Falso detetive é preso por estelionato

Mesmo sem qualquer credencial válida, ele dizia ter cinco anos de experiência.

Byanka Arruda, Redação Integrada

Roberto Roosevelt Nascimento Bahia, de 42 anos, foi preso em flagrante na manhã desta quinta-feira (27), no bairro da Cidade Nova, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, acusado de estelionato. Ele se apresentava como detetive particular e oferecia serviços de investigação, principalmente relacionados à infidelidade conjugal. Ele foi preso após denúncia de uma de suas vítimas à Divisão de Investigação e Operações Especiais (DIOE).

De acordo com a DIOE, o falso detetive não tinha nenhuma licença, curso ou preparo para desempenhar as funções que prometia às vitimas, apesar de alegar que atuava como investigador há cerca de cinco anos. Todas as credencias apresentadas por ele também eram falsas. Ainda não há confirmação de quantas pessoas ele teria enganado neste período em que agia como falso detetive, há pelo menos quatro anos.

A DIOE espera que, com a prisão e divulgação da imagem e nome dele, outras pessoas prestem queixa. Os preços pelos supostos serviços de investigação eram variados, chegando até R$ 2 mil. Suspeita-se inclusive que uma das vítimas tenha pago aproximadamente R$ 40 mil pelos trabalhos de "apuração" do falso detetive. Roberto, entretanto, após receber os valores das vítimas, desaparecia sem deixar pistas e sem entregar os resultadas das investigações prometidas durante a contratação. Ele atuava através de um site chamado Detetive 24 horas. 

Roberto prometia às vítimas, em geral mulheres, que conseguiria resgatar até três meses de conversas telefônicas, além de monitorar e interceptar as escutas de aparelhos dos investigados - prática que, segundo a polícia, é impossível por dois motivos: primeiro, de acordo com o diretor da DIOE, delegado Neyvaldo Silva, as conversas telefônicas só podem ser monitoradas a partir do momento em que o sigilo telefônico é quebrado, não sendo possível retroagir as escutas; segundo, a interceptação telefônica necessita, obrigatoriamente, de autorização judicial. 

No momento de sua prisão, Roberto ainda resistiu às ordens da polícia e pediu ajuda de sua esposa. Sua companheira alegou, no entanto, que o acusado prometia desvendar casos de infidelidade, mas ele próprio seria adúltero e mantinha uma relação extraconjugal com outra mulher há algum tempo. A polícia suspeita até mesmo que o acusado agia com ajuda de uma cúmplice, que seria sua amante. 
Roberto confessou o crime à polícia e disse estar passando por problemas financeiros, que o levaram a praticar o crime de estelionato.

"Ele confirmou o crime, disse que tem passado por graves problemas de dinheiro, o que não justifica enganar as pessoas dessa forma. O dinheiro que as vítimas perderam, por exemplo, dificilmente vai ser recuperado", comentou o delegado. "O ideal é que as pessoas se protejam, estejam precavidas, não acreditem nesse tipo de conversa, até porque esse é um serviço que é ilegal, ele jamais conseguiria entregar o que prometia às vítimas", completou. 

Ele responderá pelo crime de estelionato. A polícia dará continuidade às investigações e solicitará quebra de sigilo bancário do acusado a fim de verificar as movimentações financeiras registradas nos últimos anos, resultantes dos golpes aplicados pelo falso investigador.
 

Belém
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