A volta do lixão do Aurá

Na véspera do último dia de funcionamento do aterro sanitário de Marituba, o lixão do Aurá surge como alternativa proposta pela Prefeitura de Belém. Mas seria essa uma solução? Entenda a história do lixão e os riscos ambientais que ele ainda representa quatro anos depois de ser desativado

Equipe | Conexão AMZ

Uma bomba relógio que precisa ser desativada. Há quase um ano, em entrevista à Conexão AMZ, foi assim que o pesquisador Marcelo Lima, do Instituto Evandro Chagas (IEC), classificou o então desativado lixão do Aurá, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Pois o que pode ocorrer nos próximos dias é justamente o contrário. 

Em meio à polêmica do fechamento do Aterro Sanitário de Marituba, que deixará de receber o lixo de Belém, Ananideua e Marituba, nesta sexta-feira (31), a solução encontrada pela Prefeitura de Belém foi reabrir o Aurá, desativado há quatro anos. O anúncio foi feito pelo próprio prefeito, Zenaldo Coutinho, em vídeo divulgado nos redes sociais.

Responsável pela gestão do aterro sanitário de Marituba, a empresa Guamá Resíduos Sólidos respondeu, por meio de nota, ao vídeo do prefeito. A Guamá diz, entre outras coisas, que "não se trata de mera questão econômica", como dá a entender a prefeitura. Segundo a empresa, "para a continuidade do serviço de recebimento de resíduos, é necessário expandir a atual capacidade do aterro. E isso está condicionado a uma série de licenças, estudos, autorizações e comum entendimento entre diferentes órgãos para garantir segurança ambiental e operacional do empreendimento".

Para o vereador Fernando Carneiro (PSOL), no entanto, o caos na coleta de lixo da Grande Belém é uma tragédia anunciada há muitos anos. "As prefeituras foram omissas em relação a escolha de um local adequado para a destinação dos resíduos sólidos da região metropolitana", acusa. "O lixão do Aurá não foi recuperado, o aterro de Marituba cometeu diversos crimes ambientais e as prefeituras (de Belém, Ananideua e Marituba) ficaram omissas", reforçou o vereador, que questiona ainda a existência de licença ambiental para que o Aurá volte a receber resíduos. 

Esse, porém, não é o posicionamento de todos os parlamentares. Presidente da Câmara Municipal de Belém, o vereador Mauro Freitas (PSDC), divulgou uma nota afirmando "repudiar o abuso econômico da empresa e está de acordo com a proposta de reativação do serviço de tratamento de resíduos sólidos no Aurá, caso não haja alternativa, com a garantia da redução de impactos ambientais." 

IMPACTOS

Desativado em 2015, o lixão do Aurá continua representando graves impactos ambientais e sociais, conforme a Conexão AMZ constatou em junho do ano passado, durante uma visita ao local. Na época, o IEC já analisava o impacto do chorume na fauna e na cadeia alimentar das populações ribeirinhas ao longo do rio Aurá. Outro risco é a combustão espontânea de gás, decorrente da decomposição da matéria orgânica. Segundo Lima, a fumaça resultante dessa combustão é cancerígena. 

Confira a reportagem completa com o pesquisador: Aurá: uma bomba-relógio

Conexão AMZ
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