Médico e ecologista Camilo Vianna morre aos 93 anos; corpo foi velado em Belém

Ele dedicou 80 anos da vida à preservação da Amazônia

Eduardo Rocha

No momento em que a Amazônia está na pauta internacional entre chefes de Estado, por causa das queimadas, a região perde um de seus maiores defensores: faleceu na noite desta terça-feira (10) o médico e ecologista Camillo Martins Vianna. Ele tinha 93 anos de idade e foi vítima de complicação renal, como informou a família. Camilo Vianna faleceu por volta das 22h30 em um hospital particular em Belém. Ele tinha 80 anos de defesa da Amazônia, atuando dentro e fora do Brasil.

O corpo está sendo velado em uma cerimônia na Federação Educacional Infantojuvenil (FEIJ), na avenida Magalhães Barata, em frente ao Parque da Residência, no bairro de São Brás. Às 16 horas, saiu o enterro com destino ao Cemitério Max Domini, em Marituba.

O corpo de Camilo Vianna é velado por familiares, amigos e admiradores de seu trabalho (Ivan Duarte / O Liberal)

Camillo Vianna notibilzou-se como um ecologista atuante. Ele foi um dos pioneiros no Estado e na Região Amazônica a falar sobre a preservação do meio ambiente, referindo-se à floresta. Conhecedor profundo da flora e fauna amazônidas, Vianna tornou-se referência para pesquisadores, jornalistas e entidades preocupados com a preservação da Floresta Amazônica.

Para encaminhar projetos e acirrar a luta em prol da Amazônia, Camillo Vianna fundou, em 1968, a Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Culturais da Amazônia (Sopren). Camillo Vianna nasceu em Belém, em 14 de abril em 1926. Destacou-se como médico, folclorista e, sobretudo, como ambientalista. Ele se formou pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Estado do Pará e teve no Museu Paraense Emílio Goeldi seu primeiro emprego.

Vianna buscou sempre sensibilizar gestores públicos e a sociedade em geral acerca da necessidade de serem preservados os recursos naturais na região, como estratégia de sobrevivência não apenas dos povos e comunidades tradicionais que vivem na Floresta Amazônica, mas, também, cidadãos dos núcleos urbanos. Por diversas ocasiões, o médico e ambientalista posicionou-se em manifestações contra o desmatamento e uso irracional de áreas verdes na região.

Idealizou as Semanas Amazônicas de Preservação e organizou o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. Camilo Vianna atuou na educação, saúde e meio ambiente na Região do Tapajós e contribuiu na alfabetização de comunidades ribeirinhas, inclusive, utilizando cordéis. Atuou como vice-reitor e pró-reitor de extensão da Universidade Federal do Pará. 2018, quando a Universidade do Estado do Pará (Uepa) completou 25 anos, Camillo Vianna recebeu o título de doutor honoris causa em reconhecimento ao seu trabalho em prol da região que tanto amou.

Belém
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