Polícial Civil admite que morte de PM está ligada a chacina no Tapanã

Preso, Michel Mafra, o "Noinha", foi hoje apresentado como envolvido no assassinato do policial

Redação Integrada de O Liberal

A assessoria de imprensa da Polícia Civil admitiu esta manhã, em nota, que há relação entre a morte do sargento PM João Batista Menezes Dias, o Jota Batista, ocorrida em 24 de outubro deste ano, com a série de assassinatos que ficou conhecida como a Chacina do Tapanã, registrada no dia 29 de outubro. Essa é a primeira vez que essa relação direta é admitida formalmente em nota emitida pelas autoridades de segurança pública do Estado.

No texto da nota, divulgado por volta das 11h da manhã local (12h no horário de verão), a Polícia Civil convoca a imprensa para a apresentação da prisão de Michel Mafra Carneiro, de 19 anos, conhecido como "Noinha", na Divisão de Homicídios em São Brás. Segundo diz a Polícia Civil, Mafra é acusado de estar "envolvido na morte do sargento PM João Batista Menezes Dias" e diz que o crime "desencadeou a Chacina do Tapanã".

Segundo a Polícia Civil, Michel Mafra Carneiro foi preso no dia 28 de novembro, em Santa Helena, município do Maranhão. Mafra teve mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Pará - e requerido por policiais da Delegacia de Homicídios de Agentes Públicos (DHAP). O delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios, falou sobre a prisão no final da manhã.

No início da tarde, a assessoria da Polícia Civil, retomou posicionamento após divulgação da nota da manhã: informou à redação integrada de O Liberal que o delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios, "não confirmou haver ligação entre os fatos", e que "tudo está sob apuração".

Segundo declarou a assessoria da Polícia Civil, é fato que "a chacina ocorreu após a morte do PM". Porém, conforme ressaltou depois, "o delegado informou na coletiva que as investigações prosseguem para apurar os fatos e se há vinculação entre eles".

Segundo a Polícia Civil, apesar de tudo que foi dito em nota hoje, sobre a possibilidade do assassinato ter desencadeado as mortes no Tapanã, "no momento, ainda não é possível afirmar essa vinculação".

RELEMBRE O CASO

O sargento da PM João Batista Menezes Dias, foi assassinado na noite do dia 24 de outubro, no bairro do Tapanã, em Belém. Testemunhas relataram que os assassinos chegaram em uma moto. Supostamente, já sabiam que ele era policial, e o assassinaram com um tiro na cabeça, fugindo depois e levando a arma dele.

A série de assassinatos que ficou conhecida como a Chacina do Tapanã ocorreu cinco dias após a morte do sargento da Polícia Militar. De acordo com a Segup, 11 pessoas foram baleadas. Oito delas morreram no dia do crime: cinco nos locais de baleamentos e três após serem levadas para atendimento médico, na Unidade Básica de Saúde do Tapanã. Outras três ficaram feridas após os baleamentos.


A série de baleamentos começou ao final da tarde do dia 29 de outubro: seis homens foram vistos em três motocicletas, circulando pelas ruas do Tapanã, efetuando vários disparos contra pessoas que estavam em vias públicas.

"Não temos como produzir nenhum juízo de valor sobre a motivação do crime. Precisamos de um conjunto probatório mínimo, para dizer qual a motivação e os autores do crime. A princípio, a Polícia Civil lamenta o ocorrido, mas não está medindo esforços para solucionar o caso", disse à época o Delegado-Geral Cláudio Galeno, em coletiva de imprensa, ao falar das investigações do caso.

As pessoas vitimadas na ação que é investigada pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil foram baleadas em diferentes áreas do Tapanã. Informações preliminares colhidas pela polícia já indicavam que os crimes ocorreram em sequência.

As vítimas foram: Manoel Edilasio Moraes dos Santos, 25, morto na esquina da travessa Haroldo Veloso com  Quinta Rua; Fernando Pantoja da Costa, 18, morto na rua Almirante Tamandaré, próximo à passagem Uberaba; Moisés Pereira de Moraes, 22, assassinado na rua Maria de Nazaré, próximo à Estrada da Piçarreira; Thiago Luiz Moraes dos Santos, 23, e Jacob Almeida Braga, 22, mortos na rua das Violetas, próximo à travessa das Margaridas.

Diego Borges, Sávio Miller Silva e David Thiago chegaram a ser socorridas e morreram depois. À época, a Segup pediu que informações fossem repassadas anonimamente ao Disque-Denúncia (181) para auxiliar a investigação do episódio.

APURAÇÃO

As testemunhas da chacina começaram a ser ouvidas  no dia 1º novembro pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil. Investigações preliminares já apontavam que a atuação dos criminosos foi organizada. Onze inquéritos foram instaurados e até o momento nenhum dos responsáveis pelo baleamento foi identificado ou preso pela polícia.

Segundo disse a polícia na época, apesar da certeza que que a ação dos atiradores foi organizada, só as investigações poderiam dizer "se aquelas pessoas estavam marcadas para serem mortas ou se foi um ato aleatório”, disse o delegado Galeno.

Dez assassinatos em série já foram registrados este ano na Região Metropolitana de Belém - incluindo os desfechos da Operação Diataxi 7, que baleou cinco pessoas, entre os quais quatro tiradores de barro do Paracuri, e matou dois entre esses baleados - entre eles o barreirense Osmair Monteiro, 42. Em seis dos casos de assassinatos em série relatados, as mortes teriam sido motivadas após a execuções de policiais.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup), sustenta que a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) não classifica as mortes do Tapanã como chacina por não terem ocorrido na mesma hora e lugar - ou por não haver uma confirmação da relação entre as mortes. Assim, a Segup considera apenas três chacinas entre 2014 a 2018.

Belém