Tempo bom favoreceu observação da "Lua de Sangue" em Belém

Núcleo de Astronomia da UFPA comemorou registros: outra chance só virá em 2022

Dilson Pimentel

Se tivesse sido na noite chuvosa e encoberta desta-segunda-feira (21), a observação do eclipse total da Lua, ocorrido na noite de domingo (20) e nas primeiras horas da madrugada de hoje, poderia ter sido frustrada - e outra chance como essa só viria em 2022. Por isso mesmo, o grupo de 12 estudantes, entre bolsistas e colaboradores, ligados ao Núcleo de Astronomia (Nastro) da Universidade Federal do Pará (UFPA), celebraram uma vitória: o registro do fenômeno foi um sucesso na capital paraense - e permitiu até o partilhamento de boas imagens da Lua de Sangue.  

Os estudantes do Nastro-UFPA passaram toda a última madrugada observando o eclipse total da Lua no Campus Básico da universidade. "Apesar de o céu ter ficado parcialmente nublado, considero que a observação do eclipse foi um sucesso. Eles conseguiram obter fotos muito boas com as câmeras dos celulares colocadas próximo às lentes oculares dos telescópios. Foram utilizados basicamente dois telescópios para produzir as imagens", avaliou o professor Luís Carlos Bassalo Crispino, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Física da Universidade Federal do Pará.

Eclipse da Lua visto de Belém: tempo favoreceu observação (Nastro - UFPA)


LUA DE SANGUE

O eclipse total da lua ocorre quando há um alinhamento perfeito entre sol, terra e lua. "Portanto, a lua passa pelo o que chamamos de cone de sombra da terra", acrescentou. E, durante esse evento, ocorreu o que algumas pessoas chamam de "Lua de Sangue". É que, no eclipse total, quando a lua mergulha completamente no cone de sombra da terra, ela tem um aspecto avermelhado.

"Isso ocorre por um efeito de borda da terra. Embora os raios de sol não atinjam a lua diretamente, por difração eles são desviados e uma pequena parcela deles atinge a terra. E essa parcela, na faixa do visível, é justamente mais para o lado vermelho. E, aí, acontece aquilo que algumas pessoas chamam de lua de sangue - quando a lua fica avermelhada", acrescentou Crispino.

Integrantes do Núcleo de Astronomia da UFPA: bons registros com nuvens (Nastro - UFPA)


NOVAS LUAS

Na agenda dos próximos eclipses da Lua, o professor adianta: haverá um eclipse parcial, cujos últimos momentos poderão ser acompanhados de Belém no início da noite do próximo dia 16 de julho.

"Mas a Lua estará próxima ao horizonte, aparecendo ao pôr-do-sol, com grandes chances de que as observações sejam prejudicadas por vegetação, prédios e nuvens", avisa o físico. 
 

NOVOS ECLIPSES

No ano que vem, em 2020, haverá, atipicamente, quatro eclipses penumbrais da Lua. Porém, eles não terão o mesmo efeito do registrado este fim de semana.

"Eclipses penumbrais não são muito impressionantes quanto à observação", esclarece Crispino. Praticamente, esses tipos de ocorrências seguem despercebidos dos observadores menos preparados e atentos. "Só com fotômetro [instrumento com que se mede a intensidade de uma fonte luminosa] é possível de percebê-lo. É que a lua passa no cone de penumbra e, aí, só baixa a luminosidade".

Nas próximas ocorrências agendadas pelos integrantes do Nastro, dois outros eclipses estão na mira dos telescópios paraenses: "Em 2021, teremos dois eclipses da Lua, um parcial e outro total. Tanto em relação ao eclipse total da Lua, de 26 de maio de 2021, quanto ao eclipse parcial da Lua, de 19 de novembro de 2021, a visualização não será tão boa em Belém. Poderemos acompanhar somente os momentos finais destes eclipses da Lua de 2021, sem chance do observar a 'Lua de Sangue'", ressalta Crispino.

"Já no dia 16 de maio de 2022, haverá um eclipse total da Lua, semelhante ao de hoje (segunda-feira, 21) em Belém, com excelentes possibilidades de visualização por aqui, incluindo a 'Lua de Sangue'", afirmou Crispino.

PARA POUCOS

Devido ao horário e às consequentes questões de segurança dentro da UFPA e em qualquer local público da cidade de Belém, o professor disse que o Nastro optou por não chamar o público para as observações da noite deste domingo.

"Um outro fator que nos levou a tomar esta decisão foi a possibilidade de chuva, de acordo com as previsões meteorológicas, o que poderia também danificar os telescópios. De qualquer forma, a veiculação da informação detalhada em O Liberal, com os horários corretos, foi muito importante para que a população paraense acompanhasse o eclipse desta segunda-feira. As pessoas puderam acompanhar o eclipse das janelas e quintais de suas casas, o que também foi muito bom", acrescentou Crispino.

Os estudantes que observaram o eclipse no Nastro/UFPA tiveram momentos de grande emoção, "Devido às condições climáticas de Belém, com grande umidade, localizada próximo ao Equador e rodeada pela floresta amazônica, é muito freqüente uma certa frustração pela não observação de um fenômeno astronômico", avaliou o físico da UFPA. "Não foi o que aconteceu na madrugada desta segunda-feira. Eles puderam ver a Lua em grande parte das mais de três horas de duração da fase parcial, e quase toda a fase total, tendo realizado, com seu próprios celulares aproximados das lentes dos telescópios, fotos das quais eles se orgulharam muito. Esta é, certamente, uma ocasião para se comemorar no contexto da Astronomia em Belém e no Pará".

A fase parcial do eclipse começou 0h34 de segunda-feira (horário de Belém) e se estendeu até 3h51 da madrugada. Já a fase total (quando a lua ficará completamente encoberta) durou de 2h12 até 2h43. Antes do fenômeno de hoje, o eclipse total da lua visível, em Belém, havia ocorrido em 28 de setembro de 2015.

 

  • MAIS: Leia essa matéria ao som de "The Killing Moon", de Echo and the Bunnymen

 

Belém
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