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Morre Zélia Amador de Deus, professora emérita da UFPA, aos 76 anos

Intelectual paraense foi vice-reitora da UFPA, fundadora do Cedenpa e referência na luta antirracista e por ações afirmativas

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A professora universitária, escritora, atriz, diretora de teatro e militante dos direitos da população negra Zélia Amador de Deus morreu aos 76 anos, nesta terça-feira (8), em Belém. Paraense, ela construiu uma trajetória ligada à Universidade Federal do Pará (UFPA), ao movimento negro e à defesa de políticas de ações afirmativas.

Zélia foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e teve participação ativa na defesa dos direitos das comunidades quilombolas. Na UFPA, onde desenvolveu parte importante da trajetória acadêmica e profissional, chegou ao cargo de vice-reitora entre 1993 e 1997 e recebeu, em 2019, o título de professora emérita.

Zélia Amador nasceu em território quilombola no Marajó

Zélia Amador de Deus nasceu em 24 de outubro de 1949, no território quilombola de Mangueiras, em Salvaterra, no Marajó, no Pará. Filha de uma empregada doméstica adolescente, mudou-se para Belém aos 15 anos e passou a morar no bairro da Sacramenta.

Na capital paraense, estudou no Externato Santo Expedito e, posteriormente, no Instituto Catarina Labouré. Antes de entrar na universidade, também foi aluna do Instituto de Educação do Pará (IEP).

No início da década de 1970, ingressou na licenciatura plena em Língua Portuguesa da Universidade Federal do Pará. Embora tivesse vivenciado episódios de racismo durante a infância e a adolescência, foi no ambiente universitário que intensificou a atuação no movimento negro.

Em 1978, iniciou especialização em Teoria Literária na UFPA. Dez anos depois, entrou no mestrado em Estudos Literários da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em 2004, iniciou o doutorado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Pará.

Militância de Zélia Amador marcou luta antirracista no Pará

A participação de Zélia Amador de Deus em movimentos sociais começou antes mesmo da graduação. Ela integrou a Cruzada Mariana durante o período em que estudou no Instituto Catarina Labouré e também participou do grupo de jovens da Paróquia São Sebastião.

Zélia ainda passou pelo movimento secundarista e pela Ação Popular (AP). Após a fusão da organização com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), ingressou na VAR-Palmares, em Belém.

Como uma das fundadoras do Cedenpa, atuou na defesa do reconhecimento e da titulação de terras pertencentes às comunidades quilombolas do Pará. Em 2001, esteve entre os representantes brasileiros na Conferência de Durban, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na Universidade Federal do Pará, Zélia teve atuação na defesa das ações afirmativas voltadas à população negra e participou da criação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012). Em parceria com outros professores, também esteve na fundação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) e do Grupo de Estudos Afro-Amazônico (GEAM/UFPA).

Professora também teve trajetória no teatro e na literatura

Além da carreira acadêmica e da militância política e social, Zélia Amador de Deus teve atuação como atriz, escritora e diretora de teatro.

Na literatura, publicou, em 2021, a obra Caminhos Trilhados na Luta Antirracista, relacionada à trajetória de mobilização e enfrentamento ao racismo.

Ao longo da vida, Zélia recebeu títulos e homenagens pelo trabalho desenvolvido na universidade, na cultura e na defesa dos direitos da população negra.

Entre os reconhecimentos recebidos por Zélia Amador de Deus estão:

  • título de Cidadã de Axé, concedido pela Associação dos Filhos e Amigos do Ilê Iyà Omi Ásé Ofá Karè, em 2004;
  • reconhecimento pela dedicação à consolidação do Sindicato dos Docentes da UFPA (Adufpa), em 2014;
  • título de Honra ao Mérito do Conselho Estadual de Segurança Pública do Estado do Pará, em 2014;
  • Comenda Mãe Doca, da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), em 2015;
  • título de professora emérita da UFPA, em 2019;
  • Prêmio de Direitos Humanos da BrazilFoundation's Human Rights Award, em outubro de 2021.

Trajetória de Zélia Amador recebeu diferentes homenagens

A contribuição de Zélia para a luta antirracista, a universidade e a cultura também foi lembrada em diferentes ocasiões. Em 2014, ela foi a intelectual negra homenageada durante o VIII Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as).

A professora também recebeu homenagem da escola de samba Os Colibris de Belém e foi a escritora homenageada da 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, realizada em setembro de 2019.

Sua trajetória ainda inspirou o curta-metragem Amador, Zélia, desenvolvido pela produtora Floresta Urbana, além de ter sido reconhecida com o Prêmio de Direitos Humanos da BrazilFoundation.

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