Moradores prometem impedir entrada de caminhões de lixo no aterro de Marituba

Manifestantes fazem caminhada e prometem acampar em frente ao local

Redação Integrada

Moradores de Marituba ocupam na manhã desta sexta-feira (31) uma das pistas da BR-316, sentido Ananindeua. Os manifestantes pedem o fechamento do aterro sanitário de Marituba, que chamam de "lixão".

O grupo se concentrou desde as primeiras horas da manhã na praça Matriz, no centro de Marituba. A ideia dos moradores é acampar em frente à empresa, para impedir que os caminhões depositem o lixo no aterro. Uma das faixas diz: "Proibido jogar lixo aqui em Marituba". Assista:
 

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FAMÍLIAS DENUNCIAM IMPACTOS

"A gente não tá aguentando mais. As crianças estão passando mal, com dor no estômago, vomitando. A gente acorda de manhã e não consegue tomar café por causa do chorume (do aterro)", afirmou. "Tudo isso depois desse lixão, que começou a prejudicar as crianças e os idosos, que também passam mal", pondera a servidora pública municipal Suzy Vidal, de 27 anos. Ouça:

BLOQUEIO A CAMINHÕES

Um grupo de cerca de 60 moradores está, desde a 6h de hoje, acampado na estrada que leva ao aterro de Marituba. Eles colocaram galhos de árvores atravessando a pista, distante 200 metros da entrada do aterro. Eles disseram que, desde então, nenhum caminhão que transporta lixo entrou no aterro sanitário.

Após pegarem a BR-316, no sentido Marituba, os moradores seguem para pegar a Alça Viária. A ideia dos moradores é seguirem acampados em frente à empresa que gerencia o aterro, para impedir que os caminhões depositem o lixo na área.

PMs acompanham o protesto e há uma viatura na entrada do portão da empresa, que já foi cerrado com paus pelos manifestantes. Os moradores garantem que não vão invadir o aterro. O prefeito de Marituba, Mário Filho, também foi ao local do protesto. Ouça:

SEM PREVISÃO PARA ACABAR

"Caminhões de lixo não vão passar por aqui", reforça Hélio Oliveira, um dos coordenadores do Fórum Permanente Fora Lixão, reforçando que moradores vão montar acampamento na estrada de acesso ao aterro, por tempo indeterminado.

"O dia de hoje é uma vitória parcial por conta do que precisará ainda ser feito com o fechamento do que chamamos lixão da Revita. Aqui ainda tem acumulados 240 milhões de chorume. O chorume precisa ser tratado. Não é à toa que Ministério Público de Marituba bloqueou 115 milhões reais da empresa para dar continuidade ao tratamento do chorume. Esse empreendimento causou mazelas à população, com problema seríssimo de saúde aos moradores", avalia Hélio Oliveira.

Segundo Oliveira, a população não tem mais vida saudável. "Os imóveis de Marituba também estão desvalorizados. São mais de quatro anos de luta que a população vem trazendo e de denúncias das mazelas causadas pelo lixão, que depositou chorume nos igarapés. Três diretores foram presos. A decisão dos moradores é de fechar o aterro. Vamos manter acampamento permanente aqui (na estrada de acesso ao aterro) para ver se não entra nenhum tipo de transporte com resíduos de Belém, Ananindeua e Marituba", garante o coordenador do Fórum Permanente Fora Lixão, Hélio Oliveira. Ouça:

EMPRESA DIZ QUE ATERRO NÃO FECHOU

Em nota emitida no final desta manhã, a Guamá Tratamento de Resíduos disse que o aterro sanitário de Marituba "está em operação para receber e tratar os resíduos de Belém, Ananindeua e Marituba, conforme previsto, até a meia-noite do dia de hoje, 31 de maio".

A empresa ressaltou que o encerramento das atividades "foi comunicado há seis meses e divulgado amplamente na imprensa".

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Belém
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