Selagem de imóveis inicia levantamento para obras do Novo Mata Fome em Belém
Mais de 500 imóveis devem ser identificados nesta primeira etapa; trabalho vai subsidiar estudos sociais, habitacionais, urbanísticos e de regularização fundiária
A Prefeitura de Belém iniciou a selagem dos imóveis localizados no polígono do Mata Fome, como parte das etapas preparatórias para as futuras intervenções do Programa Novo Mata Fome. O procedimento identifica cada casa ou lote e reúne informações que serão utilizadas nos estudos técnicos e sociais que antecedem as obras de macrodrenagem.
O trabalho começou pela primeira quadra da Área Inicial, denominada Área 2, e deve avançar pelas cinco quadras previstas nesta etapa. A expectativa é identificar mais de 500 imóveis. Entre os dias 3 e 5 de agosto, 111 imóveis foram selados na primeira quadra. Já a terceira quadra começou a receber as equipes no dia 11. A previsão é concluir essa fase até 21 de agosto, podendo o cronograma ser ajustado conforme a dinâmica das visitas, a existência de imóveis fechados e a necessidade de diálogo com os moradores.
A selagem consiste na colocação de uma placa ou adesivo com um número de identificação na fachada do imóvel, após a autorização do morador. Segundo a Prefeitura, a numeração funciona como uma espécie de identificação individual da residência ou lote e permite que cada imóvel seja localizado e acompanhado nas etapas seguintes do levantamento.
O coordenador-geral do Novo Programa de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Igarapé Mata Fome (Prommaf), Wilson Neto, explica que a ação integra o levantamento técnico e social que será utilizado para definir as próximas fases do programa. “É uma visita multidisciplinar, com técnicos sociais e engenheiros, para fazer o levantamento dos imóveis e identificar a área que possivelmente terá intervenção de macrodrenagem”, explica.
Durante as visitas, as equipes apresentam o trabalho aos moradores e esclarecem que a selagem é apenas uma etapa de identificação. O procedimento não significa retirada ou interdição do imóvel e também não representa uma decisão de desapropriação ou remoção de famílias.
Após a conclusão da identificação dos imóveis, as equipes deverão retornar ao território para realizar o cadastro socioeconômico das famílias. Nessa etapa, serão levantados dados como número de moradores, composição familiar, renda, condições de moradia e informações relacionadas à saúde, entre outros aspectos.
“Depois de finalizar a etapa de identificação de todos os imóveis, a gente retorna para fazer o cadastro e, aí sim, coletar as informações das famílias. É esse levantamento que vai nos permitir planejar as próximas ações com responsabilidade”, afirma Wilson Neto.
Levantamento antecede obras de macrodrenagem
O cadastro das famílias deverá ajudar a Prefeitura a compreender as características sociais e habitacionais da região e orientar futuras ações relacionadas à habitação, urbanização e regularização fundiária.
As obras de macrodrenagem estão previstas para começar entre março e abril de 2027. Até lá, devem ser realizados levantamentos técnicos, estudos de engenharia, cadastramentos e outras etapas necessárias para definir as áreas que efetivamente serão impactadas pelas intervenções.
O Novo Mata Fome é uma intervenção de grande porte aguardada há anos pelos moradores de áreas como Pratinha, Tapanã, Parque Verde e São Clemente. Para Wilson Neto, o trabalho realizado atualmente representa uma etapa necessária para que a transformação do território seja planejada a partir das características encontradas em campo.
“É uma área importante, um movimento histórico, uma obra histórica para a Prefeitura de Belém e para a cidade, aguardada durante muitos anos pela população. A Prefeitura está empreendendo diversos esforços para avançar e entregar qualidade de vida, dignidade e pertencimento para essa população”, destaca.
Moradores acompanham expectativa por melhorias
Moradores que vivem há décadas na região acompanham o início do levantamento e relatam a expectativa de que as intervenções possam enfrentar problemas históricos de infraestrutura e alagamentos.
O pedreiro Ivaldo Morais Rodrigues, de 60 anos, mora há 26 anos na travessa 10 de Junho, às margens do canal do Mata Fome. Para ele, a presença das equipes representa uma oportunidade para que o poder público conheça de perto a realidade da comunidade. “A gente mora aqui há muitos anos e conhece as dificuldades que existem. É importante que a Prefeitura venha conversar com os moradores e conhecer de perto como a gente vive. A esperança é que esse trabalho traga melhorias para toda a comunidade”, comenta.
Na mesma via, Patrícia Santos, de 45 anos, e o marido, Sedy Ribeiro, de 67 anos, também receberam as equipes do programa. O casal mora há mais de 30 anos no local com os dois filhos.
Patrícia considera importante que os moradores sejam ouvidos antes da execução das obras. “É importante eles virem aqui, conversarem com a gente e saberem quem mora em cada casa. A gente tem uma história aqui e espera que as melhorias tragam mais segurança e qualidade de vida para as famílias”, dejesa.
Sedy também destaca a expectativa da comunidade. “Se estão fazendo esse levantamento primeiro, é porque precisam conhecer a situação de cada família. O importante é que o morador seja ouvido e que as melhorias realmente cheguem para quem vive aqui”, reforça.
Atendimento às famílias ocorre paralelamente
Além do trabalho de selagem, a Prefeitura de Belém realiza no território um cadastramento de famílias atingidas pelas fortes chuvas registradas em abril deste ano. A ação é desenvolvida em parceria com o Governo Federal.
A partir desse levantamento, está prevista posteriormente a entrega de mil kits às famílias cadastradas. Os itens incluem materiais destinados a diferentes necessidades, como higiene, dormitório, colchões e cestas básicas.
As duas frentes fazem parte do acompanhamento das famílias que vivem no território e da identificação das principais necessidades da população.
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