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Missa de sétimo dia de Zélia Amador de Deus será realizada na segunda-feira (14)

Com o tema “Eu sou porque nós somos”, referência à filosofia africana Ubuntu, a missa deve reunir familiares, amigos, integrantes do movimento negro, pesquisadores, estudantes e pessoas que acompanharam a trajetória de Zélia

Fabyo Cruz
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A missa de sétimo dia de Zélia Amador de Deus será realizada na segunda-feira (14), às 20h, na Igreja do Carmo, localizada na travessa Dom Bosco, Nº. 69, no bairro da Cidade Velha, em Belém. A celebração será marcada pela homenagem à professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), que morreu no dia 8 de setembro, aos deixar um legado de resistência e luta pelos direitos da população negra e quilombola.

Com o tema “Eu sou porque nós somos”, referência à filosofia africana Ubuntu, a missa deve reunir familiares, amigos, integrantes do movimento negro, pesquisadores, estudantes e pessoas que acompanharam a trajetória de Zélia. A expressão escolhida para a celebração remete à ideia de que a existência individual está ligada à coletividade e às relações construídas ao longo da vida.

Nascida no território quilombola de Mangueiras, no Marajó, Zélia Amador de Deus tornou-se uma das principais referências da luta antirracista na Amazônia. Sua trajetória foi marcada pela defesa dos direitos da população negra, pela educação e pelo enfrentamento ao racismo.

Trajetória

Uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), Zélia teve participação na luta pelo reconhecimento e pela titulação de territórios quilombolas, além da defesa das ações afirmativas e da ampliação do acesso da população negra à educação.

Na UFPA, onde também exerceu o cargo de vice-reitora, participou da criação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos. A atuação acadêmica contribuiu para fortalecer a discussão sobre relações raciais na universidade e para a formação de novas gerações de pesquisadores e militantes.

Além da atuação na universidade e no movimento negro, Zélia era Conselheira Notório Saber do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR). Ao longo da carreira, também se tornou uma referência na defesa da memória, da identidade e dos direitos das comunidades negras e quilombolas.

Legado

A morte de Zélia Amador de Deus deixa como legado uma trajetória dedicada à produção de conhecimento, à educação e à transformação social. Sua atuação ultrapassou os espaços acadêmicos e alcançou movimentos sociais e comunidades que lutam pelo reconhecimento de direitos e pela igualdade racial.

Zélia fazia tratamento contra um câncer de mama. Segundo as informações divulgadas, ela passou mal e foi levada a um hospital em Belém, onde morreu. A família não divulgou detalhes sobre a causa médica exata do óbito.

A missa desta segunda-feira será, além de uma cerimônia religiosa, um momento de homenagem à trajetória de uma das vozes de destaque na defesa da população negra e quilombola no Pará e na Amazônia.

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