Motoristas tomam ciclofaixas na Júlio César e ameaçam ciclistas e pedestres: veja

Cena pode ser vista todos os dias na via: sem fiscalização, carros e motos fazem manobras de risco

Redação integrada de O Liberal

A redação integrada de O Liberal registrou na manhã desta terça-feira (11) flagrantes de imprudência, desrespeito às normas básicas de trânsito e riscos impostos a pessoas que praticam exercícios físicos e principalmente a ciclistas que trafegam pela avenida Júlio César, no bairro do Marco. A rotina se repete todos os dias, no horário de grande movimento de ida ao trabalho e às escolas, entre 7h e 8h da manhã. Veja:
 

Para fugir dos engarrafamentos, motos e carros trafegam livremente pela ciclofaixa, que também é usada para caminhadas e outras atividades esportivas. A prática ilegal no trânsito só aumenta o risco de acidentes na avenida - e não é difícil ver carros e motos tomando espaço de ciclistas e pedestres, fechando biclicletas e obrigado pedestres a sair da ciclovia.

FISCALIZAÇÃO

Esta manhã, até uma viatura da Polícia Militar foi flagrada pela equipe de reportagem fazendo a mesma manobra irregular na avenida, tomando a faixa de ciclistas, em alta velocidade, no sentido do viaduto da Júlio César à Almirante Barroso.

Motos e carros usam ciclofaixa como pista: alta velocidade e riscos (Lázaro Magalhães)

Na pista oposta à escola militar Rego Barros, carros também foram flagrados parados sobre a ciclovia, para desembarques de estudantes do estabelecimento de ensino.

"FISCALIZAÇÂO É CONSTANTE"

A redação integrada de O Liberal apurou junto à Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) detalhes sobre como é feita a fiscalização e o ordenamento de trânsito na via. Em nota encaminhada à redação, o órgão disse que a fiscalização ao longo da avenida Júlio César é "realizada de forma constante, por meio de rondas em motos e viaturas". Segundo a Semob, "nos horários de pico os agentes de trânsito atuam em um ponto fixo, localizado no cruzamento da Júlio César com a avenida Almirante Barroso", o que, segundo diz a superintendência, ordena o fluxo de veículos na área.

Conforme verificou a reportagem nesta manhã, esse modo de fiscalização não tem conseguido intimidar as ocorrências de uso da faixas de ciclistas na Júlio Cesar.

Segundo ainda diz a Semob, em nota, a avenida Júlio César "foi uma das primeiras vias a receber fiscalização eletrônica na atual gestão". Segundo a superintendência de mobilidade do município de Belém, os aparelhos foram instalados na via "para evitar acidentes e garantir mais segurança, principalmente durante a travessia de pedestres", porém, uma passarela "foi instalada na avenida" e os aparelhos "foram remanejados para outros pontos".

SEM DADOS

A Semob diz também que a avenida Júlio César é "rota constante dos agentes de trânsito ciclistas". Segundo diz a superintendência, uma equipe "atua ao longo das ciclofaixas, orientando pedestres e ciclistas e autuando condutores que trafegam ou estacionam no espaço que deve ser de uso exclusivo da bicicleta".

A reportagem da redação integrada de O Liberal também pediu à Semob informações que ajudassem a reportagem a levantar o número de acidentes ligados às ciclofaixas da Júlio César. A superintendência disse que não dispõe de tais dados.

POLÍCIA

Sobre a viatura observada esta manhã circulando pela faixa da ciclovia da Júlio César, no perímetro entre Brigadeiro Protásio e elevado da Júio César, no sentido viaduto-Almirante Barroso, a redação pesquisou junto ao Código de Trânsito Brasileiro (STB) se é manobra irregular o carro de polícia tomar a faixa de ciclistas.

Sobre a livre circulação e estacionamento, conforme o artigo 29, inciso 7, o CBT diz que veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, como os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e ambulâncias, além de terem prioridade de trânsito, têm direito a "livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente".

Como observou a reportagem, de O Liberal, o carro da Polícia Militar avistado esta manhã circulando na ciclofaixa da Júlio Cesar não tinha a sirene ou luzes intermitentes ligadas para sinalizar que estava em ação. Em tese, essa conduta também gera riscos aos demais usuários da ciclofaixa. 

O CTB diz ainda que, nesses casos, os dispositivos devem estar acionados, justamente para indicar "a proximidade dos veículos", e para que "todos os condutores deixem livre a passagem pela faixa da esquerda", devendo os demais condutores irem "para a direita da via e parando, se necessário".

O código de trânsito também ressalta que o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente "só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência".

Parada para desembarque na ciclofaixa, na pista oposta a uma escola: desrespeito (Lázaro Magalhães)

   

Belém
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