gente vê até situações em que existem pessoas próximas, mas ninguém interfere, por diversos motivos, até culturais. É a vida dela que está em jogo. Mulher sofre muita agressão por ela ser mulher mesmo, pelo simples fato de ser mulher", alerta. 

Belém
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