Sindicalista admite que mototaxistas não se previnem da covid-19 por causa de passageiros

Movimento já é considerado normal, após a categoria ver uma perda de até 80% dos clientes e migrar para outros serviços

Victor Furtado

Há mototaxistas que se descuidaram completamente em relação à pandemia de covid-19 — a doença letal causada pelo coronavírus sars-cov-2 —, pois os próprios passageiros também. A afirmação é do próprio presidente do Sindicato dos Mototaxistas Autônomos do Pará (Sindmapa), José Ribamar Silva, o "Alemão". Alguns profissionais entrevistados nas ruas, reconhecem que não se cuidam mais tanto quanto antes. E que os clientes também não fazem muita questão, usando o medo da doença como desculpa para não usarem capacete.

"Temos 1.179 mototaxistas legalizados atuando em Belém. A nossa orientação, do sindicato, é se prevenir. Usar álcool e máscara. Mas como o poder público não ajudou com isso, nem os passageiros cobram. Então vemos várias pessoas andando sem máscara por aí. São poucos os que seguem todas as recomendações. E olha que temos colegas que pegaram a doença e estão sequelas, como eu, que fiquei cego de um lado e com as pernas fracas, e mesmo assim não se protegem", comenta Alemão.

Na estimativa do Sindmapa, durante o pico da pandemia, entre março e maio, o movimento caiu entre 70% e 80%. Isso obrigou a uma série de adaptações, diz o sindicalista. Entre elas, estreitar o contato com os clientes e fazer serviços mais pessoais e personalizados, além de pequenos fretes. Entre trabalhadores legalizados, o sindicato vê que apenas pouco mais de 10 mototaxistas simplesmente abandonaram a profissão para viver de entregas e aplicativos. Com a retomada do movimento, alguns voltaram.

Entre os entrevistados pela Redação Integrada de O Liberal, os mototaxistas reconhecem não estar tão preocupados. Uns até acham que os problemas acabaram. E dizem que os passageiros não se importam tanto. O máximo de preocupação é dizer que não querem usar capacete. Os condutores não se importam e dizem apenas que é pra colocar em caso de fiscalização.

Emerson Carvalho diz que o vento que mototaxistas pegam os deixam livres do coronavírus. E que, mesmo com covid-19, só se isolou por dois dias. (Fábio Costa / O Liberal)

"Eu já peguei a covid-19. Passei mal dois dias, com febre. Foi o que fiquei em isolamento. No terceiro dia eu já estava bem e trabalhando. Mas a gente não está tão exposto. Pegamos o vento de frente e empurra para trás. Não tem nada no mundo que diga que a gente se contamina de novo. Para mim, o movimento já está normal. Deu uma quebrada no pico e agora tá tudo bem. Tirando os dias que fiquei doente, não parei de rodar", disse Emerson Carvalho, mototaxista há 10 anos, na praça do Marex.

Dienes Machado confirma a estimativa do sindicato e disse que sentiu o movimento cair até 80%. Ele foi dos que se virou e passou a fazer serviços particulares a clientes próximos: banco, farmácia, supermercado e entregas. Nos primeiros 20 dias, do pico da pandemia, ele não ia às ruas. "Acho que peguei a doença, não sei. Mas continuo usando máscaras e álcool gel. Só no começo que os passageiros eram mais exigentes. Agora parece que não ligam muito porque parece que a pandemia deu um tempo, depois que liberaram a hidroxicloroquina e a azitromicina. Não tem mais gente morrendo e passando mal", opinou.

Belém
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