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Terapeuta usa música paraense para ajudar adolescente com transtorno auditivo

Entenda como a musicoterapia pode ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes neurodivergentes

Eva Pires e Lucas Quirino*
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Com diversos benefícios para a saúde, a musicoterapia é uma forma de tratamento que envolve arte e saúde, promovendo a comunicação, expressão e aprendizado, sendo também utilizada para o desenvolvimento de crianças e adolescentes com neurodivergências, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC). Em entrevista para o Grupo Liberal, a musicoterapeuta Guimely Melo, de Belém, explicou como a prática traz benefícios para as pessoas assistidas e compartilhou um vídeo emocionante, no qual o jovem Wendel Santos, de 15 anos, canta um sucesso da artista paraense Manu Bahtidão em uma das sessões.

O vídeo mostra o jovem e a profissional cantando a música "Par perfeito", junto ao musicoterapeuta Rafael Moraes, que acompanha a dupla no violão. Wendel, o estudante que aparece no registro, possui TPAC, um distúrbio do processamento auditivo central que dificulta o entendimento de sons em tempo ou forma adequada. Facilmente esta condição leva à desatenção e agitação, especialmente em sala de aula, onde o conteúdo auditivo tem grande importância.

Benefícios da musicoterapia

De acordo com Guimely, a prática é um campo de conhecimento que estuda os efeitos da música e a utilização de experiências musicais, que objetiva favorecer o aumento das possibilidades de existir e agir, seja no trabalho individual ou com grupos, como nas comunidades, organizações, instituições de saúde e sociedade. Além da atuação nos âmbitos da promoção, prevenção, reabilitação da saúde e de transformação de contextos sociais e comunitários, evitando dessa forma, que haja danos futuros ou diminuição dos processos de desenvolvimento do potencial das pessoas ou comunidades.

Assim, a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento e cuidado de crianças e adolescentes com condições neurodivergentes, potencializando o bem estar físico, emocional e cognitivo das pessoas. “Essa terapia desenvolve processos que colaboram para o desenvolvimento e bem-estar físico, emocional e cognitivo. Desse modo, entende-se que a musicoterapia, situada na música e na saúde, pode atender demandas desses jovens na busca por criar meios de fortalecer a comunicação, a ação e a criatividade, visando a inclusão, a reabilitação e o desenvolvimento humano”, informa a musicoterapeuta.

Como a musicoterapia age e o uso de músicas regionais

A música age diretamente na região do cérebro que é responsável pelas emoções, gerando motivação e afetividade, além de aumentar a produção de endorfina, uma substância naturalmente produzida pelo corpo, que gera sensação de prazer.“Isso acontece porque o cérebro responde de forma natural quando ouve uma canção e, mais do que lembranças, a música quando usada como forma de tratamento pode garantir uma vida mais saudável. Além disso, a música estimula diferentes áreas do cérebro responsáveis pela memória, movimentos, linguagem, tomadas de decisão e recompensa e influencia na transmissão de sinais químicos e impulsos elétricos no cérebro e no corpo”, aponta Guimely.

A especialista detalha que uma das formas de fazer musicoterapia é dançando, cantando, realizando exercícios vocais ou aprendendo técnicas de respiração que ajudam a expressar e melhorar as emoções, bem como controlar a impulsividade. Com isso, a prática busca estabelecer relações entre os estilos e ritmos musicais paraenses.

“É possível trazer uma memória de algo que a criança já viu em seu ambiente familiar, em seu bairro ou na escola. No caso do vídeo em questão, para estabelecer essa relação, descobrimos que ele gostava da cantora Manu Bahtidão e conseguimos que ele ficasse relaxado. Cantando a famosa frase “ ISSO É MANU , BAH-TI-DÃO”, abriu subdomínios que precisávamos trabalhar usando esse suporte musical”, relata, ao destacar o tratamento da pequena Agnes Lopes, 4 anos, paciente de musicoterapia. A garotinha possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sonha em aprender a música “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos.

image Guimely e a pequena Agnes Lopes, 4 anos, paciente de musicoterapia. (Arquivo pessoal)

Jovem com transtorno auditivo tem aptidão musical

A mãe de Wendel, Wandhersilia Santos, conta que o jovem sempre demonstrou uma maior sensibilidade para sons e notas musicais desde os três anos de idade. "Ele sempre cantou muito em casa. Ouvi falar na musicoterapia na escola dele. Ainda, na terapia ocupacional, foi notada a aptidão musical dele e o antigo terapeuta me orientou a procurar este atendimento. A partir disso, resolvi investir na musicoterapia", compartilha.

A autônoma destaca as principais vantagens da musicoterapia em comparação a outros tratamentos. "Eu escolhi a musicoterapia porque trabalha a parte lúdica e é mais dinâmica do que outras formas de avaliação. Depois que ele iniciou, ele ficou mais concentrado, melhorou a comunicação e ampliou o conhecimento sobre outros ritmos musicais, como pagode, forró e músicas dos anos 70, 80 e 90, fazendo um bem enorme para o desenvolvimento dele. Minha expectativas é que ele se torne mais independente e, quem sabe, um músico profissional", conclui.

*(estagiários sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do núcleo Atualidade)

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