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Comunidade libanesa do Pará integra ajuda humanitária ao Líbano; vídeo

Falta de alimentos e crise econômica naquele país, agravados com a guerra na Ucrânia, preocupam familiares no Estado

Eduardo Rocha

O agravamento da situação enfrentada por cidadãos no Líbano, marcada pela falta de pão e outros alimentos e a crise econômica, provocado pela guerra na Ucrânia (principal fornecedor de trigo a esse país), preocupa a comunidade libanesa no Pará. Por essa razão, como informa o empresário Muzaffar Said, vice-presidente do clube Monte Líbano e diretor do Sindilojas Belém, a comunidade reforça a ajuda humanitária àquele país. Esssa ajuda ocorre de forma institucional, envolvendo, inclusive, o consulado no Pará, e também familiares por meio do repasse de contribuição financeira para grupos no país, a fim de serem adquiridos gêneros alimentícios e medicamentos, basicamente.

"A guerra na Ucrânia veio agravar a situação, visto que o Líbano encontrava-se em crise econômica, com a desvalorização da libra libanesa perante o dólar americano; inflação, pandemia e refugiados sírios. Os efeitos da guerra foram sentidos no mundo inteiro, e o Líbano já sofre uma situação descrita pelo Banco Mundial como "uma das crises globais mais graves", destaca Muzaffar Said. Ele chama a atenção para o fato de que o prolongamento dessa guerra provoca uma crise de segurança alimentar.

Desafio

Isso porque "o Líbano precisa entre 550 mil a 650 mil toneladas de trigo anualmente, segundo dados do governo". A empresa de pesquisa independente International Information divulgou que as importações da Ucrânia totalizam US$ 354 milhões em média anual durante os anos 2012-2020. "Um relatório publicado no final de fevereiro mostrou que o trigo ocupa o primeiro lugar entre as commodities importadas pelo Líbano da Ucrânia, com um volume de 311 mil toneladas", acrescenta Muzaffar. O país também importa de lá outros produtos alimentares.

Empresário Muzaffar Said (Filipe Bispo / O Liberal)

De acordo com dados alfandegários libaneses, a Rússia é uma das maiores fontes do Líbano para a importação de óleo de semente, além do óleo de petróleo, carvão e outras commodities. "O Líbano não pode armazenar grandes quantidades de trigo; o Porto de Beirute costumava abrigar os maiores silos do país, mas após a grande explosão em 4 de agosto de 2020 foi completamente destruído e perdeu seu estoque - cerca de 85% dos grãos e trigo do Líbano", pontua Said.

O trigo é armazenado em 12 usinas libaneses, o suficiente para o consumo de um mês, e o ministro da Economia, Amin Salam, disse que o estoque desse produto no país abrange 45 dias, como repassa Muzaffar Said. O Governo libanês fez acordos para adquirir quantidades adicionais, "pedindo aos cidadãos que não entrem em pânico nas compras".

Parceria

A maior comunidade libanesa fora do Líbano é no Brasil. Estima-se mais de 14 milhões de pessoas. Essa migração começou após a visita de dom Pedro II àquele país em 1876. "Comunidade essa que participou ativamente na formação da sociedade brasileira", salienta Muzaffar Said,observando que no Pará calcula-se a presença de mais de 400 mil libaneses e descendentes.

"Como integrante da comunidade libanesa no Pará, participamos das ações para minimizar o sofrimento dos nossos irmãos no Líbano, com a situação social e econômica agravada com o grande número de refugiados sírios, mais de 2 milhões, e a guerra na Ucrânia. No Pará e no Brasil, há vários movimentos em prol de ajudar os nossos irmãos no Líbano", ressalta.

Nesse sentido, a embaixadora do Líbano no Brasil, Carla Jazzar, lidera esses movimentos junto à sociedade líbano-brasileira e aos poderes Executivo e Legislativo do Brasil. Carla Jazzar chegou, inclusive, a ser recebida no Pará pelo governador Helder Barbalho, e pelo cônsul honorário no Pará e presidente do Monte Líbano, Makram Said, que atua nesse sentido no Pará, obtendo o maior apoio para essa causa. Esse encontro ocorreu em novembro de 2021.

Expectativa

Muzaffar Said observa ser premente a necessidade de serem encontradas alternativas para o embarque de mercadorias de forma rápida, de vez que o abastecimento parou em virtude da guerra. Hani Bohsali, presidente do Sindicato dos Importadores de Alimentos do Líbano, afirmou que Estados Unidos, Canadá, Austrália, Romênia e Bulgária podem ser fontes alternativas de trigo. O Líbano conversa com a Turquia e a Índia sobre iminente escassez de trigo. O governo libanês montou um comitê ministerial para acompanhar a questão da segurança alimentar no país, visando antecipar problemas.

"O Líbano passou, muitas vezes, por crises, guerras e sempre se ergueu. Com a ajuda dos países amigos, a comunidade libanesa mundial e os países árabes, o Líbano se erguirá mais uma vez dessa crise passageira", afirma Said, confiante na mudança de cenário no país. 

Belém
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